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#Verificamos: É falso que adolescentes de Camaçari e Blumenau morreram após serem vacinados contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
01.out.2021 | 15h50 |

Circula pelo WhatsApp um vídeo da jornalista Cristina Graeml, da rádio Jovem Pan, que cita o nome de cinco adolescentes que teriam morrido após receberem a vacina contra a Covid-19. Na gravação, ela questiona a segurança dos imunizantes para essa faixa etária. Além disso, Graeml diz que a bula da vacina da Pfizer, única autorizada pela Anvisa para aplicação em menores de idade, não prevê sua utilização entre adolescentes. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“João […], de Marília, no interior de São Paulo, tinha 16 anos. O Samuel […], de Jaú, no interior de São Paulo, tinha 13 anos, infartou e morreu. Julia […], de Blumenau, em Santa Catarina, tinha 15 anos, teve parada cardíaca e morreu. A Isabelle […], como eu disse, tinha 16. […] Nilmar […], 15 anos, infartou e morreu. Todos eles com relatos de que tinham se vacinado dias antes, no máximo uma semana ou duas antes.”
Comentário da jornalista Cristina Graeml na rádio Jovem Pan que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Dois dos cinco adolescentes citados pela comentarista jamais receberam a vacina contra a Covid-19. Logo, seus óbitos não podem ser relacionados à imunização. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmada pela Lupa junto às Secretarias de Saúde. Além disso, dois casos ainda estão sob investigação e, em outro, já foi descartada a relação da morte com a vacina.

O comentário de Cristina Graeml foi ao ar durante o programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, em 23 de setembro. A edição daquele dia não está mais disponível nas redes sociais da emissora, mas ainda é possível encontrar a fala na íntegra em links de terceiros.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde da Bahia informou que investigou o caso de Nilmar, do município de Camaçari, e constatou que o adolescente não havia se vacinado contra a Covid-19. Ao portal Camaçari Fatos e Fotos, familiares da vítima confirmaram a informação. No dia 16 de setembro, o jovem, de 15 anos, passou mal enquanto estava no colégio e faleceu. A vacinação de adolescentes de 15 anos sem comorbidades começou em 18 de setembro na cidade, portanto depois de seu óbito.

A Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina também confirmou que a adolescente Julia, de Blumenau, não havia sido imunizada contra a Covid-19. Ela tinha 15 anos e sofreu uma parada cardíaca em 14 de setembro. No município, a vacinação de sua faixa etária começou no dia 16.

Isabelle, de São Bernardo do Campo (SP), havia recebido a primeira dose da vacina contra a Covid-19 oito dias antes de ter um mal súbito. A adolescente tinha 16 anos. De acordo com as conclusões da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sua morte provavelmente foi causada por uma doença autoimune, a Púrpura Trombótica Trombocitopênica, e não teve relação com o imunizante.

Sobre os casos de João, de Marília (SP), e Samuel, de Jaú (SP), a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo declarou, por meio de nota, que, até o momento, não há comprovação de relação da vacina com os óbitos dos adolescentes, e que qualquer afirmação que diga o contrário é “precoce e temerária”. O órgão ressaltou que mais de 2,6 milhões de adolescentes entre 12 e 17 anos já foram vacinados no estado, com efeitos adversos identificados em apenas 0,001% dos casos, demonstrando a segurança da imunização dessa faixa etária.


 

“[…] tá na bula da Pfizer: não se recomenda este medicamento para menores de 16 anos”
Comentário da jornalista Cristina Graeml na rádio Jovem Pan que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. De fato, versões antigas da bula, que são facilmente encontradas ao se fazer uma busca na internet, trazem a informação de que a vacina da Pfizer é recomendada para pessoas a partir de 16 anos. No entanto, a bula atualizada, disponível no site da farmacêutica, informa a possibilidade de utilização em crianças a partir de 12 anos. A mesma orientação consta no documento hospedado no sistema da Anvisa.

Essa ampliação da idade ocorreu em junho, depois que a Pfizer encaminhou à Anvisa estudos que indicaram a segurança e a eficácia do imunizante também dos 12 aos 15 anos. O órgão aprovou a alteração e, desde então, a faixa etária foi atualizada na bula.


 

“A bula da vacina sequer menciona os casos de miocardite, que são raros, mas já estão confirmados em pesquisas”
Comentário da jornalista Cristina Graeml na rádio Jovem Pan que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Mais uma vez, a informação está presente na versão atualizada da bula. O documento informa que casos “muito raros” de miocardite e pericardite, que são inflamações relacionadas ao coração, foram relatados após uso do imunizante, especialmente entre homens mais jovens e após a segunda dose. Entretanto, a bula ressalta que geralmente são casos leves e que os indivíduos tendem a se recuperar em um curto período de tempo. 

Em junho, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) reconheceu a existência de uma “ligação provável” de casos de miocardite e pericardite entre jovens de até 30 anos que receberam a segunda dose de vacinas — especialmente as que usam a plataforma de RNA mensageiro, como a da Pfizer. No entanto, o órgão ressaltou que esses casos são geralmente leves e extremamente raros. Além disso, reforçou que essas consequências são muito mais comuns ao se contrair a Covid-19, e que os danos ao coração causados com a infecção pelo Sars-CoV-2 podem ser mais severos.

Por aqui, a Anvisa reiterou o alerta do órgão estadunidense, orientando a busca por atendimento médico em caso de dor no peito, falta de ar, palpitações ou alterações de batimentos cardíacos após a vacinação. Entretanto, destacou que mantinha a recomendação pela continuidade da imunização com a Pfizer, já que “os benefícios superam os riscos”.


 

“Reino Unido suspendeu vacinação de adolescentes saudáveis, a Rússia fez isso, a Noruega fez isso, […] porque começaram a aparecer relatos de adolescentes que infartaram”
Comentário da jornalista Cristina Graeml na rádio Jovem Pan que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. No Reino Unido, a vacinação de todos os adolescentes entre 12 e 15 anos teve início nas últimas semanas e segue ocorrendo normalmente. No entanto, essa população receberá apenas com uma dose do imunizante. No início de setembro, o Joint Committee on Vaccination and Immunisation, órgão consultivo independente, não demonstrou apoio à vacinação de toda essa faixa etária, já que considerava seu benefício pequeno entre adolescentes saudáveis.

Na Noruega, adolescentes entre 12 e 15 anos sem comorbidades também estão sendo vacinados com apenas uma dose da vacina, segundo o Instituto de Saúde Pública do país. Não há informações sobre “suspensão” da imunização dessa faixa etária.

Já na Rússia, até o momento, o programa de imunização contra a Covid-19 abrange apenas pessoas com mais de 18 anos, informa o site oficial do governo do país. Também não há informações sobre qualquer suspensão da vacinação de adolescentes. Em julho começaram os testes da Sputnik V, desenvolvida no país, entre jovens de 12 a 17 anos.

A Lupa tentou contato por e-mail com Cristina Graeml, mas não obteve retorno.

Essas informações também foram checadas pelo Estadão Verifica e Fato ou Fake.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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