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Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Crédito: Reprodução
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha. Crédito: Reprodução

Na Rádio Gaúcha, Lula exagera dados sobre desemprego e salário mínimo durante governos petistas

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.nov.2021 | 17h42 |

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, nesta terça-feira (30). Lula fez comparações do seu mandato e do de Dilma Rousseff (PT) com a administração de Jair Bolsonaro (PL). Entre os tópicos abordados, o ex-presidente criticou o atual governo em relação ao desemprego, salário mínimo, insegurança alimentar e inflação.

A Lupa checou algumas das declarações do petista. A assessoria de imprensa de Lula foi procurada, mas optou por não comentar as avaliações. Confira o resultado:

“Naquele famoso encontro de Copenhague, quando nós ganhamos as Olimpíadas, o Brasil era a sexta economia do mundo”.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

FALSO

Em outubro de 2009, o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolheu o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, em cerimônia realizada em Copenhague na qual Lula estava presente. Naquele ano, o país era a oitava maior economia do mundo considerando o Produto Interno Bruno (PIB), em ranking do jornal econômico espanhol Expansion. O posto de sexta maior economia do mundo só foi alcançado pelo Brasil em 2011, segundo a consultoria britânica Centro de Pesquisa Econômica e Negócios. Em dezembro de 2012, o Reino Unido voltou a ultrapassar o Brasil.


“Por que que nós deixamos o país quase com pleno emprego em 2014, era 4,7% de desemprego, e hoje chegou a 15%”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

EXAGERADO

Entre o último trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2021, a taxa de desemprego variou de 6,6% para 14,9%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnadc/T), do IBGE. Esses são, respectivamente, o menor e o maior valor para a série histórica, iniciada em janeiro de 2012. O número citado por Lula existe, mas foi tirado da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que não pode ser comparada com os dados da Pnadc/T por usar metodologias diferentes. Essa pesquisa foi descontinuada em 2016. Além disso, desde o início deste ano, a taxa de desocupação diminuiu no Brasil, atingindo 12,6% no terceiro trimestre.

A Pnadc é o principal indicador para medir taxa de desocupação no país desde 2012, quando foi iniciada. Antes disso, a taxa era medida na PME — que seguiu sendo realizada até 2016. As metodologias são bastante diferentes, o que impede uma comparação direta. Enquanto a Pnadc é realizadaem todo o território nacional, por exemplo, a PME era limitada a seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre), e excluía do cálculo as regiões Norte e Centro-Oeste, o interior do país e capitais importantes como Curitiba e Fortaleza. 


“Aumentamos o salário mínimo todo ano, 74% nos oito anos de governo”.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

EXAGERADO

De janeiro de 2003 a janeiro de 2011, o salário mínimo teve um aumento real de 61,4%. O valor vigente em janeiro de 2003 era de R$ 200, enquanto em janeiro de 2011 era de R$ 540. A inflação nesse período de oito anos foi de 58%, pelo índice IPCA, o que significa que os R$ 200 de 2003 representavam R$ 315,96 no mês em que Dilma tomou posse. Assim, o aumento real foi menor que o citado pelo ex-presidente.

O número citado por Lula não se refere ao seu governo, e sim ao período entre 2004 e 2016, e consta em artigo publicado no site do PT.


“Você sabe da Lei do Acesso à Informação que nós aprovamos.”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

VERDADEIRO

A Lei de Acesso à Informação (LAI) — Lei nº 12.527 — foi sancionada em novembro de 2011 durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O projeto, contudo, demorou oito anos para ser aprovado e transformado em lei. 

A primeira proposta (PL 2019/2003) foi apresentada em fevereiro de 2003, no começo da primeira gestão do ex-presidente Lula, pelo então deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG). O PL surgiu a partir de uma coalizão formada ao final do Seminário Internacional Direito de Acesso à Informação Pública, iniciativa da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em 2003. 

Somente em 2004 a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a iniciativa e o projeto passou a tramitar na Casa. Dois anos depois, o Planalto foi envolvido na elaboração do projeto porque envolveria custos da União. O ex-presidente Lula chegou a prometer, na campanha à reeleição de 2006, que enviaria a proposta em 2007. Isso aconteceu, no entanto, somente em maio de 2009

Dois anos depois, em novembro de 2011, a lei que regulamentou o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas foi sancionada por Dilma Rousseff. Na época, a ex-presidente vetou três itens da LAI, um deles sobre a composição da Comissão Mista de Reavaliação de Informações, responsável pela classificação dos documentos em três tipos (reservado, secreto e ultrassecreto).


“[Quando assumi a presidência] Nós tínhamos uma inflação de 12%”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

VERDADEIRO

Em 2002, ano em que o ex-presidente Lula foi eleito, a inflação no Brasil chegou a 12,53%, segundo o Banco Central, número bastante acima da meta estabelecida para aquele ano — cujo teto era de 5,5%. No ano seguinte, quando o petista fechou o primeiro ano como chefe do Executivo, a inflação chegou a 9,3% e também ultrapassou o teto. A partir de 2004, o crescimento nos preços voltou para dentro do objetivo estipulado pelo Banco Central.

Somente em 2015, durante a gestão de Dilma Rousseff (PT), o teto da meta voltou a ser extrapolado, e a alta nos preços chegou a 10,67%. Isso pode se repetir em 2021, visto que a inflação acumulada em 12 meses estava nos mesmos 10,67% no mês de outubro — o objetivo era de, no máximo, 5,25%.


“(…) temos 116 milhões de pessoas com alguma insegurança alimentar”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ex-presidente da República, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 30 de novembro de 2021

VERDADEIRO

O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), indica que 116,8 milhões de brasileiros conviveram com algum grau de insegurança alimentar nos três meses anteriores à coleta de dados, que aconteceu entre 5 e 24 de dezembro de 2020. A sondagem constatou que a insegurança alimentar atingiu 55,2% dos lares brasileiros e 9% das famílias conviveram com a fome no período. 

Editado por: Maurício Moraes e Chico Marés

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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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