Tem certeza que deseja sair da sua conta?

#Verificamos: É falso que Pfizer patenteou ivermectina para tratamento contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.nov.2021 | 18h05 |

Circula pelo WhatsApp uma mensagem segundo a qual a farmacêutica Pfizer teria patenteado o antiparasitário ivermectina para o tratamento da Covid-19. Ainda segundo o texto, esse medicamento teria recebido o nome de “Pfizermectine”, uma junção do nome da empresa e da substância. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Pfizer LANÇA IVERMECTINA
Há 4 meses eu disse para os meus amigos que a Pfizer estava querendo patentear a IVERMECTINA para vender com outro nome e vender mais caro. E não deu outra.
Problema resolvido: Pfizer lança ‘Pfizermectine’ para profilaxia da covid. 😄 (vulgo ‘tratamento precoce’)
A partir do lançamento deste clone patenteado da Ivermectina, o tratamento precoce da covid-19 ‘milagrosamente’ passará de um remédio demonizado para incentivado. Quem viver, verá.”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. De fato, a Pfizer desenvolveu um medicamento chamado Paxlovid que teria reduzido significativamente o risco de hospitalizações e mortes por Covid-19 em adultos vulneráveis. No entanto, não há qualquer relação entre o novo fármaco e a ivermectina. O Paxlovid atua como antiviral, enquanto a ivermectina tem efeito antiparasitário. Essa informação foi confirmada pela Pfizer em nota enviada à Lupa.

As informações da mensagem foram extraídas de um texto em inglês do site “ZeroHedge”, publicado em 28 de setembro, cujo link circula junto à peça de desinformação. O texto afirma que um dos mecanismos de ação do medicamento anti-Covid desenvolvido pela Pfizer seria similar ao da ivermectina, pontuando que a droga teria sido ironicamente apelidada por terceiros de “Pfizermectin”. Já a mensagem que circula em grupos brasileiros de WhatsApp vai além, e diz que a farmacêutica teria patenteado um “clone” da própria ivermectina para combater a Covid-19.

Na verdade, são duas substâncias diferentes, então não é possível afirmar que a Pfizer registrou a ivermectina “com outro nome” apenas para “vender mais caro”. O Paxlovid, que é um antiviral, funciona como inibidor da protease, uma enzima presente no Sars-CoV-2 necessária para que o vírus se replique, impedindo sua disseminação no organismo. A orientação é administrar o medicamento ao primeiro sinal de infecção ou ao se expor à Covid-19, juntamente com uma dose do ritonavir, um antirretroviral utilizado no tratamento do HIV.

Já a ivermectina é uma substância que atua contra várias espécies de parasitas e vermes como a lombriga, a sarna e o piolho. Conforme descrição da bula, seu efeito se dá por meio da paralisação da musculatura dos invasores, ocasionando sua morte e posterior eliminação do corpo. Diversas pesquisas testaram os efeitos antivirais da ivermectina em um eventual tratamento contra a Covid-19, mas até o momento não comprovaram sua eficácia.

“São realmente duas coisas diferentes. O medicamento da Pfizer é uma molécula que tem uma ação específica contra uma proteína do vírus do Sars-CoV-2. Não tem nada a ver com a ivermectina, que tem ação contra parasitas”, explica a professora do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ana Paula Herrmann. Ela reforça que a ivermectina interage por meio de canais específicos dos parasitas, e que sua ação como antiviral ainda é pouco conhecida. “Enquanto, em geral, os antivirais são muito específicos para os vírus que são indicados”, completa.

Por meio de nota, a Pfizer reforçou que os medicamentos em desenvolvimento pela farmacêutica não apresentam qualquer semelhança com a ivermectina. “São compostos com estruturas químicas e mecanismos de ação diferentes”, afirmou.

Neste mês, a farmacêutica pediu à Food and Drug Administration (FDA), órgão regulatório dos Estados Unidos, a liberação para uso emergencial do fármaco no país. De acordo com a empresa, o potencial de redução de hospitalização ou de morte entre adultos com risco de desenvolverem a forma grave da Covid-19 chega a 89%.

O conteúdo analisado é semelhante a uma checagem da Lupa publicada em maio sobre a informação falsa de que a Pfizer teria registrado um medicamento que agia de forma semelhante à hidroxicloroquina contra o novo coronavírus. Na ocasião, a mensagem também fazia referência ao Paxlovid — à época chamado pelo código PF-07321332. 

Essa informação também foi verificada por Boatos.org, Yahoo! Notícias, Estadão Verifica, Projeto Comprova e Aos Fatos.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo