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#Verificamos: Protestos no Cazaquistão não têm relação com vacinas contra Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.jan.2022 | 14h11 |

Circula pelas redes sociais que o Cazaquistão estaria passando por uma onda de manifestações contra a vacinação da Covid-19. Um vídeo compartilhado no WhatsApp mostra uma multidão em confronto com a polícia, enquanto um narrador indica que o governo impôs que a população usasse um aplicativo que permitia visualizar todas as pessoas imunizadas, e que somente essas poderiam ter acesso aos bancos do país. Os habitantes supostamente ficaram revoltados com essa obrigação e começaram a queimar prédios do governo, além de terem prendido médicos que auxiliam na vacinação. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O que que tá acontecendo no Cazaquistão, né. A mídia daqui fala que por causa de aumento de gás, o gás subiu e a população se revoltou, mas é , na verdade, o que aconteceu lá foi o governo impôs você tem que ter o aplicativo de vacinação  no seu telefone  e só com ele ativado você pode retirar seu dinheiro do banco, acessar seu dinheiro no banco. A população lá simplesmente 24 horas botou fogo em todos os prédios do governo, prendeu todos os  médicos que estavam fazendo parte da vacinação, queimaram todos os centros de vacinação”
Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora o vídeo realmente tenha sido feito no Cazaquistão em janeiro de 2022, as imagens não mostram uma manifestação impulsionada pela vacinação contra a Covid-19. Na realidade, a população começou os protestos no dia 2 de janeiro com o objetivo de criticar os preços dos combustíveis no país. Declarações do presidente do Cazaquistão, Kassym Jomart Tokayev mostram que esse foi o motivo dos atos. 

Reportagens detalham que os protestos começaram na cidade de Zhanaozen, uma região rica em recursos naturais. Os habitantes do local se queixavam que o dinheiro da exploração dos recursos não era distribuído para a população. A situação se agravou após o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) dobrar de preço. 

Os protestos no Cazaquistão não foram pacíficos. O governo reconheceu que os manifestantes apreenderam edifícios públicos, depredando essas instalações. Jornalistas que moram em Almaty, uma das maiores cidades do país, afirmam que a residência presidencial e a prefeitura foram alvo de incêndios, por exemplo. A situação se agravou e, atualmente, as autoridades já indicam que há 164 mortos no confronto entre a polícia e a população.

Em seu Twitter, o presidente do Cazaquistão vem comentando sobre o episódio. No dia 4 de janeiro, ele anunciou que, para garantir a estabilidade, o governo decidiu reduzir o preço do Gás liquefeito de Petróleo (GLP) em uma região do país. 

Não há indícios de médicos sendo presos ou postos de vacinas sendo depredados no Cazaquistão, como afirma vídeo analisado pela Lupa. Atualmente, o país vem utilizando quatro vacinas para imunizar a sua população: Sputnik V, QazVac, CoronaVac e Sinopharm. Existe um aplicativo para celular e houve, recentemente, ampliação de restrições para acesso a ambientes fechados por pessoas não vacinadas por causa do crescimento da variante Ômicron. Contudo, isso não tem relação com os protestos. 


“Praticamente todo o governo de lá tá exilado. Todo mundo tentando fugir de lá”
Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Até o momento da publicação desta checagem, Tokayev, não havia deixado o país. Ele discursou recentemente para o parlamento para comentar sobre a ação policial, que contou com o reforço de tropas russas. Na última quinta-feira, o presidente também conversou com lideranças de outros países.

Esse boato também foi verificado pelo Boatos.org

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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