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#Verificamos: É falso que CEO da Pfizer não tomou a vacina contra a Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
28.set.2021 | 14h38 |

Circula nas redes sociais que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, cancelou uma viagem previamente planejada a Israel porque não estava vacinado. Essa informação é acompanhada do print de um trecho de uma notícia publicada no site The Jerusalem Post. Nesse trecho, aparecem apenas uma foto de Bourla e o título em inglês, “Pfizer CEO’s Israel visit canceled because he is not fully vaccinated” (CEO da Pfizer cancelou visita a Israel por não estar totalmente imunizado). A publicação sugere que nem mesmo o executivo do laboratório acredita na própria vacina. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“O CEO da Pfizer teve que cancelar a sua viagem planejada para Israel porque ele não estava vacinado.

Deixa eu repetir para vocês: PORQUE ELE NÃO ESTAVA VACINADO”

Texto em post compartilhado no Facebook que, até as 11h de 28 de setembro de 2021, teve 75 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A notícia de que o presidente e CEO da Pfizer, Albert Bourla, cancelou uma viagem a Israel porque não está vacinado é antiga e foi retirada de contexto. O executivo não viajou para Israel em março porque ainda não tinha recebido a segunda dose da vacina — ele já tinha recebido a primeira aplicação. Três dias após a publicação dessa notícia, ele recebeu a segunda dose, como informou no Twitter. Antes disso, em dezembro, ele disse que não iria “furar” a fila e tomar o imunizante antes dos grupos prioritários.

O trecho da reportagem que circula nas redes sociais omite a data original da publicação, 7 de março — e não setembro de 2021. Nesse dia, o jornal The Jerusalem Post informou que Bourla cancelou uma visita ao país, que estava previamente agendada, porque, até aquela ocasião, ainda não tinha chegado a sua vez de tomar a segunda dose do imunizante — e não porque ele não acredita na vacina, como sugere a peça de desinformação.O texto original ainda menciona que essa visita foi adiada, mas não cancelada, e que até a data da publicação ele já tinha recebido a primeira dose, mas não a segunda.

O adiamento da viagem de Bourla foi também noticiado em outros jornais, como Times of Israel. Inicialmente, informou o periódico, a visita ao país estava agendada para 8 de março e foi adiada para o final da primavera (final do outono no Brasil). Albert Bourla tomou a segunda dose do imunizante dois dias depois da data prevista para a viagem, em 10 de março de 2021. A foto na qual ele aparece recebendo a segunda dose da imunizante foi compartilhada pelo próprio empresário em seu perfil no Twitter

Em 14 de dezembro de 2020, quando as primeiras vacinas contra a Covid-19 começaram a ser aplicadas nos Estados Unidos, o CEO da Pfizer foi questionado, em uma entrevista à emissora CNBC, quando ele tomaria a primeira dose. Em resposta, Bourla explicou que não queria dar mau exemplo e furar a fila. “Tenho 59 anos e tenho boa saúde, não trabalho na linha de frente e não há recomendação para eu me vacinar agora”, disse. Na entrevista, ele também explicou que nenhum dos executivos da empresa iria passar na frente de ninguém e que eles aguardariam a data indicada no cronograma com base na idade e tipo de ocupação.

À CNN, também em 14 de dezembro, o empresário repetiu que seria vacinado seguindo as  recomendações do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos, que tinha estabelecido naquele momento a prioridade a determinados grupos de risco.

Essas entrevistas foram tiradas de contexto em diferentes momentos desde então, principalmente por usuários de redes sociais nos Estados Unidos, para enganosamente levar a entender que nem os diretores do laboratório confiavam no imunizante desenvolvido em parceria com a BioNTech. Esses conteúdos desinformativos foram desmentidos por agências de checagem norte-americanas, como o USA Today, em março, e o PolitiFact, em agosto

Esse conteúdo também foi verificado pela AFP Checamos e pelo Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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