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#Verificamos: É falso que o Japão substituiu vacinas contra a Covid-19 por ivermectina e casos da doença acabaram

Estagiária | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.nov.2021 | 14h40 |

Circula pelas redes sociais uma imagem que afirma que o Japão encerrou a vacinação da população contra a Covid-19 e está usando a ivermectina como método de combate à doença. Por esse motivo, a Covid-19 supostamente cessou em menos de um mês no país. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“O JAPÃO SAE DA CAMPANHA DE VACINAÇÃO E MUDA PARA IVERMECTINA. COVID DESAPARECE EM MENOS DE UM MÊS”

Imagem publicada no Facebook que, até às 13h do dia 25 de novembro de 2021, tinha 56 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O Japão não parou de vacinar a população, tampouco autorizou o uso da ivermectina para tratamento de Covid-19. No dia 17 de fevereiro de 2021, o país iniciou a campanha de vacinação contra a Covid-19. O governo pretendia garantir vacinas suficientes para toda a sua população até meados deste ano, quando ocorreram os Jogos Olímpicos de Tóquio. Embora o objetivo não tenha sido alcançado, até o momento a campanha vacinal não foi interrompida no país

Segundo dados oficiais, no dia 23 de novembro, 99,6 milhões de pessoas haviam tomado pelo menos a primeira dose, sendo que 96,7 milhões completaram o esquema vacinal com a segunda dose no Japão. O país hoje conta com mais de 76% da população já completamente vacinada, de acordo com dados do projeto Our World in Data, da Universidade de Oxford.

Os casos de contágio pela Covid-19 registrados na plataforma do Ministério da Saúde, do Trabalho e do Bem-Estar Social do Japão (MHLW, na sigla em inglês) não cessaram, como diz o post que circula pelas redes sociais. No dia 24 de novembro, por exemplo, o país catalogou mais de 1,7 milhões de casos acumulados e 73 casos recentes confirmados.

A duas semanas da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 23 de julho, o governo japonês voltou a declarar estado de emergência pelo aumento de casos da doença, medida prorrogada até 31 de agosto de 2021. O Japão viveu a quinta onda de casos de coronavírus, a pior até o momento por causa da variante delta, até o mês de setembro. O pico de registros da doença ocorreu em agosto, quando atingiu mais de 25.000 novas infecções diárias

Em 28 de setembro de 2021, o país anunciou o fim do estado de emergência. No dia 8 de novembro, o Japão registrou zero mortes diárias por Covid-19 pela primeira vez após mais de um ano. Especialistas dizem que a alta taxa de vacinação, junto com o uso generalizado de máscaras, provavelmente está por trás do sucesso do país em reduzir as taxas de Covid-19 – ou seja, não há nenhuma relação com a ivermectina.

A entidade reguladora de medicamentos do Japão, a Agência Japonesa de Produtos Farmacêuticos e Dispositivos Médicos (PMDA, na sigla em inglês), lista em seu site as vacinas e medicamentos autorizados para tratamento da Covid-19. Essa relação inclui as vacinas desenvolvidas por Moderna, Pfizer/BioNTech e Oxford/AstraZeneca, junto com alguns medicamentos, como o remdesivir. Contudo, a ivermectina não está listada como um tratamento aprovado para combate ao vírus pelo governo japonês.

Em outubro, outra checagem da Lupa demonstrou que não há comprovação científica de que o uso da ivermectina traga qualquer benefício contra a Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não aconselha o uso desse remédio para tratar a doença. A recomendação da instituição é de que o uso da substância esteja restrito a ensaios clínicos, diante dos resultados inconclusivos no combate ao coronavírus.

Diferentemente do que declara a peça de desinformação, o governo japonês planeja continuar com o fornecimento de vacinas contra a Covid-19, incluindo a dose de reforço, já em dezembro. O processo de vacinação começará pelos profissionais da saúde no final do ano, seguidos pelos idosos em janeiro, segundo informações da NHK World Japan

Essa informação também foi checada por AFP Checamos e FactCheck-org

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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