Tem certeza que deseja sair da sua conta?

#Verificamos: É falso que vacinas de RNA mensageiro causam infertilidade e tumores cancerígenos

Estagiária | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.nov.2021 | 16h50 |

Circula pelas redes sociais uma publicação que usa o print de um site com um título que afirma que apenas pessoas de “sangue puro” (que não se vacinaram) serão capazes de se reproduzir e que “o futuro da humanidade pertence àqueles que rejeitam as vacinas de mRNA”. Além disso, o texto declara que as vacinas de mRNA causam mutação genética, o que resultaria em um crescimento acelerado de tumores cancerígenos. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

 

“Apenas sangue puro será capaz de se reproduzir, então o futuro da humanidade pertence àqueles que rejeitam as vacinas de mRNA”

Imagem publicada no Instagram que, até 12h do dia 24 de novembro de 2021, tinha 339 curtidas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há evidências científicas de que as vacinas que utilizam a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) causam infertilidade. Em nota enviada por e-mail, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não há dados, estudos ou evidências no monitoramento de eventos adversos que indiquem o desenvolvimento de infertilidade em decorrência das vacinas contra Covid-19.

No caso da fórmula das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que usam a tecnologia de RNA mensageiro, é injetado no organismo o código genético do vírus com “instruções” para que as células do corpo produzam a proteína Spike (também conhecida como proteína S) — ela é identificada pelo sistema imunológico como algo estranho e o organismo “aprende”, então, a se defender quando entra em contato com o vírus.

O infectologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri explica que as vacinas de RNA mensageiro têm na sua tecnologia o código genético para produção da proteína S do SARS-CoV-2, mas essa molécula não invade o núcleo celular. Dessa forma, não existe a possibilidade de afetar a reprodução humana. “Ele fica numa região da célula chamada citoplasma onde são produzidas as proteínas. Então não tem a menor plausibilidade biológica de alterar o genoma de ninguém, quanto mais reprodução”, diz Kfouri.

A Sociedade Brasileira de Imunizações informa que, por ser muito instável, o mRNA é recoberto por uma capa de lipídios (tipo de gordura) que o protege da degradação. Contudo, a molécula não contém outra informação e não é capaz de realizar outra tarefa além de produzir a proteína Spike. “E não penetra no núcleo de nossas células. Então, não consegue causar a Covid-19 ou qualquer alteração em nosso genoma”, afirma a instituição, em seu site

De acordo com o professor Aguinaldo R. Pinto, chefe do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia e do Laboratório de Imunologia Aplicada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as vacinas são absorvidas somente pelas células presentes no local da inoculação. Geralmente a inoculação é via intramuscular, e o processo acontece somente nas células daquela região.

O professor explica que, por esse motivo, não existe qualquer tipo de interação entre a vacina com as células dos órgãos reprodutores, que estão bem distantes do sítio de inoculação.


“Aqueles que tomaram as injeções de proteína de pico já estão experimentando um crescimento acelerado de tumores cancerígenos – “Estamos prestes a ver uma explosão de câncer em todo o mundo devido a vacinas. Isso realmente vai acelerar em 2022″”

Trecho de imagem publicada no Instagram

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Como explicado acima, as vacinas, incluindo as de RNA mensageiro, não penetram no núcleo das células, onde está guardado o DNA. A nota enviada pela Anvisa reitera que “não há evidência nos estudos pré-clínicos (feitos com animais) e clínicos (feitos com pessoas) de que a vacina seja capaz de induzir mutações genéticas ou desenvolvimento de câncer”.

“Uma vez que as vacinas são feitas de RNA, isso implica que quando o RNA entra na célula, ele ficará somente no citoplasma e não será transportado para o núcleo. É no núcleo da célula que fica o DNA e para ocorrer mutação é preciso mexer com o DNA”, informa o professor da UFSC Aguinaldo R. Pinto. “Portanto, não se espera que ocorra o citado, pois o RNA vacinal e o DNA celular estarão em compartimentos diferentes dentro da célula.”

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) atestou que as vacinas são seguras, gerando anticorpos para proteção da Covid-19. O professor Aguinaldo R. Pinto afirma ainda que os dados experimentais não indicam a possibilidade de casos de câncer por causa das vacinas. Para o infectologista Renato Kfouri, da SBIm, as vacinas continuam demonstrando “um enorme perfil de segurança e pouca reatogenicidade (reação adversa) perto do benefício que elas trazem”.

A Anvisa ressalta ainda que, entre as 305 milhões de doses de vacinas já aplicadas no Brasil, os dados de reação adversa e outros estudos não alteram o perfil de segurança já conhecido para as vacinas em uso no país.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo