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Foto: Abdias Pinheiro/TSE
Foto: Abdias Pinheiro/TSE

Especialistas encontram cinco vulnerabilidades em teste de segurança das urnas; Barroso diz que falhas não afetam resultado

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.nov.2021 | 18h50 |

Investigadores independentes encontraram cinco vulnerabilidades no sistema eletrônico de votação brasileiro, informou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso. O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (29) que apresentou resultados preliminares da sexta edição do Teste Público de Segurança (TPS), realizado na semana passada em Brasília. Apesar dos pontos de melhoria indicados pelos especialistas, Barroso ressaltou que nenhum dos planos de ataque executados ofereceu risco de alterar o resultado das eleições.

Entre os dias 22 e 27 de novembro, 26 investigadores independentes de todas as regiões do país fizeram tentativas de ataque à urna eletrônica e ao sistema de votação brasileiro em busca de falhas ou vulnerabilidades. Foi a edição do TPS com o maior número de participantes. Ao todo, 29 planos de testes foram executados ao longo dos seis dias de evento.

Um dos ataques bem-sucedidos é o de um grupo de professores e estudantes da Faculdade Meridional (Imed) de Passo Fundo (RS) que, por meio de uma impressora 3D, produziu uma réplica de plástico da parte dianteira da urna capaz de captar a digitação dos eleitores. O mecanismo é semelhante ao do “chupa-cabra”, golpe que rouba dados bancários de usuários em caixas eletrônicos. Em posse da ordem em que os eleitores compareceram à seção, seria possível vincular o eleitor ao voto, violando seu sigilo, como explicou à Lupa Adroaldo Leão Souto, um dos integrantes da equipe, em reportagem publicada na terça-feira (23).

Barroso também citou um ataque que permitiu a entrada dos investigadores nos sistemas do TSE, já na etapa de transmissão dos votos. Apesar de a urna eletrônica brasileira não ser conectada à internet, seus resultados são impressos e posteriormente transmitidos por meio da rede à Justiça Eleitoral, que faz sua totalização e divulgação. No entanto, de acordo com o presidente da corte, não foi possível fazer qualquer alteração nos sistemas. Os especialistas responsáveis pelo teste são peritos da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Os outros três planos de ataque encontraram vulnerabilidades no sistema utilizado para transmissão dos resultados das seções eleitorais, no algoritmo de embaralhamento do Boletim de Urna e na votação por fone de ouvido de deficientes visuais. Um relatório final com o detalhamento das observações dos investigadores, produzido por uma comissão independente, será divulgado no dia 15.

O presidente do TSE ressaltou que, apesar dos pontos observados, nenhum dos ataques colocou em risco a integridade do resultado das eleições. “Nenhum deles, devo dizer com alívio, verdadeiramente grave”, garantiu Barroso. Os investigadores que detectaram as vulnerabilidades retornam ao tribunal em maio, antes da lacração do sistema para as eleições de 2022, para verificar se as vulnerabilidades foram resolvidas.

‘Nada a esconder’

“Não temos nada a esconder. Pelo contrário, tudo aqui é feito à luz do dia, com o máximo de transparência, todos os mecanismos de auditoria possíveis”, disse Barroso durante a coletiva. A declaração, que se soma a outras semelhantes dadas durante a cerimônia de abertura do evento, vem na esteira de uma série de ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às urnas eletrônicas. O chefe do Executivo chegou a chamar as eleições brasileiras de “farsa” e disse que não poderia tolerar “um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança”. Entretanto, ele próprio já admitiu que não tem provas das supostas fraudes que alega terem ocorrido em pleitos anteriores.

Durante a abertura, Barroso, em um tom de prestação de contas, enfatizou diversas vezes que o TPS é parte de um esforço para buscar o aperfeiçoamento do sistema eletrônico de votação. Uma reportagem da Lupa publicada na sexta-feira (26) mostrou que participantes do TPS acreditam que o sistema de votação brasileiro é suficientemente seguro, mas cobram melhores condições para fazerem análises durante o evento e uma postura mais aberta a críticas por parte do TSE. 

Editado por: Chico Marés

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