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#Verificamos: Vídeo que mostra furto de botijões de gás é antigo e não foi gravado na Argentina

Estagiária | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.nov.2021 | 19h34 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra um grupo de homens derrubando o portão de uma distribuidora de gás de cozinha. Na cena, dezenas de pessoas correm para o interior do depósito e saqueiam vários botijões. A legenda que acompanha a gravação afirma que o registro foi realizado na Argentina. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Desesperados argentinos roubam botijões de gás”

Legenda de post publicado no Facebook que, até as 15h de 3 de novembro de 2021, tinha 247 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. As imagens foram gravadas em Santiago, capital do Chile, no final de 2019. O mesmo vídeo está disponível no YouTube desde 21 de outubro de 2019, quando foi publicado nessa plataforma pela emissora estatal russa RT en Español. A legenda da publicação afirma que o saque foi realizado em Santiago. Outro vídeo, publicado em 20 de outubro de 2019, mostra a mesma cena de outro ângulo e também indica que a gravação ocorreu no Chile.

Por meio de uma busca no Google Maps na cidade de Santiago, usando o número do endereço que aparece nas imagens (2.302) e a palavra “gás”, foi possível encontrar o local onde ocorreu o furto. Trata-se de um centro de distribuição de botijões de propriedade da empresa Gasco, localizado na avenida Eyzaguirre, no bairro Puente Alto, na periferia da capital. 

As placas de identificação dos veículos que aparecem nas cenas também comprovam que o vídeo foi registrado no Chile. Nas imagens, seguem a ordem de duas duplas de letras e dois números, no formato AB CD 12 —  o Chile adotou esse padrão depois que o sistema antigo (duas letras seguidas por quatro números) se esgotou em 2007. Na Argentina, as placas dos carros seguem o padrão do Mercosul desde 2016, com quatro letras e três números, no formato AB 123 CD. 

No final de 2019, uma série de manifestações ocorreu no Chile. Inicialmente os protestos, protagonizados por estudantes, pediam a suspensão do aumento da passagem de metrô no país, mas logo passaram a contestar políticas do governo. No dia 18 de outubro daquele ano, grupos se rebelaram em toda a capital, fechando terminais do metrô. Houve ainda saques a supermercados e outros estabelecimentos comerciais – o furto dos botijões mostrado em vídeo provavelmente foi uma dessas ações. 

Ocorreram episódios violentos como incêndios nas estações de metrô e depredações, o que levou o governo chileno a decretar estado de emergência. Com a continuidade dos atos, foi aplicado também toque de recolher na maior parte do país. Houve ainda repressão aos protestos, o que resultou em mortos e civis feridos, além de várias pessoas detidas.

No dia 19 de outubro, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou a suspensão do aumento da passagem do metrô na capital. Contudo, os protestos continuaram. Em 25 de outubro, ocorreu uma grande manifestação em Santiago, com a participação estimada em mais de 1,2 milhão de pessoas. Houve uma mudança na postura do governo chileno, que prometeu acatar algumas das reivindicações feitas pela população.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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