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#Verificamos: Morte de crianças africanas em escola não está relacionada à vacinação contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.nov.2021 | 16h00 |

Circula pelas redes sociais um vídeo com imagens de crianças enfileiradas em macas no chão enquanto pessoas ao redor se desesperam. De acordo com a legenda, seriam vítimas da vacina contra a Covid-19 em uma escola da África do Sul. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“13 crianças foram vítimas das vacinas Covid-19 em uma escola na África do Sul e sem cobertura da mídia, apenas postagens no Instagram, mas que continuam apagadas, deletadas e censuradas pela BigTech”
Texto em vídeo que, até 13h do dia 12 de novembro de 2021, havia sido visualizado por 137 usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Na verdade, a gravação mostra crianças que morreram pisoteadas durante um tumulto registrado em uma escola primária na cidade de Kakamega, região oeste do Quênia, no continente africano. O incidente ocorreu em fevereiro de 2020, muito antes do início da vacinação contra a Covid-19 no país, em março de 2021.

O vídeo de 20 segundos mostra 12 crianças enfileiradas sobre macas no chão e, ao redor delas, pessoas em prantos. São imagens fortes. A maioria delas está vestida com o que parece ser um uniforme verde.

As imagens circulam nas redes sociais desde os primeiros meses de 2020, portanto não seria possível que estivessem relacionadas à vacinação contra a Covid-19. O primeiro imunizante da doença aprovado no mundo, o da Pfizer, só passou a ser aplicado em dezembro daquele ano no Reino Unido.

Na verdade, o vídeo está relacionado ao incidente registrado na cidade de Kakamega, no Quênia, em 3 de fevereiro de 2020. Na ocasião, 14 crianças morreram pisoteadas em uma escola primária no meio de uma confusão no encerramento das aulas daquele dia. Investigações policiais indicaram que o tumulto não teve causa aparente e que a debandada que levou às mortes dos estudantes foi uma fatalidade.

Uma foto publicada pelo site do jornal britânico Daily Mail creditada à agência Reuters mostra os corpos das crianças enfileirados a partir de um ângulo semelhante ao do vídeo analisado. O texto reportava o incidente ocorrido em Kakamega.

Além disso, o uniforme verde usado pelas crianças é semelhante ao que estudantes da escola de Kakamega aparecem usando em reportagens sobre o pisoteamento veiculadas em TVs locais.

No Quênia, até o momento, apenas 3,7% da população está completamente vacinada, segundo dados do Our World in Data, da Universidade de Oxford. A imunização contra a Covid-19 no país está restrita a maiores de 18 anos, informa um documento oficial do governo.

Essa informação também foi verificada por AFP Checamos. Uma outra versão da história, de que as crianças do vídeo haviam sido envenenadas ao comerem biscoitos em uma festa de aniversário na escola, foi desmentida pelo The Observers, da França.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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