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#Verificamos: Montagem usa vídeo antigo para acusar falsamente Datafolha de não entrevistar bolsonaristas sobre 2022

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.set.2021 | 12h43 |

Circula no WhatsApp um vídeo no qual dois homens afirmam que uma pesquisadora do Datafolha teria se negado a entrevistá-los sobre a intenção de votos para as eleições presidenciais de 2022. O motivo seria o fato de eles serem eleitores de Jair Bolsonaro (sem partido). A filmagem dos dois homens é exibida logo após a reprodução de um trecho do Jornal Nacional, da TV Globo, no qual a apresentadora Renata Vasconcellos anuncia uma reportagem sobre pesquisa de intenção de votos para o ano que vem. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“(…) Essa menina que eu gravei agora há pouquinho é Datafolha, deixou até o cartão com a gente. Ela não quis entrevistar eu e ele só porque a gente é eleitor do Bolsonaro. Agora entrevistou ali cinco cara que disse que ia votar em PT. (…) Ele falou que ia votar em Bolsonaro e ela falou o que? ‘Ela falou que não ia registrar.’ A cota já tinha [sido] feito, não sei o quê. Mas tinha parado o cara ali recentemente (…)”

Conteúdo de vídeo que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo no qual dois homens afirmam que o Datafolha se recusou a entrevistá-los é antigo e não tem qualquer relação com a pesquisa de intenção de votos para presidente nas eleições de 2022, anunciada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, em 9 de julho deste ano. O levantamento mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa. A filmagem que viralizou foi editada para tirar o trecho em que os dois rapazes mencionam o nome de Fernando Haddad (PT), candidato a presidente nas eleições de 2018, como opção de voto. Até o momento, Haddad é apontado como possível candidato ao governo de São Paulo, e não para disputar as eleições presidenciais do ano que vem com Bolsonaro.

Procurado pela Lupa, o Datafolha afirmou que a cena foi registrada em 2018 e que os pesquisadores do instituto só entrevistam pessoas que atendam às cotas de sexo e idade do eleitorado. “O homem abordado poderia não atender ao perfil de eleitor que o pesquisador precisava para completar sua tarefa”, informou, em nota.

Vale pontuar que pesquisadores não podem entrevistar pessoas que se ofereçam para participar da pesquisa. Essa regra é seguida, segundo explicou o Datafolha, para não gerar viés e evitar desvios nos resultados. Essa norma é padrão no campo da pesquisa. Em 2018, vídeos similares viralizaram nas redes sociais também denunciando uma suposta recusa do instituto de pesquisa em entrevistar eleitores do então candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Contudo, esses eleitores haviam se oferecido para participar do levantamento e a “denúncia” foi desmentida.

Na ocasião, o Datafolha explicou que a premissa de qualquer pesquisa baseada na ciência estatística é que o entrevistado precisa ser sorteado. De acordo com a organização, pesquisadores são orientados a levantar a cabeça e abordar a primeira pessoa que estiver transitando na sua frente, ou seja, se trata de uma escolha aleatória.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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