A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

Tem certeza que deseja sair da sua conta?

#Verificamos: Vídeo viral de professora canadense traz informações falsas sobre vacinas contra a Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.set.2021 | 16h02 |

Circula pelo WhatsApp um vídeo em que uma professora diz estar sendo ameaçada de demissão pela universidade onde trabalha caso insista em não se vacinar contra a Covid-19. Ao longo da gravação, Julie Ponesse lança uma série de questionamentos sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes, citando como fontes supostos artigos científicos e conversas com profissionais da saúde. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“É uma injeção de uma substância que não foi totalmente testada quanto à segurança. E ainda não se mostrou eficaz”
Fala da professora Julie Ponesse em vídeo que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Todas as vacinas contra a Covid-19 em uso no mundo foram testadas em dezenas de milhares de voluntários. Os imunizantes demonstraram sua segurança e eficácia e, no Brasil, foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após uma criteriosa análise técnica. Além disso, o avanço da vacinação no país está diretamente ligado à redução das taxas de morte e transmissão do vírus, o que atesta sua eficiência no combate à pandemia.

A professora Julie Ponesse, que ministrava a disciplina de Ética na Universidade de Western Ontario, no Canadá, gravou o vídeo, de cinco minutos, em que argumenta ser errado obrigar um funcionário a se vacinar contra a Covid-19. Ao longo de sua fala, ela coloca em dúvida a segurança dos imunizantes, atribuindo o alerta sobre os supostos riscos a artigos científicos e colegas profissionais da saúde. O vídeo foi publicado na página de Instagram da organização “Canadian Covid Care Alliance” em 7 de setembro, após Ponesse ser colocada em licença remunerada, e desde então recebeu mais de 1,1 milhão de visualizações. No Brasil, uma versão legendada circula em grupos de WhatsApp.

Atualmente, quatro vacinas são aplicadas no Brasil: AstraZeneca, Pfizer, CoronaVac e Janssen. As duas primeiras têm registro definitivo concedido pela Anvisa, enquanto as duas últimas estão sendo administradas no país por meio de uma autorização de uso emergencial. Ao contrário do que pode sugerir, a autorização emergencial significa que, na avaliação da Anvisa, estudos comprovam a qualidade, a segurança e a eficácia dos imunizantes, permitindo sua aplicação antes do registro definitivo e facilitando sua disponibilização diante do cenário de urgência da pandemia.

Os estudos clínicos da vacina da Janssen foram conduzidos em sete países, inclusive no Brasil, envolvendo ao todo 44 mil pessoas. Os da Pfizer tiveram um número semelhante, 43,5 mil, e também incluíram brasileiros. Os testes da CoronaVac abrangeram 12,4 mil voluntários por aqui. Outros 23,7 mil participaram das pesquisas da AstraZeneca, cerca de 10 mil deles no país.

As quatro vacinas se mostraram seguras e eficazes no combate à Covid-19, inclusive contra a variante delta, que é mais transmissível e pode aumentar o risco de hospitalização. Esse é o entendimento das agências reguladoras, como a Anvisa, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que reforça que “todas as vacinas autorizadas são seguras e eficazes para prevenir a Covid-19”.

A vacina contra a Covid-19 foi a primeira da história a ser desenvolvida em menos de um ano. Diversos fatores favoreceram esse período tão curto, como já explicou o infectologista Alexandre Naime à Lupa em outra checagem: “A tecnologia está muito mais avançada, então você não sai da estaca zero. E, além disso, a gente já conhecia dois coronavírus anteriores: o SARS-CoV original e o Mers [que causa a Síndrome Respiratória do Oriente Médio]. Contra esses vírus já havia trabalhos sobre potenciais vacinas.” O médico ainda elencou o grande investimento em pesquisas e a priorização da avaliação dos imunizantes nas agências reguladoras como fatores importantes para a aceleração do processo de desenvolvimento desses produtos contra a Covid-19.

No Brasil, ainda que apenas 36,47% da população esteja completamente imunizada, o número de óbitos por Covid-19 segue caindo. De 13 de junho a 13 de setembro deste ano, a queda na média móvel de mortes foi de 77%, justamente no período em que a campanha de imunização entrou em um ritmo mais acelerado, apontam dados da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford. Especialistas apontam a vacinação como a principal causa da queda dos números, mesmo diante da ameaça da variante delta, que já é a predominante em várias regiões do país.

As cidades de Serrana e Botucatu, no interior paulista, também demonstram o efeito positivo da vacinação. O Instituto Butantan, que produz a CoronaVac, e a Fiocruz, que produz a vacina da AstraZeneca, aplicaram o imunizante em quase toda a população dessas cidades, respectivamente, para simular os efeitos da vacinação. Em Serrana, as mortes por Covid-19 caíram 95%, enquanto Botucatu teve um número de internações 86,7% menor.


 

“Eu não vou me submeter a ter uma vacina experimental injetada ao meu corpo”
Fala da professora Julie Ponesse em vídeo que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O uso do termo “experimental” aplicado às vacinas contra a Covid-19 é “completamente inadequado” e não tem base científica, defendeu o epidemiologista Guilherme Werneck em outra checagem da Lupa. “Seriam experimentais se as vacinas não tivessem sido aprovadas em protocolos de ensaios clínicos que respeitam aquilo que é feito para o uso em populações. Mas elas cumpriram todos os requisitos. Essa é uma ideia que só contribui para diminuir a adesão das pessoas à imunização”, critica o epidemiologista.

O epidemiologista ressaltou que, mesmo após a aprovação para uso, os imunizantes continuam sendo avaliados. Na fase 4 de testes, a utilização das vacinas é acompanhada para gerar detalhes adicionais sobre a segurança e a eficácia do produto, além de detectar eventuais efeitos colaterais previamente desconhecidos. “Os estudos estão mostrando, na prática, o quanto essas vacinas são efetivas”, avaliou Werneck.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo