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#Verificamos: É falso que governo da Austrália decidiu desligar a internet do país

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.out.2021 | 15h26 |

Circula nas redes sociais que o governo da Austrália teria decidido isolar o país, desligando a internet e deixando os servidores inoperantes. A publicação aponta ainda que o primeiro-ministro, Scott Morrison, teria declarado que as pessoas que se recusassem a tomar as vacinas contra a Covid-19 perderiam o direito à liberdade. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Austrália isolada. Internet desligada e servidores inoperantes”
Legenda da imagem publicada no Instagram com 9.919 curtidas e 695 comentários até as 19h 06 de outubro de 2021.

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A reportagem pesquisou no site da National Broadband Network (NBN), empresa que fornece internet de banda larga residencial e comercial, se os serviços de internet estavam disponíveis em três endereços aleatórios do país, nas cidades de Wollongong (Nova Gales do Sul), Richmond (Tasmânia) e Bayswater (Austrália Ocidental). Nos três, o resultado foi positivo.

Além disso, segundo o Is It Down Right Now?, site no qual é possível monitorar se um determinado website está fora do ar, os principais veículos de comunicação da Austrália, como o Sydney Morning Herald, a ABC (Australian Broadcast Corporation), e o news.com.au, por exemplo, seguem funcionando.

Não há nenhuma notícia do tipo na imprensa local — que, como dito anteriormente, continua no ar, contradizendo a alegação que consta no post — ou na imprensa internacional. 

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o governo australiano implantou o plano “Covid Zero”, que na prática significou o fechamento de fronteira, bloqueios rígidos de circulação pelos espaços públicos e testes intensivos na população para frear o avanço da doença. Atualmente, com o avanço da vacinação, o país começou a reduzir as medidas restritivas.

Porém, o plano nunca incluiu suspender o uso da internet. Pelo contrário, a comunicação com os australianos a respeito das atualizações sobre as medidas de controles adotadas passou a ser feita através de endereços eletrônicos oficiais, como o detalhamento do Plano Nacional para a transição da resposta nacional à Covid-19 da Austrália e o portal Coronavirus, amos disponibilizados no site do governo. 

Além disso, o próprio primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, segue informando a respeito do avanço da vacinação no país através de sua conta oficial no Twitter.

A estratégia da Austrália durante a pandemia foi bem sucedida. Em um país de 25,6 milhões de habitantes, apenas 1.357 morreram de Covid-19 desde o início da crise. O número total de mortes é similar ao de municípios brasileiros como Piracicaba (SP), Caxias do Sul (RS) e Betim (MG)


“O primeiro ministro australiano disse que quem não se vacinar não terá mais liberdade”
Legenda do post publicado no Instagram com 9.919 curtidas e 695 comentários até as 19h 06 de outubro de 2021.

FALSO

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, nunca disse isso. No dia 19 de agosto de 2020, Morrison afirmou que a vacina “seria obrigatória, na medida do que pode ser obrigatório”. “Sempre há exceções à vacina, por razões médicas, mas deve ser a única”, declarou à rádio 3AW de Melbourne. 

Contudo, o atual Plano Nacional para a transição da resposta nacional Covid-19 aponta que a política da Austrália em relação aos funcionários, por exemplo, “continua sendo que as vacinas devem ser voluntárias e gratuitas”. “As empresas têm a obrigação legal de manter seus locais de trabalho seguros e de eliminar ou minimizar, tanto quanto ‘razoavelmente praticável’, o risco de exposição à Covid-19”.

“Em geral, na ausência de uma ordem de saúde pública estadual ou territorial ou uma exigência em um contrato de trabalho ou instrumento industrial, um empregador só pode exigir que um empregado seja vacinado por meio de uma orientação legal e razoável. A decisão de exigir a vacinação Covid-19 para os funcionários será uma questão de negócio individual, levando em consideração suas circunstâncias particulares e suas obrigações de acordo com as leis de segurança, antidiscriminação e privacidade”, detalha outro trecho do plano.

Atualmente, a Austrália está com 50% de sua população com idade superior a 16 anos completamente vacinada e 75% com a primeira dose. Segundo o próprio Morrison em um post no Twitter, com a chegada de mais 11 milhões de doses da Pfizer e da Moderna, a expectativa é de avançar para a fase B do plano e reabrir o País com segurança ainda em outubro. 

Para que isso ocorra, 70% da população adulta precisa estar totalmente imunizada. Nesta nova etapa, as medidas podem incluir bloqueios menos prováveis, redução das restrições e novos arranjos de quarentena para residentes vacinados.

Em dezembro de 2020, a Lupa desmentiu outra notícia sobre a Austrália. Na ocasião, a médica Cecília Pimenta disse que o país tinha recomendado e distribuído ivermectina para sua população e, assim, conseguiu diminuir os casos de Covid-19 no país. Porém, o governo australiano não indicou o uso do medicamento para tratar ou prevenir a Covid-19.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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