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#Verificamos: É falso que Brasil é o único país que mantém uso de máscaras no combate à Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.out.2021 | 17h55 |

Circula pelas redes sociais o vídeo de uma mulher que afirma que o Brasil é o único país onde as máscaras continuam sendo utilizadas na prevenção contra a Covid-19. Além disso, a mulher cita supostos malefícios do uso da proteção, além de lançar dúvidas sobre a eficiência das vacinas no combate à doença. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Só o Brasil ainda usa [máscaras]”
Fala em vídeo que, até 13h do dia 13 de outubro de 2021, havia sido visualizado por mais de 62 mil usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O item de proteção continua sendo usado em vários países como uma forma cientificamente comprovada de reduzir a possibilidade de transmissão da Covid-19 e infecção pelo novo coronavírus. Mesmo os lugares que flexibilizaram o uso das máscaras, como Estados Unidos e Portugal, por exemplo, preveem sua utilização em determinadas situações. Já no Chile, vizinho bem à frente do Brasil na vacinação, a exigência do uso da proteção segue em vigor.

Em maio, as autoridades de saúde dos Estados Unidos dispensaram quase totalmente o uso de máscaras para pessoas com esquema vacinal completo. A recomendação foi dada em um momento de avanço da imunização no país. No entanto, diante do aumento de casos provocado pela disseminação da variante delta, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) recuou e voltou a orientar a utilização de máscaras em ambientes fechados, mesmo para quem já tomou as duas doses do imunizante.

As diretrizes do órgão também continuam prevendo outras situações em que a máscara é recomendada, como quando o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido ou mesmo em espaços ao ar livre localizados em regiões com número de casos em alta. O CDC reforça ainda a necessidade de usar a proteção durante viagens em aviões, ônibus e trens.

Atual líder europeu na vacinação contra a Covid-19, Portugal desobrigou o uso de máscaras em espaços abertos em setembro, quando a população totalmente vacinada já ultrapassava os 80%. Entretanto, de acordo com o Serviço Nacional de Saúde português, o item segue exigido no transporte coletivo e em espaços fechados como escolas e salas de cinema.

No Chile, que se aproxima de 75% da população totalmente imunizada, as máscaras seguem sendo recomendadas pelo governo, sem flexibilizações. No fim de setembro, ao anunciar o fim do estado de emergência, o presidente Sebastián Piñera pediu que a população do país continuasse usando a proteção e evitando aglomerações. No Brasil, 46,8% da população foi completamente imunizada até terça-feira (12).

O vídeo em questão foi publicado nas redes sociais de Luciana Monteiro em 1º de outubro. Ela foi candidata a vereadora em Natal (RN) nas eleições de 2016, pelo PSDB, e 2020, pelo PP, e costuma fazer postagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a pautas relacionadas ao grupo político do mandatário.

Em julho, a Lupa checou o conteúdo falso de outro vídeo de Monteiro, em que ela dizia que um estudo “de Oxford” teria provado que a ivermectina poderia ter salvado 250 mil brasileiros com Covid-19.

A Lupa entrou em contato por e-mail com Luciana Monteiro, mas não obteve resposta até a publicação dessa checagem.


 

“[Máscaras] diminuem as defesas porque acidificam o organismo”
Fala em vídeo que, até 13h do dia 13 de outubro de 2021, havia sido visualizado por mais de 62 mil usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada é falsa. Ao longo da pandemia, a Lupa checou conteúdos falsos que afirmavam que, ao respirar repetidamente o ar expirado sob a máscara, o gás carbônico ali concentrado intoxicaria o indivíduo, levando, entre outras consequências, à acidez no sangue. Essa possibilidade foi descartada pelo professor de pediatria da Universidade Federal Fluminense (UFF) André Ricardo Araújo. “Para uma situação de hipóxia [quando a quantidade de oxigênio transportada para os tecidos do corpo é insuficiente], a pessoa deve passar por uma situação de completa vedação do ar. Não é o que acontece com a máscara”, explicou, na ocasião.

Ainda que o uso de máscaras possa gerar desconforto, o médico ressaltou que sua função é filtrar, e não impedir, o fluxo da respiração. Dessa forma, a entrada de oxigênio e a eliminação do dióxido de carbono ocorrem normalmente. “Apenas tentar respirar em um local hermético, como dentro de um saco plástico, causaria a hipóxia ou a asfixia”, avaliou Araújo.

Diferentes estudos já comprovaram a importância das máscaras para bloquear a entrada e saída de gotículas e aerossóis que podem transmitir o Sars-CoV-2, vírus que causa a Covid-19. A proteção é amplamente defendida pela comunidade científica, inclusive por órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que a considera uma “medida fundamental” para frear a transmissão da Covid-19 e salvar vidas.

A Lupa entrou em contato por e-mail com Luciana Monteiro, mas não obteve resposta até a publicação dessa checagem.


 

“[A vacina é] uma substância experimental e que ninguém sabe quais são os efeitos a médio e longo prazo”
Fala em vídeo que, até 13h do dia 13 de outubro de 2021, havia sido visualizado por mais de 62 mil usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O uso do termo “experimental” aplicado às vacinas contra a Covid-19 é completamente inadequado e não tem base científica, defendeu o epidemiologista Guilherme Werneck em outra checagem da Lupa. “Seriam experimentais se as vacinas não tivessem sido aprovadas em protocolos de ensaios clínicos que respeitam aquilo que é feito para o uso em populações. Mas elas cumpriram todos os requisitos. Essa é uma ideia que só contribui para diminuir a adesão das pessoas à imunização”, criticou o epidemiologista.

Werneck reforçou que os imunizantes passaram pelas três fases de testes e se provaram seguros e imunogênicos — ou seja, promovem resposta imune contra a Covid-19 —, além de apresentarem a eficácia mínima recomendada pela OMS.

Esse também é o entendimento do infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe da Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em entrevista concedida para outra checagem da Lupa. Apesar da desconfiança gerada em parte da população pelo desenvolvimento da vacina em menos de um ano, o médico listou os fatores que aceleraram o processo. “A tecnologia está muito mais avançada, então você não sai da estaca zero. Além disso, a gente já conhecia dois coronavírus anteriores, para os quais já havia trabalhos sobre potenciais vacinas”, avaliou.

Barbosa também citou o grande investimento em pesquisas e a priorização da avaliação dos imunizantes nas agências reguladoras como fatores importantes para a aceleração do desenvolvimento dos imunizantes contra a Covid-19.

Ainda segundo o infectologista, qualquer suposição sobre efeitos colaterais de longo prazo relacionados às vacinas é “mera especulação”. “É a mesma coisa que dizer que eu não vou entrar em um modelo novo de carro porque nunca foi testado e pode capotar. É um risco meramente especulativo frente a um benefício gigantesco que as vacinas já provaram ter na redução brutal na chance de hospitalização e óbito por Covid-19”, defendeu.

A Lupa entrou em contato por e-mail com Luciana Monteiro, mas não obteve resposta até a publicação dessa checagem.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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