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Conheça a Agência Loki

A Agência Loki é uma criação do coletivo de humor Porta dos Fundos, em parceria com a Agência Lupa – pioneira do jornalismo de verificação no Brasil – para ampliar a conscientização sobre a indústria da desinformação.

Aquele colega de trabalho que sempre deu corda para boatos e o primo que acreditava na Loira do Banheiro não são nada perto das empresas que trabalham em esquemas milionários para a criação e difusão de mensagens em massa, com objetivo de influenciar o debate público, promovendo determinados interesses e descredibilizando adversários.

Conteúdos factualmente errados, alterados e descontextualizados são usados para mexer com a nossa indignação e gerar cada vez mais compartilhamentos. Depois de muitas imagens, vídeos, textos e áudios martelando uma versão deturpada dos fatos, fica cada vez mais difícil saber o que é verdade. Ficar atento ao que recebe e compartilha é fundamental para combater a desinformação. Já encerrou uma corrente de fake news hoje?

 

A verdade é uma só: não existe verdade! Conte com o nosso serviço de gerenciamento de percepção para amplificar a sua versão da realidade. Venha conhecer a Agência Loki e refute fatos com opiniões.

Loki

GUIA PRÁTICO CONTRA FAKE NEWS

  • 01. Fake news e desinformação são a mesma coisa?

    Fake news é um termo popular para informação falsa, seja ela em texto, áudio ou imagem (foto e vídeo). Ficou famoso a partir de 2016, quando passou a ser usado pelo presidente americano, Donald Trump, para se referir a informações que ele considerava mentirosas, geralmente vindas da imprensa americana quando fazia críticas a ele. Por isso mesmo, perdeu seu sentido original. Hoje, toda a vez que uma autoridade se vê confrontada com um fato que não lhe é favorável – como incêndios na Amazônia ou no Pantanal -, ela diz que é “fake news”.  

    Desinformação, por sua vez, é o uso das técnicas de comunicação, como jornalismo,  publicidade e propaganda, para desinformar, ou seja, informar equivocadamente, manipulando a opinião e o debate públicos. No campo de estudos em comunicação é o termo melhor aceito para designar os conteúdos factualmente errados, manipulados, descontextualizados e fabricados para distorcer o debate público.

  • 02. Por que as pessoas acreditam em fake news e as compartilham?

    A Psicologia e a Comunicação vêm se debruçando sobre o tema e já existem alguns consensos sobre o fenômeno. As pessoas costumam consumir conteúdos tanto por razões emocionais – mais frequentemente até – quanto racionais. Daí os conteúdos que apelam para sentimentos como raiva ou medo e que possuem títulos apelativos como “Vergonhoso!” ou “Inaceitável!”. Há também o chamado viés de confirmação, que se refere à tendência de muitas pessoas a tomar como verdadeira uma informação que confirma uma crença ou opinião preexistentes. 

    Outros pontos são: falta de pensamento crítico sobre o que é recebido; impaciência ou falta de atenção sobre o conteúdo; preguiça em fazer reflexões sobre os assuntos, o que leva a pessoa a preferir soluções simples para problemas complexos e o popular “efeito ilusório de verdade”, que se refere ao fenômeno em que quanto mais somos expostos a certas informações, maior a probabilidade de acreditarmos nessas informações. “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”, já dizia Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha Nazista.

  • 03. Como podemos saber se uma informação é falsa?

    Há algumas dicas que qualquer pessoa pode tomar antes de compartilhar um conteúdo:

    1. Leia além da manchete: o título da notícia reflete o que está no corpo do texto?  É um título apelativo?
    2. Em situações de pânico, pense duas vezes.Momentos de tensão são propícios à proliferação de notícias falsas. Pause e reflita: será que me deixei emocionar. Pessoas se deixam levar mais por emoção do que pela razão
    3. Recebeu uma “notícia” inédita? Exclusiva? Urgente? Antes de repassar, veja se há outros canais de informação comprovando o dado. O furo jornalístico existe, mas se a notícia for de fato importante, não é possível que ela não esteja em vários veículos.
    4. Lembre-se de que fotos podem ser facilmente adulteradas. E de que as legendas também podem estar erradas. Cheque os conteúdos.
    5.  Nem todo áudio é verdadeiro! Encerre correntes com gravações de autores desconhecidos. E lembre-se: há excelentes imitadores.
    6. Verifique a data de uma informação. Será que a “notícia” que você recebeu não é velha?
    7. Duvide de URLs estranhas. Você já visitou esse site antes? 
    8. Cheque a autoria. Ela existe? Você confia nesse autor? Ou nunca leu nada dele antes? 
  • 04. Existe uma "indústria da desinformação"? Como um conteúdo falso é fabricado?

    Há  várias empresas trabalhando – e ganhando muito dinheiro – para criar e disseminar desinformação. Não existe uma fórmula documentada para se produzir uma fake news, mas há características comuns em muitas peças desinformativas. Muitas delas imitam a linguagem do jornalismo, já que o discurso jornalístico é tido como um balizador de informações verdadeiras há muitos anos. Muitos conteúdos desinformativos usam os mesmos modelos de texto que vemos em jornais e revistas, por exemplo, inclusive usando títulos que chamam a atenção, como as manchetes de jornais. Outros, em vídeo ou áudio, imitam reportagens jornalísticas. O mesmo ocorre com fotos, que, muitas vezes, são retiradas de contexto e usadas para ilustrar situações às quais não correspondem.

    Mas também há conteúdos falsos que são “criados” de forma inocente, baseados na intenção de proteger pessoas próximas ou espalhar um conhecimento que se acredita importante, mas que talvez não chegue às pessoas. Essas intenções são muito comuns naquelas pessoas que distribuem informações sobre saúde, por exemplo, a pessoas próximas. Também aparecem em casos de teorias conspiratórias, muitas vezes indicadas como “algo que a grande mídia não mostra.” Nesses casos, entende-se que não há intenção direta em prejudicar outras pessoas ou mesmo de favorecer grupos específicos, mas falta de discernimento.

  • 05. Qual a influência das redes sociais na disseminação de fake news?

    As redes sociais funcionam em grupos de afinidades mediados por algoritmos e inteligência artificial (IA), as chamadas bolhas. Este é o modelo de negócios criado pelas redes para identificar mais facilmente as coisas pelas quais as pessoas de apaixonam e entregar para essas pessoas o que elas desejam, de produtos de beleza a livros, de roupas a pacotes de viagens. Apesar de você escolher quem é seu amigo, tudo aquilo que você nas timelines e feeds de suas redes é cuidadosamente escolhido e mediado por algoritmos a partir das suas interações com seus amigos. Os algoritmos escolhem o que é postado por seus amigos de uma forma que aquela interação possa, em algum momento,  resultar numa operação de venda de algum produto. 

    É bom lembrar que afinidades de pensamento também unem as pessoas e essas relações também são mediadas por algoritmos. Os estrategistas políticos e grupos ideológicos usam essas mesmas mediações para entregar mensagens que confirmam determinados vieses de pensamento e até preconceitos ou crenças, por mais absurdas. Cada vez mais, os chamados cientistas políticos dividem espaços nas campanhas eleitorais com analistas e engenheiros de dados. O resultado é o aumento da polarização entre os grupos e, muitas vezes, ameaças ao processo democrático como um todo. 

  • 06. Qual a influência dos aplicativos de mensagem na disseminação de fake news?

    Aplicativos de mensagem de texto, como o WhatsApp e o Telegram, bastante usados no Brasil, têm um papel importante na disseminação de desinformação.  Esses aplicativos foram desenhados, originalmente, para que pessoas se comunicassem individualmente. Depois, em grupos. Por isso, eles usam a criptografia de ponta a ponta, para manter a privacidade dessas conversas, que são entendidas como particulares. Isso quer dizer que quem disponibiliza o aplicativo não vê os conteúdos que circulam nas conversas individuais e nos grupos privados. Sendo assim, não detecta quando há uma peça desinformativa se espalhando através desses canais.

    Porém, antes da eleição de 2018, no Brasil, os grupos, principalmente no WhatsApp, passaram a ser uma ferramenta de difusão de mensagens em massa. A partir de um administrador ou integrante do grupo, uma informação chegava e era repassada pelos integrantes daquele grupo a outro, onde os integrantes faziam o mesmo e, assim, sucessivamente. Atuaram também empresas especializadas em disparar mensagens de WhatsApp para grupos. Dessa forma, funcionavam como se fossem transmitidas por outros meios de broadcasting, como o rádio ou a TV. O problema já foi bastante maior do que o que vemos em 2020, mas isso não significa que os aplicativos perderam o protagonismo nessa discussão.

  • 07. Se a mentira na política sempre existiu, por que se fala hoje em desinformação?

    Historicamente, a desinformação remonta a técnicas usadas em diferentes regimes de governo – totalitários ou não – para distorcer fatos e manipular a opinião pública. Mas a prática ganhou em velocidade por conta da internet e tornou as estratégias de desinformação usando as redes sociais muito mais eficientes e manipuladoras≥ Não há apenas um tipo de desinformação. Estudos realizados pelo First Draft News, entidade americana que pesquisa e atua no tema, indicam que há, ao menos, sete:

    1. Sátira ou paródia: sem intenção de fazer mal, mas com potencial para enganar;
    2. Falsa conexão:  quando as legendas não dão suporte ao conteúdo das imagens;
    3. Conteúdo enganoso: má utilização da informação para levar o indivíduo a uma conclusão diferente da realidade;
    4. Contexto falso: quando o conteúdo verdadeiro é compartilhado com informações falsas contextuais;
    5. Conteúdo impostor: quando fontes verdadeiras são forjadas;
    6. Conteúdo manipulado: quando a informação verdadeira (em texto, áudio ou imagens) é manipulada para enganar, como em montagens e fotos alteradas digitalmente;
    7. Conteúdo fabricado: conteúdo novo, 100% falso, criado para enganar.
  • 08. Por que é importante conferir uma informação antes de passar adiante?

    Para que você não seja mais um numa engrenagem de desinformação que apresenta riscos reais. Qualquer informação falsa é perigosa à medida que seu alcance pode distorcer o que muitas pessoas pensam sobre determinado assunto ou até mesmo provocar ações que as prejudicam de alguma forma. Em casos de saúde pública, por exemplo, como na pandemia de Covid-19, são conhecidos os casos de mortes ocasionados pelo consumo de substâncias que prometiam a cura da doença, como  água sanitária, cloro ou detergente. É importante mencionar que a desinformação, muitas vezes, alimenta ódios e leva os indivíduos a uma ideia de que é possível fazer justiça com as próprias mãos, muitas vezes terminando na morte de inocentes. 

    As fake news também têm impacto na nossa vida em sociedade. Ideias e decisões políticas fundamentadas sobre informações falsas interferem no debate público e em escolhas democráticas. Quando elas são impulsionadas por agentes públicos, com mandato ou não, se tornam uma arma. Muitas vezes, são alimentadas por crenças relacionadas a temas muito polêmicos, como aborto, religião, preconceitos dos mais variados tipos e atribuições de falas a pessoas que não foram responsáveis por elas. Isso leva à destruição de reputações e a crises de imagem difíceis de contornar. 

  • 09. É possível confiar em alguma narrativa, então?

    A produção de conhecimento, seja em ciências exatas ou humanas, segue metodologias científicas sérias que costumam ser verificadas por outros especialistas antes de serem publicadas pela academia ou por institutos de pesquisa. A pesquisa científica e a metodologia acadêmica são os grandes balizadores das discussões em todos os campos, da política à engenharia, que se faz hoje. Há pressupostos e consensos científicos que são pontos de partida para qualquer discussão como, por exemplo, que a Terra é redonda, que o cigarro faz mal à saúde e que o homem influencia na temperatura do planeta. Qualquer tentativa de se relativizar essas verdades comprovadas – e muito comprovadas – cientificamente não passam de mentiras. Não são opiniões. São teorias conspiratórias mentirosas. 

    Então podemos partir de um ponto em que a razão precisa dominar a emoção na análise de um conteúdo. Se estamos falando de números e estatísticas, é preciso confrontá-los com bancos de dados oficiais e confiáveis. Se estamos falando de fatos históricos, é preciso recorrer a registros e documentos históricos, além de historiadores. Se falamos de aspectos legais, é preciso consultar as leis e a Constituição. Correntes de WhatsApp, posts ou perfis de grupos em redes sociais não devem servir de fontes primárias de informação. Há bom e mau jornalismo e é preciso distinguir um do outro. Jornalismo, que é o registro diário dos fatos, também segue uma metodologia e o que separa o bom do mau jornalismo é justamente a existência desta metodologia. 

  • 10. Podemos ser punidos se espalharmos uma fake news?

    O atual projeto de lei 2630, que é conhecido como o “projeto das fake news” chegou a cogitar uma punição para quem cria e compartilha notícias falsas, mas voltou atrás. No entanto, o tema ainda é razão de controvérsias em decisões no Judiciário, que conseguiu suspender vários perfis, acusados de espalhar desinformação e discurso de ódio. 

    Conteúdos falsos de ordem pessoal, uma vez identificadas as fontes, podem ser enquadradas na legislação atual como crimes, como difamação, dano moral, etc., inclusive com pedido de ressarcimento em dinheiro. É preciso deixar claro aqui que, do ponto de vista moral e ético, espalhar desinformação é totalmente condenável.

  • 11. Existem estratégias de manipulação ou desinformação ideológicas e políticas mais usadas?

    Existem. O Centro Europeu de Análises Políticas (Cepa) divulgou um estudo em que ele afirma que a desinformação e a nova propaganda podem assumir muitas formas – desde o uso de imagens falsas ou manchetes enganosas até técnicas de mídia social que criam a impressão de que a “maioria” entende um problema de determinada maneira. Na câmara de eco do moderno espaço de informação, a disseminação da desinformação é tão fácil quanto “curtir”, “tuitar” ou “compartilhar”. 

    Ping pong – É o uso coordenado de sites – ou bots, no caso do Twitter – complementares para colocar uma história em circulação ou um tema nos Trending Topics artificialmente.

    Sem provas – Fatos ou declarações que não são respaldados por provas ou fontes.

    Criação de narrativa – fatos ou afirmações são parcialmente verdadeiras. Isso ocorre quando as informações estão corretas, mas são oferecidas de forma seletiva, ou fatos importantes são omitidos. 

    Fatos e visuais falsos – Fatos ou declarações que são simplesmente inverídicos. Ou imagens manipuladas ou falsificadas. 

    Negar fatos – uma variante dos “fatos falsos”, ocorre quando fatos reais são negados ou injustamente solapados. Os fatos de um evento podem ser relatados, mas é feita uma tentativa de desacreditar sua veracidade. Alternativamente, os fatos podem ser reinterpretados para obter o mesmo efeito: estabelecer dúvidas entre o público sobre a validade de uma história ou narrativa.

    Exagero – este método dramatiza e levanta falsos alarmes  para formar uma conclusão emocionada. 

    O todo pela parte – Um exemplo: retratar as opiniões de um único membro do governo como a visão oficial ou posição de um governo.

    Alteração da citação, fonte ou contexto – Fatos e declarações são relatados de outras fontes, mas agora são diferentes do original ou não levam em consideração as últimas alterações editoriais. 

    Palavras carregadas ou metáforas – usar expressões e metáforas para apoiar uma narrativa falsa ou ocultar uma verdadeira; por exemplo, usar um termo como “morte misteriosa” em vez de “envenenamento” ou “assassinato” para descrever um fato.

    Ridicularizar, desacreditar, diminuir – Marginalizar fatos, declarações ou pessoas por meio de zombaria, xingamentos ou minando sua autoridade. Isso inclui o uso do humor tradicional e de redes sociais, a fim de desacreditar.

    Comparações desonestas – Usando falsas comparações para apoiar uma narrativa pré-fabricada ou justificar ações e políticas; ou seja, “Podemos ser maus, mas outros são tão ruins” ou “A anexação da Crimeia foi como a invasão do Iraque”.  

    Lavagem de narrativa – ocultar e limpar a procedência de uma fonte ou reclamação. Quando um suposto especialista de integridade duvidosa apresenta fatos ou narrativas vagas como verdade. Freqüentemente, isso acontece quando os veículos de propaganda imitam o formato da mídia convencional. Uma técnica comum é apresentar um “especialista” ou “estudioso” convidado em um programa de TV cujo fato ou narrativa falsa pode ser reempacotada para distribuição mais ampla, sem revelar o nome/fonte. Por exemplo, “A mídia austríaca escreve que…” ou “Um conhecido especialista político alemão diz que…”

    Ouvindo o “outro lado” – isso acontece quando os meios de comunicação convencionais tentam “equilibrar” suas reportagens apresentando propagandistas profissionais ou falsos jornalistas/especialistas. O efeito é injetar uma notícia ou debate legítimo com fatos e narrativas falsas. Essa técnica é comum em formatos televisivos, que apresentam debates ponto-contraponto. 

    Apresentando a opinião como um fato (e vice-versa) – Uma opinião é apresentada como um fato para avançar ou desacreditar uma narrativa.

    Teorias da conspiração – Empregar rumores, mitos ou alegações de conspiração para distrair ou desanimar o público. Os exemplos incluem: “A OTAN quer invadir a Rússia;” “A China criou o novo coronavírus” ou “Torres da banda 5G transmitem a Covid-19″. Uma variação desta técnica é conspirar ao contrário, ou seja, tratar como conspiração uma notícia factual.

  • 12. O que é checagem de fatos?

    A checagem de fatos – ou fact-checking – é uma técnica jornalística que, nos anos 1990, se converteu em um gênero jornalístico. Ela não é a opinião do jornalista checador, mas consiste na verificação das informações ditas por alguém a partir de bases de dados públicos. Assim, é possível estabelecer se as informações propagadas são ou não verdadeiras, ou seja, se estão amparadas na realidade e nos fatos objetivos. Dessa forma, se atribui etiquetas de classificação a essas informações, de acordo com seu grau de veracidade. Por isso, é comum nos textos publicados pelas plataformas de checagem que se veja uma sinalização direta, indicando se a informação é falsa, verdadeira, exagerada etc.

    Não é possível checar toda e qualquer informação que circula por aí, tenha ela partido de pessoas públicas ou seja um boato viral em redes sociais. Só é possível checar dados e fatos objetivos – ou seja, informações estatísticas, comparações numéricas ou de grandeza, afirmações feitas por alguém, dados históricos e legalidades. Não é possível atribuir etiquetas a opiniões, a conceitos muito amplos (que levem muitos fatores em consideração) e nem coisas que ainda não aconteceram.

  • 13. O que é a Agência Lupa?

    A Lupa é a primeira agência de notícias do Brasil a se especializar na técnica jornalística mundialmente conhecida como fact-checking e foi fundada em 1º de novembro de 2015. Seu plano de negócios começou a ser montado em fevereiro daquele ano e, desde novembro, quando abriu sua redação no Rio de Janeiro, a Lupa acompanha o noticiário de política, economia, cidade, cultura, educação, saúde e relações internacionais, buscando corrigir informações imprecisas e divulgar dados corretos. O resultado desse trabalho – ou seja, as checagens em si – é vendido a outros veículos de comunicação e também publicado no próprio site da agência.

    Desde sua criação, a Lupa já produziu checagens em formato de texto, áudio e vídeo. Divulgou verificações em jornais, revistas, rádios, sites, canais de televisão e redes sociais. Tanto no Brasil quanto no exterior. Este ano, a Lupa se reinventa e se transforma num hub de combate à desinformação com vários produtos em vários formatos: de checagens tradicionais  vendidas a outras mídias a projetos de educação em parcerias com fundações até a prestação de serviços terceirizados de checagens para redações e empresas. 

  • 14. O que é alfabetização midiática - ou media literacy - e por que ela é tão importante?

    A alfabetização midiática  é a capacidade de identificar diferentes tipos de mídia e compreender as mensagens que estão recebendo. As crianças recebem uma grande quantidade de informações de fontes diversas, muito além da mídia tradicional (TV, rádio, jornais e revistas). Existem mensagens de texto, memes, vídeos virais, mídia social, videogames, publicidade e muito mais. Mas todas os conteúdos de mídia possuem algo em comum: alguém o criou. E foi criado por uma razão. Compreender essa razão é a base da alfabetização midiática. 

    A era digital tornou mais fácil para qualquer pessoa criar conteúdos e virar, ela própria,  uma mídia. Nem sempre sabemos quem criou algo, por que o fez e se é confiável. Isso torna a alfabetização midiática difícil de aprender e de ensinar. No entanto, a alfabetização midiática é uma habilidade essencial na era digital.

  • 15. Que perguntas podem ser feitas para desenvolver o pensamento crítico?

    Quem criou isso? Foi uma empresa? Foi um indivíduo? (Se sim, quem?) Era um comediante? Foi um artista? Foi uma fonte anônima? Por que você pensa assim?

    Por que criaram isso? Foi para informá-lo de algo que aconteceu no mundo (por exemplo, uma notícia)? Foi para mudar sua mente ou comportamento (um ensaio de opinião ou um tutorial)? Foi para te fazer rir (um meme engraçado)? Era para fazer você comprar algo (um anúncio)? Por que você pensa assim?

    Para quem é a mensagem? É para crianças? Adultos? Meninas? Rapazes? Pessoas que compartilham um interesse particular? Por que você pensa assim?

    Que técnicas estão sendo usadas para tornar esta mensagem verossímil? Possui estatísticas de uma fonte confiável? Ele contém citações de um especialista no assunto? Tem uma voz off que soa autoritária? Há evidência direta das afirmações que se fez? Por que você pensa assim?

    Há detalhes omitidos e por quê? A informação é equilibrada com visões diferentes – ou apresenta apenas um lado? Você precisa de mais informações para entender totalmente a mensagem? Por que você pensa assim?

    Como você se sentiu com a mensagem? Você acha que outras pessoas podem se sentir da mesma maneira? Todos sentiriam o mesmo ou certas pessoas discordariam de você? Por que você pensa assim?