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#Verificamos: Vídeo atribuído a colaboradores da Gol usa informações falsas sobre vacinas da Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.nov.2021 | 17h34 |

Circula no WhatsApp um vídeo atribuído a colaboradores da companhia aérea Gol, que criticam a decisão da empresa de demitir funcionários que não apresentem comprovante de vacinação contra a Covid-19. As cenas mostram cartazes com frases como “Gol arrancando à força as asas de seus tripulantes. Não somos descartáveis”, “#Nãosomoscobaias” e “Sem liberdade. Sem causa justa”. Os manifestantes criticam as vacinas contra a Covid-19, dizendo que não teriam sido testadas adequadamente, por exemplo. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Apesar da eficácia e segurança das vacinas contra a Covid-19 serem questionáveis, estarem sendo usadas em situação emergencial e sem o tempo adequado de testes, (…)”

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. As vacinas contra a Covid-19 aplicadas no Brasil são comprovadamente eficazes e seguras. Os dados dos estudos clínicos dos imunizantes foram avaliados com altos padrões de exigência e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A alegação de que as vacinas são experimentais já foi desmentida em junho deste ano pela Lupa

Até o momento, quatro vacinas são aplicadas no Brasil: AstraZeneca, Pfizer, CoronaVac e Janssen. As duas primeiras têm registro definitivo concedido pela Anvisa, enquanto as duas últimas possuem autorização temporária de uso emergencial – nesse caso, cumpriram os requisitos mínimos de qualidade, eficácia e segurança, disponíveis em guia publicado pela Anvisa

O caráter excepcional e temporário da autorização foi tomado pela agência reguladora para minimizar os efeitos da pandemia o mais rápido possível. Segundo resolução de 10 de março de 2021, a autorização aplica-se apenas aos medicamentos e vacinas contra a Covid-19 com estudos clínicos de fase 3 concluídos ou com os resultados provisórios de um ou mais estudos clínicos fase 3. Nessa etapa, participam de cinco a dez mil voluntários nos estudos, a fim de obter maiores informações sobre segurança e eficácia do produto.


“(…) a partir do dia 1º de novembro a companhia aérea Gol começará a demitir os funcionários que não apresentaram comprovante de vacinação” 

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

VERDADEIRO

A informação analisada pela Lupa é verdadeira. Segundo a companhia aérea, a exigência começaria a valer a partir do dia 1º de novembro deste ano. No entanto, na data em que a obrigatoriedade começaria a vigorar, o Ministério do Trabalho e Previdência publicou uma portaria que proíbe empresas privadas de demitirem funcionários que não se vacinaram contra a Covid-19.

Antes da nova portaria, o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, informou ao Estadão que haveria um esforço para conscientizar os funcionários que não apresentassem o comprovante, mas que, se mesmo assim a justificativa não fosse apresentada, seriam demitidos. Kakinoff ainda explica que seriam consideradas exceções para casos em que o funcionário não pudesse se vacinar por questões de saúde. Procurada pela Lupa, a companhia aérea não respondeu até a publicação da checagem. 


“As condições de voo aumentam o risco de trombose de veias”

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

VERDADEIRO, MAS

A informação analisada pela Lupa é verdadeira, mas o risco de ocorrer esse problema não aumenta por causa das vacinas contra a Covid-19. Segundo o Ministério da Saúde, viagens de avião são um momento em que a chance de trombose é maior, uma vez que o viajante pode ficar por muito tempo sentado sem mover as pernas, o que prejudica o retorno do sangue venoso para o coração. O mesmo também ocorre em outros tipos de viagens longas em que há pouca mobilidade, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS)


“Vacinas contra a Covid-19 estão causando tromboses (…)”

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

VERDADEIRO, MAS

A informação analisada pela Lupa é verdadeira, mas a Anvisa informa que são raros os casos de trombose em combinação com trombocitopenia. Esse tipo de problema só ocorreu com vacinas contra a Covid-19 com vetor de adenovírus e já está previsto nas bulas dos imunizantes da AstraZeneca e da Janssen, que usam essa tecnologia. 

A Síndrome de Trombose com Trombocitopenia após a vacinação contra a Covid-19 é um evento raro, com incidência de 1 caso a cada 100 mil doses aplicadas, o que corresponde a 0,001% dos imunizados dentro de um período de 30 dias após a vacinação, aponta o Ministério da Saúde em nota técnica.


“[Vacinas contra a Covid-19 estão causando] (…) AVCs (…)”

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

VERDADEIRO, MAS

A informação analisada pela Lupa é verdadeira, mas os primeiros casos relatados de Acidente Vascular Cerebral (AVC) após a vacinação contra a Covid-19 foram causados por trombose em jovens adultos, aponta carta publicada em maio deste ano no British Medical Journal. Os pesquisadores analisaram três episódios desse tipo em jovens adultos que, após receberem a vacina da AstraZeneca, tiveram a Síndrome de Trombose com Trombocitopenia induzida pelo imunizante e apresentaram AVC isquêmico.

Ao comentar sobre os relatos, o professor Hugh Markus, do Departamento de Neurociências Clínicas da Universidade de Cambridge, atentou que é importante lembrar que esses eventos adversos são raros, e muito menos comuns do que o risco de trombose venosa cerebral e AVC isquêmico associado à infecção pela própria Covid-19. 

Em nota enviada por e-mail, a Anvisa explicou que o AVC é um evento que pode ter diferentes origens e somente uma investigação de um caso concreto poderia apontar as possíveis causas, uma vez que pode ser consequência do quadro de saúde da pessoa. 

Como já citado nesta checagem, a Anvisa já publicou um alerta sobre os casos raros de trombose com trombocitopenia associados às vacinas contra a Covid-19 com plataforma de adenovírus. No entanto, diferentemente desse evento adverso, as bulas da Janssen e da AstraZeneca não citam a possibilidade de AVC decorrente da vacinação. 


“[Vacinas contra a Covid-19 estão causando] (…) infarto do miocárdio”. 

Afirmação em vídeo que circula no WhatsApp

INSUSTENTÁVEL

A informação analisada pela Lupa é insustentável. Não houve relatos de casos de infarto registrados na Anvisa até o momento. Em julho deste ano, a agência alertou que os Estados Unidos relataram a ocorrência de casos de miocardite (inflamação do músculo cardíaco) e pericardite (inflamação do tecido que envolve o coração) após a vacinação contra Covid-19 com imunizantes de plataforma de RNA mensageiro, como as vacinas da Pfizer e da Moderna. No Brasil, apenas o imunizante da Pfizer está registrado para uso. 

A bula aprovada para o Brasil da Comirnaty, vacina da Pfizer, aponta que casos muito raros (16 para cada 1 milhão de vacinados, segundo a Anvisa) de miocardite e pericardite foram relatados após a vacinação. “Normalmente, os casos ocorreram com mais frequência em homens mais jovens e após a segunda dose da vacina e em até 14 dias após a vacinação. Geralmente são casos leves e os indivíduos tendem a se recuperar dentro de um curto período de tempo após o tratamento padrão e repouso”, diz a bula. A Anvisa explica que o evento adverso vem sendo acompanhado. O infarto do miocárdio, no entanto, não está previsto em bula, que apresenta todos os possíveis efeitos já constatados do imunizante. 

A Anvisa alerta que a miocardite e a pericardite são mais comuns em pessoas infectadas pela Covid-19, e destaca que “entre as 276 milhões de doses de vacinas já aplicadas até o momento no Brasil, os dados de reação adversa e outros estudos não alteram o perfil de segurança conhecido para as vacinas em uso no país”. 

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes e Bruno Nomura

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VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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