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#Verificamos: É falsa capa do Washington Post chamando Bolsonaro de ‘melhor presidente brasileiro da história’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.set.2021 | 19h15 |

Circula pelas redes sociais que o jornal norte-americano The Washington Post teria publicado uma manchete em que chama Jair Bolsonaro (sem partido) de melhor presidente brasileiro da história. Na reprodução, a foto principal da suposta capa seria uma imagem do mandatário discursando na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com a legenda “Bolsonaro 2022”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Bolsonaro is the best brazilian president of all the times and people loves’m”
Texto publicado no Facebook que, até 17h do dia 27 de setembro de 2021, havia sido compartilhado por 55 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Entre a data do discurso de Jair Bolsonaro na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU, no dia 21 de setembro, e a data da publicação do post analisado, 23 de setembro, o jornal The Washington Post não publicou nenhuma capa em que constavam elogios ao brasileiro na manchete. Além disso, a peça de desinformação é uma imagem editada que usou como base uma capa satírica do jornal americano feita por manifestantes contrários ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2019. Ainda, a suposta manchete comete erros gramaticais claros na língua inglesa. 

No dia 21 de setembro, data em que Bolsonaro discursou na ONU, a capa do periódico americano trazia como manchete uma matéria sobre a Síria com o título “Killings and fear roil Syrian detention camp” (“Assassinatos e medo perturbam campo de detenção sírio”, em tradução livre para o português). No dia seguinte, a notícia principal da capa era “U.S. steps up deportations to Haiti” (“EUA intensificam deportações para Haiti”, em tradução livre). Já em 23 de setembro, a reportagem com maior destaque foi “Gun violence trauma spans generations” (“Trauma da violência armada se estende por gerações”, em tradução livre). Bolsonaro não aparece em nenhuma das capas.

Desde a data do discurso até hoje (27), o presidente brasileiro foi citado em cinco reportagens na versão impressa do Washington Post. Apenas na edição de 26 de setembro ele foi lembrado em uma matéria com chamada na capa, mas a manchete era sobre outro assunto. A reportagem “Pro-Trump omens ring out ahead of German vote” (“Presságios pró-Trump ressoam antes da votação da Alemanha”, em tradução livre) falava sobre a invasão do Capitólio norte-americano em 6 de janeiro e a relação com as eleições na Alemanha, que se encerraram na madrugada desta segunda-feira (27).

Na ocasião, Bolsonaro somente foi citado em um dos parágrafos em que a reportagem evidencia a relação do presidente com seus apoiadores. “In Brazil, embattled President Jair Bolsonaro this month rallied supporters in demonstrations that more than 150 critics, including former heads of state, said in an open letter were “modeled on the insurrection” at the U.S. Capitol”, escreveu o jornal. Em tradução livre: “No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro reuniu simpatizantes em manifestações em que mais de 150 críticos, incluindo ex-chefes de Estado, disseram em carta aberta terem sido ‘modeladas na insurreição’ do Capitólio dos EUA.”

Além disso, a manchete reproduzida na página falsa comete erros de inglês claros. Em primeiro lugar, na língua inglesa o gentílico de um país é sempre escrito com a primeira letra em maiúscula. Portanto, o correto seria “Brazilian”, para indicar “brasileiro”. Em segundo, a expressão “de todos os tempos” não deve ser usada com o artigo “the” quando traduzida ao inglês. Finalmente, para dizer “as pessoas o amam” a conjugação correta do verbo amar neste caso seria “love”, sendo a frase correta: “people love him” e não “people loves’m”. 

Finalmente, a imagem utilizada na peça de desinformação é antiga e as manchetes secundárias da suposta capa não são retiradas de uma versão real do jornal. Em 16 de janeiro de 2019, uma edição satírica do jornal Washington Post foi entregue a pessoas próximas à Casa Branca, então residência oficial do ex-presidente norte-americano Donald Trump. A manchete impressa trazia o texto “Unpresidented: Trump hastily departs White House, ending crisis” (“Despresidenciado: Trump deixa a Casa Branca às pressas, encerrando a crise”, em tradução livre) e simulava uma versão do jornal em que Trump teria desistido da Presidência. À esquerda da foto principal constava o título humorístico “Celebration break out worlwide as Trump era ends” (“Celebrações estouram em todo o mundo com o fim da era Trump”, em tradução livre). Conforme apontado pela revista The New Yorker, esta não era a versão original do jornal daquele dia

A reprodução falsa edita a imagem e os títulos principais, trocando a foto de Trump pela de Bolsonaro, mas mantém o restante da diagramação. A distribuição do periódico humorístico aconteceu em formato de protesto e foi registrada pelo fotógrafo Tasos Katopodis. A imagem original do jornal de protesto pode ser encontrada no site Getty Images

Já a foto de Bolsonaro que supostamente teria sido publicada pelo The Washington Post foi feita pela agência AFP durante o discurso do dia 21 de setembro na ONU. Ela aparece, inclusive, em reportagens da imprensa brasileira.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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