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#Verificamos: Rosangela Moro não está envolvida em suposto roubo de R$ 500 milhões de Apaes

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
13.dez.2021 | 16h31 |

Circula pelas redes sociais uma postagem segundo a qual a advogada Rosangela Moro, esposa do pré-candidato à Presidência Sergio Moro (Podemos), estaria envolvida em um suposto roubo de R$ 500 milhões das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) do Paraná. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Abafem, se puderem!
Roubo nas APAEs do Paraná
500.000.000,00 (Quinhentos milhões)
Rosângela Wolf Moro está no meio dessa mutreta”
Postagem que, até 15h do dia 13 de dezembro de 2021, havia sido compartilhada por 4,9 mil usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. De fato, Rosangela Moro ocupa o cargo de procuradora jurídica da Federação das Apaes do Estado do Paraná. No entanto, não há nenhum indício de que ela estaria envolvida em um suposto esquema de corrupção na entidade voltada às pessoas com deficiência. Na verdade, essa história teve origem em diferentes fatos que foram interpretados de maneira equivocada, levando à acusação contra Rosangela que circula nas redes sociais desde 2017.

Em novembro de 2013, o jornalista Luis Nassif publicou uma coluna no site Jornal GGN fazendo críticas a investimentos do governo do Paraná que beneficiavam as Apaes do estado. De acordo com Nassif, R$ 420 milhões seriam destinados a essas instituições. Ele cita o caso da Apae do município de Califórnia, no norte do estado, que, segundo o artigo, se utilizaria da isenção fiscal para manter um clube social — sugerindo, dessa maneira, ser um “escárnio” a proposta do então governo Beto Richa (PSDB) de destinar mais recursos às Apaes. Não há qualquer menção a Rosangela Moro no texto.

Segundo anúncio do governo do estado à época, o programa “Todos iguais pela educação” destinaria R$ 436 milhões às escolas de educação básica na modalidade educação especial. Os recursos seriam revertidos na contratação de profissionais da educação, melhorias de infraestrutura, merenda escolar e aquisição de ônibus para transporte.

Já em março de 2017, Nassif voltou a comentar o assunto durante o seminário “Alternativas à mídia tradicional”, promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Após ser questionado sobre o trabalho de blogs independentes, o jornalista cita a história das Apaes paranaenses como um exemplo de produção que contou com a colaboração de leitores. Ele disse que, após o comentário de um internauta no site, descobriu que a “esposa do Sergio Moro” fazia o “jurídico” das Apaes. Nassif não a acusa de roubo, apenas sugere que Rosangela fazia parte de um lobby que trabalhava pelos interesses da instituição.

Meses depois, postagens passaram a relacionar Rosangela e o suposto “roubo de R$ 500 milhões”, atribuindo as informações a Nassif. O jornalista publicou um novo texto no site Jornal GGN desmentindo a história. “Limitei-me a apontar indícios, indícios fortes, sem dúvida, que merecem ser investigados, mas não acusações frontais”, escreveu o jornalista.

Também não foram reportadas em veículos de imprensa informações sobre um suposto caso de roubo envolvendo as Apaes paranaenses que tenha movimentado R$ 500 milhões ou cifra semelhante.

Por meio de nota, a Federação das Apaes do Estado do Paraná declarou que não há casos de desvios envolvendo a instituição e que Rosangela Moro “não manipula e nunca manipulou qualquer numerário”. Rosangela Moro foi procurada, mas não se manifestou até a publicação desta checagem.

Essa informação também foi verificada, em 2017, por Boatos.org e E-farsas.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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