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#Verificamos: É montagem cartaz de filme antigo que teria previsto surgimento da variante ômicron

Estagiária | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
02.dez.2021 | 15h37 |

Circula pelas redes sociais um pôster de um filme antigo intitulado “The Omicron Variant” (“A Variante Ômicron”, na tradução para o português). De acordo com a legenda da publicação, trata-se de um “filme de ficção científica cômico” que prenunciou o surgimento da nova cepa do coronavírus. O post afirma ainda que a obra é de 1963 e conta a história de uma variante alienígena que assume o corpo de um terráqueo para aprender sobre as fraquezas da humanidade. Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“OLHA O POST DESSE FILME ANTIGO. O FILME CHAMA-SE “A VARIANTE OMICROM ! O DIA QUE A TERRA VIROU UM CEMITÉRIO ! ” Omicron é um filme de ficção científica cômico de 1963 no qual uma variante alienígena assume o corpo de um terráqueo para aprender sobre nossas fraquezas para que sua raça possa assumir o controle de nosso planeta.”

Legenda de foto publicada no Facebook que, até às 12h de 2 de dezembro de 2021, tinha 154 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Trata-se de uma montagem. A foto que circula nas redes sociais é uma versão manipulada do cartaz em espanhol do filme “Phase IV”, que recebeu o nome de “Sucesos en la IV Fase“. Por meio de uma busca reversa, foi possível encontrar a imagem com o título original. A data mencionada no post também está incorreta – o longa-metragem não é de 1963, mas de 1974. No Brasil, a obra recebeu o título de “Fase IV – Destruição“. 

Além disso, o enredo não fala sobre nenhuma variante alienígena que assume o corpo de um terráqueo. A sinopse, presente no Filmow, diz que o filme conta a história de um fenômeno cósmico que causou uma mutação genética em formigas, deixando-as inteligentes. Um grupo de cientistas vai investigar o ocorrido e descobre construções geométricas misteriosas. Diante disso, um conflito se inicia entre os pesquisadores e as formigas, que pretendem criar uma nova ordem mundial.   

O filme de ficção científica foi dirigido por Saul Bass e escrito por Mayo Simon. Nas publicações que circulam pelas redes sociais, os nomes dos artistas e da direção condizem com os mesmos registrados no cartaz original da produção — o que também comprova a manipulação da imagem.

Existem outros títulos de filmes que contêm a palavra ‘omicron’, porém nenhum deles fala sobre uma nova variante de alguma doença. Um dos longa-metragens é a obra “Omicron, o Agente do Espaço”, de 1963, que conta a história de um alienígena vindo do planeta Ultra. O extraterrestre usurpa o corpo de uma pessoa para entender mais sobre a humanidade — descrição que coincide com a legenda da peça de desinformação. Além dessa produção, há a ficção científica de 1999 intitulada “Project Omicron”, que narra a história de Will Walker. Ele trabalha com uma equipe de cientistas que são membros de uma sociedade secreta.

A variante ômicron, ou B 1.1.529, foi detectada na África do Sul – o que não significa necessariamente que o vírus teve origem no país – e acendeu o alerta entre autoridades de saúde de todo o mundo nos últimos dias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a nova cepa do SARS-CoV-2 como de “preocupação”, pela quantidade e variedade de mutações que carrega. 

Ainda não existem muitas informações sobre a ômicron. Os dados sobre sua transmissibilidade, letalidade e resistência ainda estão em fase de levantamento. As farmacêuticas que possuem vacinas desenvolvidas contra a Covid-1 já anunciaram que estão pesquisando formas para adaptar seus imunizantes e entender a eficácia contra a nova cepa. 

Essa informação também foi checada por Fake ou Fake

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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