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#Verificamos: É falso que CEO da Pfizer foi preso pelo FBI por fraude em dados da vacina

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.nov.2021 | 16h46 |

Circula no WhatsApp que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, foi preso pelo FBI no dia 5 de novembro. A razão seriam fraudes na divulgação de dados sobre a vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica. Segundo a peça de desinformação, que tem origem no site canadense Conservative Beaver, a Pfizer teria mentido sobre a eficácia e os efeitos colaterais do imunizante. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O CEO [da Pfizer] foi preso em sua casa no subúrbio afluente de Scarsdale, Nova York, na manhã de sexta-feira [05/11] pelo FBI e acusado de várias acusações de fraude. Bourla está detido enquanto aguarda a audiência de fiança. (…) De acordo com um agente do FBI que falou com o Castor Conservador, a Pfizer mentiu sobre a eficácia das vacinas e enganou os clientes sobre os graves efeitos colaterais que as vacinas podem produzir”.

Trecho de publicação no site Jornal Tribuna Nacional que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há registros na imprensa que comprovem que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, tenha sido detido por fraude. No mesmo dia em que a suposta prisão teria ocorrido, 5 de novembro, o executivo concedeu entrevistas como para os canais CNBC e CNN  —  sobre a divulgação de dados do estudo de uma pílula antiviral experimental contra a Covid-19, que está sendo desenvolvida pela farmacêutica. Em nota por e-mail, a Pfizer negou a prisão de Bourla por fraude. 

Na sua página oficial no Twitter, o CEO comemorou a notícia na mesma data pela manhã, o que mostra que não foi detido pelo Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI). O nome de Bourla não consta na lista de pessoas presas do Federal Bureau of Prisons, agência responsável pela custódia e controle de pessoas detidas nos Estados Unidos. A assessoria de imprensa do FBI também não produziu nenhuma notícia sobre uma suposta prisão por fraude do executivo. 

Não foram encontradas também menções às supostas acusações de fraude nas informações sobre a eficácia e os efeitos colaterais da vacina contra a Covid-19 da Pfizer. Na publicação analisada, o autor cita uma matéria, publicada no dia 2 de novembro na revista médica The British Medical Journal. O texto apresenta denúncias de irregularidades nos testes clínicos da vacina contra a Covid-19 por parte da empresa de pesquisa Ventavia, que foi contratada pela Pfizer para conduzir ensaios do imunizante no Texas, nos Estados Unidos. O caso, porém, não se refere a acusações feitas diretamente à Pfizer, mas ao grupo de pesquisa que foi contratado pela farmacêutica. 

O alerta teria sido dado por Brook Jackson, então diretora regional do grupo de pesquisa Ventavia, e reforçado por outros dois ex-funcionários anônimos. Entre os problemas descritos pela denunciante estão a falsificação de dados, o comprometimento do caráter duplo-cego, a contratação de vacinadores treinados de forma inadequada, má gestão dos laboratórios, além da lentidão para acompanhar os eventos adversos relatados no estudo principal de fase 3 da Pfizer. 

Jackson conta que notificou diversas vezes a empresa sobre os problemas. Porém, como nada foi feito a respeito, enviou uma reclamação por e-mail à Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana de regulação de alimentos e medicamentos, antes de ser demitida no mesmo dia. Ventavia, Pfizer e FDA não foram procuradas pelo repórter Paul D. Thacker, autor do texto, para dar declarações sobre as denúncias. A reportagem alega que Jackson disponibilizou dezenas de fotos, gravações de áudio e e-mails que comprovariam suas alegações. Os documentos, no entanto, não são apresentados na matéria.

Procurada pela Lupa, a Ventavia informou, por e-mail, que Thacker não contatou a empresa antes da publicação. A assessoria de imprensa também explicou que a ex-funcionária que fez a denúncia colaborou para a Ventavia por aproximadamente duas semanas em setembro de 2020, e que os testes clínicos não faziam parte das responsabilidades do seu trabalho. Além disso, segundo a empresa, as mesmas acusações foram feitas há um ano e investigadas, mas foram consideradas infundadas. A Ventavia ainda ressaltou, em nota, que leva muito a sério a conformidade das pesquisas, a integridade dos dados e a segurança dos participantes. Por e-mail, a Pfizer disse que não vai comentar as acusações de irregularidades. 

Ainda em 2020, o imunizante da Pfizer contra a Covid-19 foi a primeira a ser aprovada para utilização pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que “avaliou exaustivamente a qualidade, segurança e eficácia da vacina”. De acordo com a organização, relatórios de eventos adversos suspeitos são avaliados por um grupo de peritos, o Comitê Consultivo Mundial para a Segurança das Vacinas, que apresenta orientações independentes e fundamentadas à OMS. 

Em fevereiro deste ano, o imunizante foi registrado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após a constatação de que cumpria “altos padrões de exigência de qualidade, segurança e eficácia”. A eficácia da vacina foi divulgada pela farmacêutica após passar pelos estudos de fase 3, e é de 95% a partir de 7 dias da segunda dose do esquema vacinal. Já os efeitos colaterais que podem acontecer após a imunização estão presentes na bula

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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