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#Verificamos: É falso que Gleisi quer proibir WhatsApp até o 2º turno das eleições

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.nov.2021 | 15h31 |

Circula nas redes sociais um vídeo em que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) sugere um pedido de suspensão do WhatsApp até o final das eleições. Na parte escrita da gravação, lê-se que Gleisi quer supostamente proibir a rede social até o segundo turno, sugerindo que se refere às próximas eleições de 2022. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:


“Só faltava essa. Gleisi quer proibir WhatsApp até o segundo turno das eleições”

Texto em vídeo que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo que circula nas redes sociais é antigo e foi tirado do seu contexto original. A gravação não menciona a data da fala, sugerindo que é atual. Porém, trata-se de um vídeo do dia 18 de outubro de 2018 e que passou a ser compartilhado durante a campanha eleitoral do segundo turno de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) para a Presidência e Vice-Presidência. Isso pode ser visto nos cartazes ao fundo, assim como em outro vídeo do mesmo momento. 

Na Plenária da Frente Suprapartidária pela Democracia, Gleisi fez declarações sobre a revelação, feita pela Folha de S.Paulo, de um esquema de disparos de mensagens em massa no WhatsApp contra o Partido dos Trabalhadores. No entanto, esse contexto não aparece no vídeo que circula nas redes sociais. No trecho da gravação compartilhado atualmente, Gleisi apenas diz: “Acho que a primeira coisa que a gente tinha que pedir é a suspensão do WhatsApp até finalizar a eleição”. A frase, na verdade, é uma referência ao esquema ilegal de pacotes de disparos em massa comprados por empresas que apoiavam o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro (sem partido).

A parte em que Gleisi menciona o esquema ilegal foi retirada do vídeo analisado, o que faz com que a fala fique descontextualizada. A Lupa encontrou uma gravação em que o trecho não foi cortado, no qual Gleisi diz (a partir do minuto 3): “Por isso, a gente vendo hoje a denúncia que trouxe a Folha de S.Paulo sobre como se reverteram os votos, ou criou-se uma onda conservadora ou bolsonarista neste país, a gente entende por que chegamos até aqui”. Mais para frente, a parlamentar complementa (a partir de 5 minutos e 48 segundos): “Como eles queriam ganhar no primeiro turno, fizeram o que fizeram no submundo do WhatsApp”. A deputada, portanto, não está pedindo a suspensão da rede social atualmente, mas sugeriu que isso fosse feito naquele momento, tendo em vista as denúncias de irregularidades eleitorais.

Há outros vídeos disponíveis que mostram que a gravação da fala de Gleisi não foi feita recentemente. Um deles está em uma publicação da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), feita no dia 23 de outubro de 2018. O texto que acompanha a gravação é inclusive o mesmo do vídeo verificado que está fora de contexto. 

Em nota por WhatsApp, a assessoria de imprensa de Gleisi informou que o vídeo realmente está fora de contexto. “Na ocasião, Gleisi abordava a denúncia feita pelo jornal Folha de S.Paulo sobre o disparo em massa de mensagens falsas contra o PT e pago ilegalmente com dinheiro de empresários apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro. Foi feito questionamento se seria o caso de suspender até o fim das eleições do segundo turno o envio daquelas mensagens, que influenciaram massivamente no voto dos eleitores com informações falsas”, diz a nota.

Esse conteúdo também foi verificado pela UOL Confere

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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