Tem certeza que deseja sair da sua conta?

#Verificamos: É falso que Bolsonaro vai autorizar importação de tecnologia que substitui cirurgia de câncer de mama

Estagiária | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.out.2021 | 17h36 |

Circula pelas redes sociais que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) autorizou a importação de uma tecnologia israelense que torna desnecessária a cirurgia para tratamento do câncer de mama. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Câncer no seio não precisa mais fazer cirurgia. Presidente Bolsonaro vai autorizar a importação dessa tecnologia de Israel. Embora chamado de machista, foi o único presidente que se lembrou em primeiro lugar das mulheres… Vamos divulgar!!”
Legenda de post publicado no Facebook que, até as 18h de 18 de outubro de 2021, tinha 24 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O governo federal não autorizou a importação de uma tecnologia israelense que promete extrair tumores sem a remoção da mama. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou, em nota enviada por e-mail, que o uso da crioablação vem sendo testado no tratamento de lesões de mama, mas ainda não está indicado no tratamento de lesões de mama e que depende de mais estudos científicos para assegurar a eficiência do método.

A legenda com a informação falsa acompanha um vídeo que explica o processo de crioablação. O material foi publicado originalmente em 2019 no perfil no Facebook da página Playground BR e vem sendo compartilhado fora de contexto, relacionado a uma suposta decisão de implementação da técnica pelo governo federal. O vídeo apresenta a técnica criada pela empresa israelense IceCure, especialista na crioablação. 

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) comunicou, em nota, que, para a maioria dos casos, a crioablação não é indicada, sendo necessários procedimentos mais conhecidos, como cirurgias conservadoras, mastectomias com reconstrução, quimioterapia e outros tratamentos. Segundo a SBM, o procedimento é indicado apenas para tumores pequenos (preferencialmente menores que 1cm).

A crioablação é um método já usado para tratar arritmia cardíaca e alguns tipos de câncer —  como o renal. Ainda não é considerado um tratamento padrão para câncer de mama. O método consiste na destruição de células cancerígenas por meio de congelamento, evitando uma cirurgia mais invasiva. 

A crioablação não é novidade no Brasil. De acordo com o Hospital Sírio Libânes, o procedimento está em uso desde 2007. Para Silvio Bromberg, cirurgião oncologista e coordenador de um projeto de crioablação em tumores iniciais de mama, realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a Unifesp, apesar de ser uma alternativa à cirurgia para câncer de mama, a indicação para o tratamento é recente e necessita de mais estudos.

“Essa técnica para mama está sendo realizada em caráter de estudo. Vários protocolos de estudo estão em andamento nos Estados Unidos e no Japão. No nosso projeto, escolhemos pacientes com tumores não agressivos, que tenham em média até 2 centímetros de diâmetro. No procedimento, sob orientação ultrassonográfica, introduzimos uma sonda, uma espécie de agulha que penetra no interior do tumor. A ponta da sonda congela o tecido ao redor, podendo chegar até -140 graus. Isso forma uma espécie de bola de gelo e acompanhamos a dimensão dela, se está crescendo a ponto de cobrir toda a área que era o nódulo”, explica Bromberg sobre o método de crioablação.

Uma versão semelhante desse conteúdo foi verificada por Aos Fatos, Estadão Verifica, E-Farsas e Boatos.org

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo