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#Verificamos: É falsa afirmação de médico em vídeo viral de que não existem vacinas contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.dez.2021 | 15h06 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra um médico sanitarista dando entrevista para o programa Balanço Diário, da TV Diário do Sertão. Durante a conversa com o apresentador, o profissional afirma que não existe uma vacina contra a Covid-19 e que o que há é um experimento que está sendo aplicado na população. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Nós ainda não temos vacina para Covid. O que foi feito foi uma experiência (…), uma experiência muito triste”
Fala de médico em entrevista ao programa Balanço Diário que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Todas as vacinas aplicadas no Brasil foram testadas em ensaios clínicos organizados por laboratórios, cumprindo protocolos internacionais, e receberam o regsitro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicadas em brasileiros. Por esse motivo, não é correto afirmar que esses imunizantes são experimentos ou que ainda não há vacina para a Covid-19.

Em seu site, a Anvisa detalha todo o procedimento rigoroso pelo qual uma vacina passa antes de poder estar disponível para a população. Em primeiro lugar, o laboratório realiza testes com animais e, depois, ensaios clínicos com seres humanos, em três fases, para entender se a vacina é eficaz contra o vírus que deseja combater. Caso o resultado seja positivo, essas empresas requisitam um registro para a Anvisa para vender e comercializar o imunizante no Brasil.  

“Profissionais especializados da agência vão revisar todos os documentos técnicos e regulatórios e verificar os dados de segurança e eficácia, bem como avaliar a qualidade da vacina. O registro, concedido pela Anvisa, é o sinal verde para que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país”, afirma a agência.

Atualmente, existem quatro vacinas que já foram aprovadas pela Anvisa. São elas: Comirnaty (Pfizer/Wyeth), Coronavac (Instituto Butantan), Janssen Vaccine (Janssen-Cilag) e Oxford/Covishield (Fiocruz e AstraZeneca). Todas estão sendo ou já foram em algum momento utilizadas na vacinação de brasileiros. Em seu site, a Anvisa disponibiliza as bulas dos imunizantes, que indicam possíveis eventos adversos que cada vacina pode causar. Os efeitos mais leves consistem em dor no braço, calafrio e mal-estar geral. Pessoas com sintomas que estão fora do considerado padrão devem procurar um médico.

A Anvisa também tem catalogado e acompanhado os eventos adversos mais graves. Eles identificaram, por exemplo, ocorrência de Síndrome de Trombose com Trombocitopenia em pessoas vacinadas com imunizantes de tecnologia de vetor viral, como a AstraZeneca e a Janssen. Contudo, é um efeito adverso raro, descrito inclusive na bula.

O trecho que circula atualmente pelas redes sociais contém apenas uma parte da fala do médico sanitarista. Em outros momentos da mesma entrevista, o profissional falou que apoia a vacinação.

Procurado, o médico afirmou que acredita que as vacinas são experimentais e que vem atendendo muitos casos de pacientes com vasculites e lesões secundárias. “Acredito que a humanidade um dia irá se arrepender de ter feito uso destas vacinas experimentais, pois elas podem induzir a mutações (…)”, escreveu. A Lupa já mostrou que não há relação entre os imunizantes e vasculite. Além disso, as vacinas não provocam mutações no DNA humano. 

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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