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#Verificamos: É falso que Michelle Bolsonaro já foi condenada por tráfico de drogas

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.dez.2021 | 15h22 |

Circula no WhatsApp um áudio atribuído ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no qual ele afirma que a primeira-dama Michelle Bolsonaro teria sido condenada por tráfico de drogas no passado, há cerca de 20 anos. Na gravação, Bolsonaro explica que ela teria cumprido três anos de cadeia. Ele diz ainda que levantar essa informação, agora, não é justo, porque “todo mundo na vizinhança está sabendo”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Minha mulher, há uns 20 e poucos anos, foi condenada por tráfico de drogas. Três anos de cadeia. Cumpriu. Agora, é justo levantar isso? E agora todo mundo sabendo na vizinhança que ela foi condenada no passado e cumpriu três anos de cadeia. Como você acha que está a cabeça dela nesse momento?”

Conteúdo de áudio que circula em grupos do WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O áudio com a voz de Jair Bolsonaro foi editado. Michelle Bolsonaro não foi condenada por tráfico de drogas nem cumpriu pena de três anos na prisão. Na versão original, gravada em 16 de agosto de 2019, o presidente refere-se a Maria Aparecida Firmo Ferreira, avó da primeira-dama, e não a Michelle. Na ocasião, o mandatário comentava uma reportagem publicada no mesmo dia pela revista Veja que noticiava que Ferreira tinha sido presa em 1997 por vender drogas em Brasília. 

Na versão correta do áudio, Bolsonaro confirmou que a informação veiculada pela Veja era verdadeira. Ele deu entrevista ao sair de um evento no Palácio do Planalto. Na época, disse que se tratava de uma questão familiar. “Vou falar em consideração a vocês, tá? A matéria não é mentirosa, é verdadeira. A avó dela, há uns 20 e poucos anos, foi condenada por tráfico de drogas. Três anos de cadeia. Cumpriu. Agora, é justo levantar isso?”

Na entrevista, disponível em vários sites de notícias, é possível ouvir um outro trecho da declaração de Bolsonaro que foi cortada. A partir do segundo 17, ele diz que a avó da primeira-dama “é uma senhora [que] já tem seus problemas pela idade, na faixa de 80 anos”. Essa parte foi cortada para falsamente levar ao entendimento de que ele se referia a Michelle. Na sequência, Bolsonaro afirma: “Agora tá todo mundo sabendo na vizinhança que ela foi condenada no passado e cumpriu três anos de cadeia. Como é que você acha da cabeça dela?” 

Na mesma entrevista, o chefe do Executivo diz que a mãe de sua mulher respondia a um processo por falsidade ideológica que foi arquivado. Por fim, Bolsonaro questionou o “ganho jornalístico” da reportagem: “Quem ganha com isso? Para que esculachar a minha esposa e dizer que ela não tem legitimidade para fazer o trabalho social que ela faz? Ela está abatida, arrasada. Para que isso?”, disse. 

A reportagem da Veja menciona a situação de pobreza de Maria Aparecida Firmo Ferreira e revela que, em 1997, ela foi presa em flagrante vendendo subprodutos de cocaína no centro de Brasília. A matéria também conta que a mãe de Michelle, Maria das Graças Firmo, tinha dois registros civis — um deles, falso. 

A avó da primeira-dama morreu um ano depois dessa reportagem, em 12 de agosto de 2020, vítima da Covid-19. Ela tinha 80 anos e ficou pouco mais de um mês internada. 

Ao fazer uma busca a partir do nome de Michelle Bolsonaro no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ-DFT) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não foi encontrado nenhum registro de processo contra a primeira-dama.

Conteúdos similares circularam em outras ocasiões, falsamente informando que Bolsonaro se referia à mulher, o que não é verdade. Essas peças de desinformação foram desmentidas pelo Aos Fatos e Boatos.org

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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