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#Verificamos: É falso que vacinados contra a Covid-19 são perigosos e devem ser isolados

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.nov.2021 | 14h38 |

Circula no WhatsApp um vídeo que diz que o site America’s Frontline Doctors noticiou, em 16 de novembro, que vacinados podem infectar não vacinados com a Covid-19. De acordo com o texto, Christian Perronne, ex-vice-presidente do Grupo Consultivo Europeu de Especialistas em Imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS), alerta que os vacinados devem ser colocados em quarentena e isolados dos não vacinados durante os meses de inverno na Europa. O “perigo” dos vacinados para a sociedade teria sido comprovado em Israel, onde os casos graves de Covid-19 estariam ocorrendo entre os vacinados. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Vacinados devem ser colocados em quarentena e isolados da sociedade (…).As pessoas não vacinadas não são perigosas. As pessoas vacinadas são perigosas para as outras (…). Isso foi provado em Israel, eles estão tendo grandes problemas, diversos casos em hospitais entre pessoas vacinadas”
Citação do médico Christian Perronne, retirada de publicação no site America’s Frontline Doctors, que circula em vídeo no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A OMS não alega que as pessoas vacinadas sejam perigosas aos não vacinados. Mesmo que os imunizados possam contrair a doença, os estudos disponíveis mostram, na verdade, que a vacinação reduz as consequências graves, bem como o risco de infecção e transmissão da Covid-19. Portanto, as alegações de Christian Perronne, ditas em entrevista ao UK Column no dia 13 de agosto deste ano, são contestadas pelas evidências científicas disponíveis até o momento. 

Investigação publicada no jornal científico Jama, em 11 de outubro deste ano, mostrou que o aumento de familiares vacinados reduziu o risco de transmissão do vírus a membros não vacinados. Aqueles que não foram imunizados tiveram um risco de 45% a 97% menor de contrair a Covid-19 conforme a quantidade de familiares imunizados aumentava. Dentro das famílias, a vacinação é uma importante estratégia para diminuir a transmissão do vírus, aponta o estudo. Outra pesquisa, que foi publicada em carta no jornal científico The New England Journal of Medicine, também mostra que a transmissão entre membros de uma mesma casa é reduzida por meio da vacinação. 

A OMS alerta que é um mito dizer que as vacinas levam as pessoas a contraírem a Covid-19. Os imunizantes produzem uma proteção contra a doença, resultado do desenvolvimento da resposta imune ao vírus. Isso quer dizer que essa imunidade, adquirida pela vacinação, reduz o risco de desenvolver a doença e suas consequências. “(…) se você estiver protegido contra infecções e doenças, é menos provável que infecte outras pessoas. Isso é particularmente importante para proteger as pessoas com maior risco de doenças graves causadas pela Covid-19, como profissionais de saúde, adultos mais velhos ou idosos e pessoas com outras condições médicas”, explica a OMS em seu site.

A afirmação de que a maioria dos casos graves em hospitais de Israel são de não vacinados também não é verdadeira – pelo contrário. De acordo com matéria do jornal israelense Haaretz, publicada no dia 1º de outubro deste ano, os adultos não vacinados respondiam pela maioria dos casos severos de Covid-19, representando mais de seis a cada dez novos casos naquele período. “De acordo com dados do Ministério da Saúde, 63% dos 57 novos casos graves na terça-feira [27/09] não foram vacinados, enquanto 12% receberam duas vacinas e 9% receberam reforço”, afirma a reportagem. Além disso, no dia 19 de novembro deste ano, de acordo com matéria do Times of Israel, as autoridades de saúde do país disseram que pessoas não vacinadas são a maioria dos novos casos de Covid-19. 

Christian Perronne já é conhecido por declarações falsas e enganosas que envolvem a Covid-19. O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos na França prestou uma queixa contra o médico infectologista em dezembro de 2020. De acordo com o jornal Le Monde, a Assistance publique-Hôpitaux de Paris, consórcio de hospitais universitários de Paris e arredores, já havia anunciado que o médico tinha sido demitido do seu cargo de chefe do departamento de doenças infecciosas e tropicais do hospital Raymond-Poincaré em Garches, no dia 17 de dezembro de 2020. A decisão foi tomada após Perronne ter afirmado que os doentes da Covid-19 representavam um benefício financeiro para os médicos, além de ter feito comentários favoráveis sobre o uso da hidroxicloroquina.

Esse conteúdo também foi verificado por AFP Factuel.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

 

Editado por: Maurício Moraes

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