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#Verificamos: É falso que prefeitura de Fortaleza distribuiu material pedagógico incentivando masturbação de crianças 

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.dez.2021 | 15h44 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra a youtuber e ex-candidata a deputada federal pelo PSL do Ceará Regina Vilella criticando a Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza (CE) pelo treinamento dado a professores e funcionários de creches. Ela diz que o material encaminhado para os profissionais indicaria ser muito comum “abraços, carícias e masturbação infantil para acalmar as crianças”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Sabe o que está acontecendo nas creches aqui do Ceará, especialmente na capital, Fortaleza? E não duvido muito que isso esteja acontecendo em todo o Brasil, tá, pessoal. A Secretaria de Educação, preste bem atenção, a Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza está investido pesado no treinamento e capacitação de professores e funcionários de creche. Isso seria ótimo se o tipo de material pedagógico não afirmasse que é muito natural abraços, carícias e   masturbação infantil para acalmar as crianças”
Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza informou, em nota, que não produziu ou distribuiu qualquer material pedagógico sobre sexualidade infantil que incentiva o abuso em crianças nas creches do município. Segundo a pasta, questões sobre sexualidade infantil não fazem parte das diretrizes curriculares da educação infantil do município.

O vídeo contendo a informação falsa circula pelas redes sociais desde 2019, quando Regina Villela publicou a gravação no YouTube. Os materiais sinalizados na gravação foram criados e utilizados pela pedagoga e psicóloga Elisabete Cabral durante uma palestra para cerca de 20 formadores educacionais da Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza naquele ano. Ela conta que professores da rede pública de Fortaleza solicitaram para a prefeitura uma formação para falar sobre “questões da sexualidade das crianças da educação infantil”.

A pedagoga afirma que o encontro serviu para falar sobre questões de gênero que aparecem no cotidiano das crianças dentro de sala de aula. Como, por exemplo, a escolha de brinquedos, debatendo sobre a proibição de meninos não poderem brincar de boneca. Ela afirma que os textos nunca incentivaram abuso de crianças e classificou o vídeo como criminoso.

Um dos slides sinalizados no vídeo compartilhado nas redes sociais falava sobre masturbação infantil, mas não como um incentivo a essa prática por crianças. A pedagoga informou a outras plataformas de checagem que os trechos que compõem esse slide foram tirados de um artigo acadêmico da Revista Contrapontos chamado “Sexualidade e infância: contribuições da educação sexual em face da erotização da criança em veículos midiáticos”, escrito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ao falar sobre a história da sexualidade humana, os pesquisadores explicam que essa prática era comum nos séculos 15 e 16. Contudo, nesse período, a ideia foi desconstruída à medida que se mudou a compreensão sobre a infância, de modo que a criança passou a ser vista como um ser inocente e diferente dos adultos. Em nenhum momento o artigo recomenda a masturbação infantil.

Elisabete destaca que o vídeo é uma “total distorção do que foi dito” por ela durante a palestra na época. “Todos os presentes na formação sabem o que foi dito e escrito, presenciaram, mas uma pessoa agiu de má fé e mentiu sobre tudo o que foi dito. O que houve foi motivado por questões políticas, fake news com clara motivação de confundir, apavorar e difamar”, afirmou a pedagoga.

Por conta da repercussão do caso, a SME de Fortaleza decidiu adotar algumas medidas judiciais envolvendo o episódio. Eles pediram a instauração de inquérito policial para apurar a autoria de crime com “informações mentirosas”, vinculando o nome da secretaria. Atualmente, o inquérito contra Regina Villela está em andamento na Justiça, segundo mostra o Sistema de Consulta Processual Unificada.

Em 2019, essa informação foi desmentida por Aos Fatos, Fato ou Fake e Estadão Verifica. Recentemente, o vídeo voltou a circular pelas redes sociais e diversos leitores da Lupa solicitaram que o material fosse verificado novamente. Procurada, Villela não respondeu até a publicação desta checagem.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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