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#Verificamos: É falso que Ministério da Ciência participou do desenvolvimento de bateria de nióbio

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.out.2021 | 15h40 |

Circula em correntes de WhatsApp um vídeo no qual a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) afirma que a primeira bateria de nióbio do mundo é feita com tecnologia brasileira. Na gravação, a parlamentar apresenta três homens, que, segundo ela, são os criadores da bateria. Na sequência parabeniza o trio pela iniciativa e, ao final, afirma que a criação do equipamento é um trabalho feito em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Oi pessoal, tudo bem? Estou aqui com o Ricardo, o Leonardo e Rogério, criadores da primeira bateria de nióbio. 6 minutos de recarga, pode ter autonomia de 300 km, 15 anos de duração. É a primeira do mundo feita com tecnologia brasileira. Queria parabenizar vocês. Parabéns, trabalho do Ministério da Ciência e Tecnologia com eles.”

Conteúdo de vídeo que circula em correntes de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora esteja em desenvolvimento uma bateria feita a base de nióbio, a tecnologia não é totalmente brasileira. Diferentemente do que afirma a deputada Carla Zambelli no vídeo, a iniciativa não teve e não tem qualquer participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações ou do governo federal. O desenvolvimento desses equipamentos é fruto de uma parceria iniciada em 2018, portanto antes da gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), entre a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), uma empresa privada, e a japonesa Toshiba. Os três executivos que aparecem na filmagem são da CBMM. Na ocasião, eles participavam da 1ª Feira Brasileira do Nióbio, realizada em Campinas no começo de outubro.

Em setembro de 2021, a CBMM fez nova parceria, dessa vez com a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), para que a montadora seja a primeira do mundo a testar as baterias produzidas junto à Toshiba.

A assessoria de imprensa da CBMM informou que não há qualquer envolvimento do ministério ou do governo brasileiro em ambos os projetos — Toshiba e VWCO. Por e-mail, a montadora também confirmou que a parceria não tem nenhum aporte do governo. A Lupa entrou em contato com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações no dia 15 de outubro para saber se houve algum apoio e como foi o trabalho da pasta com essas iniciativas, conforme foi citado pela parlamentar na gravação. A assessoria de imprensa da pasta chegou a informar que estava apurando internamente, mas até a publicação desta checagem, não enviou resposta. 

O acordo entre a brasileira CBMM e a japonesa Toshiba foi assinado em junho de 2018. Na época, foram investidos US$ 7,2 milhões para a construção de uma linha de produção piloto. Nos últimos três anos, profissionais das duas empresas estiveram envolvidos no desenvolvimento de baterias que usam lítio, nióbio e titânio. Segundo informou a CBMM, esse tipo de bateria é mais seguro, durável e pode ser recarregado rapidamente.

Já a parceria entre a VWCO e a CBMM tem o objetivo de desenvolver e aplicar a tecnologia que vem sendo desenvolvida há alguns anos. O acordo entre essas duas empresas brasileiras não teve participação ou mediação do governo. A assessoria de imprensa da montadora ressaltou que nada ainda foi lançado. O acordo de cooperação foi assinado em setembro e os próximos passos serão receber as baterias e instalá-las num protótipo. Os primeiros testes estão previstos para 2022.

O nióbio é um metal com várias aplicações industriais e costuma ser exaltado pelo presidente Bolsonaro. O Brasil é o país que concentra a maior parte do nióbio do planeta. 

Procurada pela Lupa, a deputada Carla Zambelli não respondeu até a publicação desta checagem.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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