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#Verificamos: Chineses não soltaram milhares de pássaros ‘criados em laboratório’ no mar para disseminar vírus

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.nov.2021 | 18h26 |

Circula pelo WhatsApp um vídeo que mostra um grande número de pássaros sendo soltos de contêineres no mar. De acordo com a legenda das imagens, seriam animais supostamente criados em laboratório na China, sugerindo que a ação poderia estar relacionada à disseminação de um novo vírus. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“China solta milhares de pássaros criados em laboratório. Vem mais Merda por ai. Por que estão soltando no mar?!”
Legenda de vídeo que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Na verdade, as imagens mostram uma corrida de pombos em Taiwan, nação insular ligada à China, em 2017 — ou seja, trata-se de uma gravação antiga, feita muito antes do início dos primeiros casos de Covid-19, registrados nos últimos meses de 2019.

Realizando uma busca reversa da gravação que circula pelo WhatsApp, é possível localizar um vídeo publicado no YouTube em 31 de outubro de 2017. Seu título, escrito em mandarim, fala do lançamento de pombos na frota Beihai Jinping. Dois dias depois, uma ONG de defesa animal de Taiwan também publicou as imagens, atribuindo-as à mesma frota.

As corridas de pombo ganharam popularidade na China nos últimos anos. As aves alimentam um mercado milionário que envolve redes de apostas e leilões de pássaros campeões. No ano passado, um pombo de corrida foi comprado por US$ 1,9 milhão (o equivalente a R$ 10,5 milhões) durante um leilão na Bélgica.

Apesar da popularidade, a prática é criticada por ativistas dos direitos dos animais. De acordo com a organização norte-americana Peta, mais de 1 milhão de pombos-correio morrem todos os anos durante a temporada de corridas em Taiwan. “Pássaros jovens — que sequer completaram um ano de idade — são enviados ao mar, soltos no meio do oceano e forçados a voar de volta para casa. Geralmente menos de 1% desses pássaros altamente inteligentes completam as séries de corrida — muitos se afogam de exaustão, morrem nas tempestades ou são mortos por serem muito lentos”, explica a ONG.

Uma versão antiga da história, que circulou em 2017, afirmava que a ONG de proteção ambiental Greenpeace estava libertando os pássaros que seriam supostamente vendidos ilegalmente na Europa. À época, a organização declarou ao site Franceinfo que desconhecia as imagens.

Essa informação também foi verificada por Boatos.org.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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