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#Verificamos: É falso que FMI destacou em relatório que inflação está sob controle no Brasil

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.out.2021 | 19h49 |

Circula pelas redes sociais uma imagem apontando que um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou o Brasil como um dos países que conseguiram controlar a inflação em 2021, apesar da crise econômica potencializada pela Covid-19. O documento foi divulgado na última terça-feira (12) no encontro anual do FMI em Washington, nos Estados Unidos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“FMI: Inflação global deve atingir seu pico nos últimos meses de 2021, mas Brasil se destaca em controle”

Imagem publicada no Facebook que, até as 18h de 14 de outubro de 2021, tinha 231 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O relatório do Fundo Monetário Internacional de outubro deste ano não destaca o Brasil como uma das potências emergentes que estão mantendo a inflação sob controle. No texto, o órgão indicou uma alta nas estimativas da inflação de preços para o consumidor até o próximo ano. Na página 120 do documento, a estimativa de inflação mostra um salto nas projeções do Brasil. A instituição espera uma alta de 7,9% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2021 e de 4% em 2022. Em abril, o previsto pelo FMI era de 4,5% neste ano e 3,5% no próximo.

O documento só cita o controle da inflação pelo Brasil em um trecho específico, que não tem nenhuma relação com o momento atual. Trata-se de um box com relatos de episódios em que vários países conseguiram tomar medidas para contornar crises de alta nos preços (página 61). O FMI relembra que o Brasil retomou o controle inflacionário depois de uma aceleração ocorrida em 2001 e 2002. O texto diz que isso foi possível devido a algumas políticas públicas adotadas entre 2003 e 2005, ou seja, durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também são citados casos que ocorreram nos Estados Unidos (1965-1983), Chile (2007-2009) e Índia (2010-2014).

De fato, o documento do FMI apontou que a inflação dos países desenvolvidos e emergentes atingirá o seu pico nos últimos meses deste ano. Há a expectativa de que a situação comece a melhorar em meados de 2022, com preços voltando aos patamares pré-pandêmicos. Entre as causas para a alta dos preços global estão a retomada do consumo após a reabertura da economia, além da alta das commodities, como o aço, e da escassez de insumos.

No caso brasileiro, o FMI reforçou que a experiência comprovou a “necessidade de maior ação de política monetária para contrariar expectativas não ancoradas e estabelecer credibilidade”. Também afirmou que políticas transparentes e de contingenciamento do Estado poderiam complementar as políticas monetárias. O documento apontou ainda que em países como Brasil ainda existe muita instabilidade nos preços.

De acordo com cruzamento de dados do G1, a expectativa do fundo ainda é menor do que a esperada pelos agentes de mercado que respondem semanalmente ao boletim Focus, do Banco Central. Na última segunda-feira (11), o mercado financeiro voltou a elevar as estimativas para a inflação oficial em 2021 e 2022, esperando uma alta de 8,59% para o IPCA ainda deste ano. Já a de 2022 seria de 4,17%.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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