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#Verificamos: Vereadora de Porto Alegre usa informações falsas para criticar vacina em vídeo viral

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.jan.2022 | 17h05 |

Circula nas redes sociais um vídeo em que a vereadora de Porto Alegre Fernanda Barth (PRTB) diz que as vacinas que estão sendo aplicadas para a contenção da Covid-19 ainda estão em estágio experimental. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Não é vacina, é experimento. Temos que ter a coragem de dizer: vacina não precisa de três, quatro doses em um ano”

Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Todas as vacinas aplicadas no Brasil foram testadas em ensaios clínicos organizados por laboratórios, cumprindo protocolos internacionais, e receberam o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para serem aplicadas em brasileiros. Por esse motivo, não é correto afirmar que esses imunizantes são experimentos.

Além disso, a Anvisa, até o momento, não recomenda a aplicação de quatro doses da vacina no mesmo ano. A recomendação de uma segunda dose de reforço foi anunciada  apenas para pacientes imunocomprometidos acima de 18 anos. Para o resto da população, o que a agência liberou foi uma dose de reforço.

A dose de reforço é uma estratégia adotada em outras campanhas vacinais no Brasil – e não apenas a da Covid-19. É o caso da vacina da gripe, por exemplo, que é dada anualmente para a população. Segundo o Instituto Butantan, o imunizante é modificado a cada ano, levando em consideração os três subtipos de vírus que estão circulando. Neste ano, a nova versão da vacina da influenza protege contra o vírus H1N1, H3N2 (Darwin) e a cepa B.

Segurança

Assim como outros imunizantes, as vacinas contra a Covid-19 passaram por um procedimento rigoroso de avaliação antes de poder estar disponível para a população. Em primeiro lugar, o laboratório realiza testes com animais e, depois, ensaios clínicos com seres humanos, em três fases, para entender se a vacina é eficaz contra o vírus que deseja combater. Caso o resultado seja positivo, essas empresas requisitam um registro para a Anvisa para vender e comercializar o imunizante no Brasil.  

“Profissionais especializados da agência vão revisar todos os documentos técnicos e regulatórios e verificar os dados de segurança e eficácia, bem como avaliar a qualidade da vacina. O registro, concedido pela Anvisa, é o sinal verde para que a vacina seja comercializada e disponibilizada no país”, afirma a agência.

Atualmente, existem quatro vacinas que já foram aprovadas pela Anvisa. São elas: Comirnaty (Pfizer/Wyeth), Coronavac (Instituto Butantan), Janssen Vaccine (Janssen-Cilag) e Oxford/Covishield (Fiocruz e AstraZeneca). Todas estão sendo ou já foram, em algum momento, utilizadas na vacinação de brasileiros. Em seu site, a Anvisa disponibiliza as bulas dos imunizantes, que indicam possíveis eventos adversos que cada vacina pode causar. Os efeitos mais comuns consistem em dor no braço, calafrio e mal-estar geral. Pessoas com sintomas que estão fora do considerado padrão devem procurar um médico.

A Anvisa também tem catalogado e acompanhado os eventos adversos mais graves. Eles identificaram, por exemplo, ocorrência de Síndrome de Trombose com Trombocitopenia em pessoas vacinadas com imunizantes de tecnologia de vetor viral, como a AstraZeneca e a Janssen. Contudo, é um efeito adverso raro.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“(…) eu cito um médico americano Dr. Robert Marin, que foi citado aqui hoje, criador da tecnologia da vacina do RNAm”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

EXAGERADO

A tecnologia de RNA mensageiro em vacinas não foi criada por um médico americano chamado Robert Marin. Ao falar sobre esse assunto, a vereadora Fernanda Barth provavelmente confundiu o sobrenome do virologista Robert Malone, que contribuiu para o desenvolvimento da tecnologia de vacinas como a Pfizer. Malone é uma das pessoas que auxiliou essa descoberta, mas não o seu único criador. 

Uma reportagem publicada pela revista Nature mostrou que Malone realizou, em 1987, experimentos misturando fios de RNA mensageiro com gotículas de gordura, o que possibilitou a criação da tecnologia. Foram necessários anos de testes realizados por diversos pesquisadores para que fosse viável essa criação.“As vacinas de RNA mensageiro de hoje têm inovações que foram inventadas anos depois do período de Malone no laboratório, incluindo RNA quimicamente modificado e diferentes tipos de bolhas de gordura para transportá-lo para dentro das células”, explica a Nature.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“É só vocês procurarem, mas não procurem no Google. Procurem no DuckDuckGo, porque o Google acabou e apagou qualquer registro desse médico das suas redes”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

FALSO

Ao buscar o nome do virologista Robert Malone no Google, ainda é possível encontrar registros que falam sobre a trajetória do profissional. Procurada, a assessoria de imprensa do Google confirmou que não houve a remoção de conteúdo sobre Malone. O que acontece atualmente é que os conteúdos que são de maior relevância e confiáveis são destacados no resultado. No Brasil, quando buscamos Robert Malone, o Google indica informações falsas espalhadas pelo virologista. 

“Para ajudar você a encontrar o que está procurando, esses sistemas consideram muitos fatores, como as palavras na busca, o conteúdo das páginas, a confiabilidade das fontes, o idioma e o local do usuário. Para entender a opinião das pessoas sobre a relevância e a confiabilidade dos nossos resultados, temos um processo rigoroso que envolve muitos testes e o uso de avaliadores de qualidade que garantem que nossos sistemas automatizados oferecerão resultados ótimos para seres humanos”, indica o Google em seu site.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“(…) E a sua biografia na Wikipédia foi reescrita para começar dizendo que ele era um desinformante”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

VERDADEIRO

A Wikipédia afirma que o virologista Robert Malone “ganhou notoriedade pública por promover desinformação durante a pandemia de Covid-19”. Nesse trecho, a nota de rodapé indica a leitura de uma reportagem publicada pelo site “The Atlantic” com o título “O cientista de vacinas espalhando desinformação sobre vacinas”, que conta todo o episódio. 


“E ele disse isso por que? Esta vacina, que ele ajudou a desenvolver a tecnologia, precisa de no mínimo cinco anos a mais de teste”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

VERDADEIRO, MAS

Em 2021, o virologista Robert Malone publicou um vídeo criticando as vacinas contra a Covid-19 e afirmando que a tecnologia de RNA mensageiro precisava ser testada por cinco anos antes de realmente começar a ser usada em imunizantes. Embora o profissional realmente tenha feito essa declaração, as informações divulgadas por ele são falsas, conforme mostrou a Lupa

Mesmo que em um prazo mais curto que o comum, as vacinas em aplicação no país já cumpriram todas as etapas de avaliação exigidas para que pudessem ser utilizadas em seres humanos. De fato, foi a primeira vez na história que o desenvolvimento de uma vacina ocorreu em um intervalo de menos de um ano. Em média, esse processo pode levar até uma década

No entanto, grande parte desse tempo é empregada na busca de financiamento para a pesquisa clínica, que tem um custo elevado, e no recrutamento de voluntários dispostos a testar o produto, como explicou a professora do Departamento de Farmacologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Ana Paula Herrmann em outra checagem publicada pela Lupa. “Não é como se o paciente ficasse dez anos sendo observado. A maior parte desse tempo são buracos em branco.”

Diante do cenário de emergência da pandemia, com financiamento e voluntários à disposição, o desenvolvimento dos imunizantes foi acelerado. “A tecnologia também estava disponível. A gente já tinha uma base muito boa para várias das plataformas de vacinas que são utilizadas hoje. Todo esse tempo foi poupado. Mas em nenhum momento essa redução do prazo exigiu que se abrisse mão da segurança e da eficácia”, reforçou Herrmann.

A experiência com a aplicação de vacinas na população há décadas afasta a probabilidade do surgimento de supostos efeitos adversos de longo prazo, constantemente alardeados por grupos antivacina. “É muito pouco provável do ponto de vista da plausibilidade biológica. Em geral, os efeitos adversos ocorrem nas semanas seguintes à administração. O que importa nesse caso é a comparação de risco-benefício. E no caso da vacina da Covid, essa comparação está claramente pendendo para o lado do benefício, e não para o lado do risco”, ponderou a professora.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“Porque a proteína S, que é a coisa mais tóxica que o Covid tem e é por isso que as pessoas com Covid vão a óbito (…). Justamente, essa vacina injeta dentro do teu DNA a maldita proteína S, tóxica. Uma vez colocada lá, ninguém mais tira”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A produção da proteína Spike faz parte do mecanismo de ação das vacinas de RNA mensageiro contra a Covid-19. No entanto, não há evidências de que essa partícula seja tóxica. Ela tampouco é a razão pela qual pessoas com a doença morrem. Além disso, também não há registros de supostos danos permanentes provocados pela imunização aos sistemas imunológico, nervoso e reprodutivo. Por fim, nem a proteína, nem o mRNA usado na proteína alteram o DNA das células humanas.

“As vacinas da Pfizer e da Moderna têm registrado alguns eventos raros — raríssimos, eu diria —, potencialmente graves, mas nada relacionado à toxicidade da proteína Spike do Sars-CoV-2”, explica o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe da Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e da Associação Médica Brasileira (AMB). Ele reforça que nada nesse sentido foi observado nos estudos de desenvolvimento do imunizante, nem ao longo de um ano de sua aplicação em larga escala.

A vacina da Pfizer é composta de pedaços microscópicos de gordura que contêm um RNA mensageiro, ou mRNA. Esse pequeno fragmento de material genético possui as instruções para que células do corpo produzam a chamada proteína Spike, que estimula o sistema imunológico a produzir defesas contra o vírus. “É como se o indivíduo tivesse uma falsa Covid, porque você produz uma parte do vírus em alta quantidade e aí as células do sistema imune reconhecem isso como um ataque, fabricando anticorpos”, explica Barbosa. 

A falsa ideia de que a proteína é tóxica tem origem em declarações de um pesquisador canadense chamado Byram Bridle, que já foi checada pela Lupa. Os autores dos estudos nos quais Bridle diz ter se baseado afirmam que sua interpretação é completamente equivocada. 

Um desses estudos, por exemplo, notou a presença da proteína no sangue de pessoas vacinadas, em quantidades muito pequenas. Não há qualquer menção a “riscos” causados por elas. “Bridle está pegando nossos resultados e interpretando de forma totalmente equivocada”, disse David R. Walt, um dos pesquisadores, em entrevista ao site de checagem FactCheck.prg. “Reparamos que, poucos dias depois do antígeno [a proteína Spike] aparecer, os indivíduos desenvolviam anticorpos que o removiam da corrente sanguínea. Nossa conclusão é de que a vacina está funcionando de acordo com o esperado.”

Outro estudo, realizado no Japão, nem mesmo trata da proteína Spike, e sim das nanopartículas lipídicas usadas para “envelopar” o antígeno. A conclusão, assim como no caso da pesquisa de Walt, é que essas partículas estavam sendo eliminadas dias depois da vacinação — conforme já era esperado.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“[Anthony Fauci disse] que já aconteceu uns anos atrás. Quando eles desenvolveram a primeira tentativa de vacina contra o HIV, que transformava e tornava as pessoas mais aptas a contraírem o vírus do HIV, e ele disse isso numa entrevista semana passada”

Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

VERDADEIRO, MAS

A informação analisada pela Lupa é verdadeira, mas está fora de contexto. Ao contrário do que foi dito por Fernanda Barth (PRTB-RS), a entrevista em que Anthony Fauci, conselheiro chefe de Saúde de Joe Biden e diretor do NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases), foi dada em 19 de março de 2020. Na ocasião, Fauci respondia a perguntas selecionadas por Mark Zuckerberg, CEO do Facebook. Ao citar o exemplo de uma vacina contra a Aids, ele falava sobre o risco de utilizar uma vacina que não passou pelo ciclo de exames clínicos — e, como explicado anteriormente, todas as vacinas sendo utilizadas contra Covid-19 passaram por esse ciclo.

Ainda no começo da pandemia, os dois discutiam sobre medidas de contenção do vírus. Nesse contexto, Zuckerberg fez algumas perguntas sobre a vacinação (24min40s). Perguntou, então, ao diretor do NIAID se seria possível uma atuação mais agressiva no desenvolvimento de um imunizante e se a vacinação não poderia ser iniciada concomitantemente à realização de testes clínicos.

Fauci explicou (24min51s) que é necessário a realização dos testes, mesmo em uma situação de gravidade — como a eclosão de uma pandemia. “O estudo de segurança inicial, Mark, é para ver se o que está sendo injetado no braço das pessoas têm algum tipo de reação idiossincrática ou grave. Há também outro elemento de segurança, que é analisar a resposta imunológica da vacina: se houve a produção de anticorpos e, depois, se os voluntários ficaram mais expostos ou se infectaram pela doença. Tem que se avaliar se a resposta que foi induzida [no teste] realmente não aumenta a infecção e a torna pior. A única maneira de saber isso é fazer um estudo prolongado, não em um voluntário isolado que não tem risco de infecção, mas em pessoas que estão em circulação”, disse.

Na sequência o diretor do NIAID cita casos mal sucedidos, identificados na fase de testes. “Já houve casos de aplicação de vacinas que tiveram um grau satisfatório de segurança inicial e que, ao serem testadas, provocaram o agravamento da doença. Houve uma situação com a vacina contra o vírus sincicial respiratório, muito comum em crianças, que paradoxalmente piorou o quadro clínico dos pacientes. Uma das vacinas contra o HIV, que testamos há vários anos atrás, na verdade, tornou os indivíduos mais propensos a serem infectados”. 

Na conclusão de sua resposta, Fauci ainda ressalta: “Então, em um momento que a população está sendo exposta e infectada, não podemos simplesmente sair por aí administrando qualquer imunizante. Porque há o risco de piorar a situação. Por isso, é importante que sejam realizados testes”.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem


“E eles não se responsabilizam por nenhum efeito colateral. Está nas bulas, nos tratados internacionais”
Fernanda Barth (PRTB), vereadora de Porto Alegre, em vídeo compartilhado no Facebook que, até às 15h25 do dia 12 de janeiro, já havia sido compartilhado por 1,9 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há nas bulas para pacientes ou profissionais de saúde qualquer indicação sobre a não responsabilização da farmacêutica ou da Anvisa em relação aos efeitos adversos graves que eventualmente possam ocorrer após a inoculação do imunizante. 

De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 406 de 22 de Julho de 2020 e a RDC 475 de 10 de março de 2021, as farmacêuticas são obrigadas a informar na bula todos os efeitos adversos identificados durante a fase de testes, desde os leves aos raros ou graves. As resoluções também determinam que seja destacado no documento o canal de notificação de efeitos adversos da Anvisa, que deve ser usado pela farmacêutica, clínicas, profissionais de saúde e até mesmo pacientes. As empresas e instituições de Estado têm o prazo de 24 horas para encaminhar o alerta à agência, contado da data de identificação do efeito adverso.

A partir da notificação, a Anvisa, então, pode pedir documentos sobre o quadro diagnosticado e, a depender do que foi reportado, realizar uma inspeção na fábrica onde a vacina é produzida, nas clínicas ou nos postos de saúde. De acordo com o que é previsto na Lei 6437 de 1977, o descumprimento do protocolo cabe punição, que pode ir desde uma advertência à retirada do produto de circulação e fechamento das instalações. A comprovação de ineficácia dos produtos para o fim estabelecido, também é passível de sua retirada de circulação conforme a Lei 6.360 de 1976.

Fernando Aith, diretor geral do Cepedisa/USP, explica que se for comprovado que houve omissão da farmacêutica de algum efeito colateral, ela pode ser punida tanto pela Lei 6437 de 1977, por descumprimento das normas regulatórias, quanto pelo artigo 927 da Lei 10.406/2002 do Código Civil, por dano a terceiros causados pela prática de ato ilícito. “Se for provado que a farmacêutica escondeu informação ela pode ser acionada por ter incorrido na prática de um crime. Ela é responsabilizada civil e criminalmente. [O paciente] pode entrar com uma ação civil por reparação de danos morais e materiais, decorrente de um produto que foi consumido sem aviso de um risco que não foi alertado”, explica. 

Nas situações da ocorrência de efeito adverso não previsto na bula, cuja a identificação se deu após a aprovação da vacina e mesmo que a farmacêutica tenha notificado a Anvisa, a pessoa que se sentir lesada pode acionar a empresa na Justiça. Segundo Aith, esse direito é garantido pelo inciso XXXV, do artigo 5º da Constituição Federal, que determina que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.

Ao Ministério da Saúde cabe orientar a população sobre a ocorrência dos efeitos adversos, bem como oferecer canais de notificação sobre tais quadros clínicos. A Anvisa, por sua vez, é responsável pelo monitoramento e análise dos casos relatados, como é determinado pela RDC 465 de 2 de fevereiro de 2021

Fernando Aith diz que não há legislação internacional sobre o tema: “Não tem isso em tratado internacional. Essa é uma questão que cabe à legislação interna”. 

Ele explica que todo tipo de medicamento ou vacina apresenta efeitos colaterais e que é por isso que é exigido a realização de testes. “Chamamos isso de gestão de risco. Para ser aprovado, qualquer medicamento ou imunizante, deve ter comprovado que os seus riscos são insignificantes”, diz. “O que esse pessoal faz [disseminadores de desinformação] é confundir o conceito de risco, querem fazer parecer que são maiores do que de fato são. Se fosse para interromper a circulação desses produtos porque podem causar um efeito colateral, não haveria nenhum medicamento disponível”, conclui.

Procurada, a vereadora não se manifestou até o fechamento desta reportagem

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Editado por: Chico Marés

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A informação está comprovadamente incorreta
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