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#Verificamos: Vídeo que mostra candidata levando tiros foi gravado no México, e não na Venezuela

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.dez.2021 | 12h59 |

Circula nas redes sociais um vídeo mostrando duas mulheres sendo alvejadas por tiros. A legenda da publicação afirma que a cena aconteceu na Venezuela porque elas tentaram “falar algo contra o governo venezuelano” e que os tiros foram disparados “pela milícia venezuelana”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse conteúdo fosse analisado. Confira o trabalho de verificação da Lupa:

“Você tem dúvidas do que pode acontecer no Brasil caso o demônio de 9 dedos  volte ao poder? Veja o que acontece quando alguém tenta falar algo contra o governo venezuelano. As 3 morreram covardemente pela milícia venezuelana.”

Legenda do vídeo que circulou nas redes sociais e no WhatsApp e até às 11h do dia 21 de dezembro de 2021 tinha mais de 100 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo não foi gravado na Venezuela, mas sim no México. Ele mostra o momento em que Alma Barragán, candidata à presidência municipal (equivalente ao prefeito no sistema brasileiro) da cidade Moroleón, foi baleada e morta, no dia 25 de maio de 2021.

Com uma busca reversa de imagens utilizando trechos do vídeo, foi possível encontrar a mesma gravação publicada em diversos veículos de imprensa mexicanos (aqui e aqui) e internacionais (aqui, aqui e aqui).

Barragán era candidata à presidência municipal de Moroleón, cidade de 50 mil habitantes cerca de 300 quilômetros ao noroeste da Cidade do México, pelo partido social-democrata Movimiento Ciudadano. Horas antes de ser assassinada, ela havia gravado um vídeo convidando eleitores para participarem de um encontro e ouvirem suas propostas.

No momento da gravação, ela falava sobre como os esportes estavam sendo abandonados e como os cidadãos tinham abandonado as ruas. O discurso é interrompido por diversos barulhos de tiros e ela é atingida. Barragán morreu no local. No começo de junho, um homem identificado como Fernando “N” foi preso pela polícia mexicana acusado de envolvimento no assasinato de Barragán. Dois meses depois, em agosto, dois homens — Benito “N” e Miguel Ángel “N” — também foram presos pelo mesmo crime.

As eleições mexicanas, realizadas no dia 6 de junho, foram marcadas pela violência. Um boletim da consultoria mexicana Etellekt mostrou que 102 políticos ou candidatos foram assassinados durante a campanha eleitoral. E outros 696 sofreram agressões.

Essa verificação também foi feita pelo site Boatos.org.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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