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‘Os checadores de fatos não vão desistir’, afirma diretora da Lupa em premiação internacional

| Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.nov.2021 | 09h07 |

A diretora-executiva da Lupa, Natália Leal, recebeu na noite desta terça-feira (9) o Prêmio Knight Internacional de Jornalismo de 2021. A honraria é entregue pelo Centro Internacional Para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) em reconhecimento ao trabalho de jornalistas que se destacam por seu impacto na vida de pessoas em seus países ou regiões. Leal foi reconhecida por seu trabalho à frente da equipe de jornalismo da Lupa no combate à desinformação a partir do fact-checking e da educação midiática.

Em seu discurso de premiação, a diretora-executiva sublinhou as dificuldades de se trabalhar com checagem de fatos. “Todos os dias alguém questiona nossos métodos, nossa ética e nossa imparcialidade. Vemos abusos contra a imprensa por parte de governos e do movimento de extrema direita. Eles alegam defender a liberdade de expressão e os direitos individuais, mas na maioria das vezes estão lutando contra nossos direitos fundamentais e ameaçando um dos bens mais valiosos da humanidade: a democracia”, afirmou. Ela compartilhou o reconhecimento com todos os checadores do Brasil, além de destacar o trabalho das mulheres jornalistas, que diariamente precisam trabalhar contra a misoginia e o machismo.

Leal é a terceira brasileira a ganhar o prêmio, que existe desde 1998 e já foi recebido pela repórter, escritora e documentarista Daniela Arbex, em 2010, e por Marcelo Beraba, um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, em 2005. Neste ano, a diretora-executiva da Lupa divide o Prêmio Knight Internacional de Jornalismo com Pavla Holcová, jornalista investigativa da República Tcheca que conduziu uma investigação após o assassinato de um colega jornalista.

Outros dois jornalistas foram destacados durante o evento. Bill Whitaker recebeu o ICFJ Founders Award por sua carreira de quatro décadas na CBS News, e Anne Applebaum, da The Atlantic, ganhou o prêmio Excellence in International Reporting por suas análises incisivas sobre a deterioração da democracia na Europa Oriental e na ex-União Soviética. Wolf Blitzer, da CNN, foi o apresentador. Os prêmios são patrocinados pela John S. e James L. Knight Foundation. Maria Ressa, jornalista filipina vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, ao lado do jornalista russo Dmitry Muratov, participou da premiação. A cerimônia pode ser assistida na íntegra no canal do ICFJ no YouTube.

Confira na íntegra o discurso de Natália Leal:

Receber este prêmio é um dos grandes momentos da minha carreira de jornalista. Gostaria de agradecer ao Centro Internacional para Jornalistas [ICFJ] por considerar meu trabalho fundamental nestes tempos estranhos.

Ser uma checadora de fatos não é fácil. Todos os dias, alguém questiona nossos métodos, nossa ética e nossa imparcialidade. Vemos abusos contra a imprensa por parte de governos e do movimento de extrema direita. Eles alegam defender a liberdade de expressão e os direitos individuais, mas na maioria das vezes estão lutando contra nossos direitos fundamentais e ameaçando um dos bens mais valiosos da humanidade: a democracia.

No Brasil, jornalistas e checadores de fatos sofrem assédio virtual todos os dias ― do governo, do presidente e de seus apoiadores. Quero dizer para meus colegas checadores brasileiros que esta honraria é um reconhecimento ao trabalho árduo feito por eles.

Nunca pensei em ganhar um prêmio como este. Minhas habilidades de jornalismo sempre foram destinadas a apoiar equipes e dar aos meus colegas tudo que precisam para fazer seu melhor trabalho.Vejo este prêmio como um reconhecimento a todo o trabalho que os jornalistas fazem nos bastidores. É também um reconhecimento ao trabalho realizado pela minha grande equipe na Lupa no Brasil. É uma honra lutar com vocês contra a disseminação da desinformação.

Há muitas pessoas a agradecer nominalmente, mas preciso destacar minha mãe, minhas amigas e outras líderes mulheres que me incentivaram a perseguir meus sonhos. Cada jornalista mulher em uma redação sabe como é difícil lutar contra o machismo e a misoginia. Eu sou quem eu sou porque elas estiveram lá antes de mim.

As pessoas me perguntam por que checar fatos se isso pode ser tão difícil e desagradável. Minha resposta é simples: precisamos lutar contra a desinformação. Este prêmio aumenta nosso comprometimento, meu comprometimento. Os checadores de fatos não vão desistir, não importa o que aconteça.

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