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Saiba como foi a Maratona Piauí

27maio2017_10h39
Paula Miraglia (no centro), do Nexo Jornal, conversa com Fernando de Barros e Silva, diretor da revista piauí, e Julia Duailibi, repórter.
Paula Miraglia (no centro), do Nexo Jornal, conversa com Fernando de Barros e Silva, diretor da revista piauí, e Julia Duailibi, repórter. FOTO: JOÃO BRIZZI

Seis nomes do jornalismo independente no Brasil reuniram-se nesse sábado, 27, no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, durante a primeira edição da Maratona Piauí. Agência Lupa, Ponte Jornalismo, Nexo Jornal, Quatro cinco um, Jota e The Intercept Brasil participaram de mesas com mediação dos jornalistas da piauí.

A Lupa abriu a programação do dia. A diretora Cristina Tardáguila conversou com as jornalistas da piauí Luiza Miguez e Paula Scarpin sobre o trabalho da agência, pioneira na checagem de fatos no país. Tardáguila explicou que a agência segue padrões internacionais de checagem, que inclui ter uma política clara de correção, transparência de financiamento e de transparência de fontes de informação.

Fausto Salvadori representou a Ponte no segundo painel do dia, mediado pelos editores da piauí Rafael Cariello (revista) e Leandro Demori (site) . “Queremos que o conteúdo não seja limitado e seja gratuito para o maior número de pessoas”, contou o jornalista. A Ponte tenta modelos alternativos de financiamento, como campanhas de crowdfunding. “Não gostávamos de chefes, queríamos um modelo sem eles. Temos um modelo horizontal , mas com divisão de funções”, explicou. “De certo sentido, somos bem quadrados. Não somos anti-mídia. Não temos a visão da grande mídia má e pequena mídia, boa”.

No terceiro painel do dia, a sócia do Nexo Paula Miraglia debateu modelos de financiamento da operação jornalística com Fernando de Barros e Silva, diretor da piauí, e Julia Duailibi, repórter, que mediaram a conversa . “Percebemos que ter publicidade no site nos traria mais custos”. O Nexo tem conteúdo fechado para assinantes, com uma cota mensal de textos que são gratuitos.

“O Nexo não seria viável sem as redes sociais. Por outro lado, pensamos sempre em outros canais de distribuição”, disse. O site trabalha, por exemplo, com newsletters. O norte do Nexo é ter contextualizar as notícias diárias. “Somos complementares aos outros jornais. Não nascemos com a pretensão de substitui-los. Isso inviabilizaria o negócio”.

A recém nascida revista ‘Quatro cinco um’, dedicada à literatura, foi o tema do quarto painel do dia. Os jornalistas da piauí Alejandro Chacoff e Armando Antenore conduziram o papo com  o editor Paulo Werneck, que esclareceu a proposta do projeto.“A gente não queria repetir algo que já fosse oferecido em termos de formato”. Para Werneck, as resenhas de livros escassearam das revistas e jornais, e a ‘Quatro cinco um’ traz de volta. A publicação começou a ser vendida no último mês em livrarias em vários pontos do Brasil e também pode ser assinada. Assinantes da revista piauí recebem como brinde durante seis meses. O projeto, no entanto, não pertence à piauí e tem redação própria. Na página da ‘Quatro cinco um’ no Facebook, há informações sobre pontos de venda.O Twitter é uma ferramenta essencial na cobertura diária do Jota. “Os repórteres têm a senha do perfil e, se acontece algo importante, não precisam enviar a informação para alguém na redação publicar na rede social”, explica Laura Diniz, sócia-fundadora do portal, durante a mesa mediada pelos jornalistas Consuelo Dieguez e Roberto Kaz. A estreia do Jota, inclusive, se deu pelo Twitter. O projeto nasceu no fim de 2014 com a ideia de ser uma ferramenta de trabalho para os advogados no dia a dia. Hoje, o site tem diferentes produtos voltados tanto para público nichado, interessado em questões tributárias, quanto para leitores comuns em geral.

Fechando a programação da Maratona Piauí, Andrew Fishman, do The Intercept Brasil, conversou com os jornalistas da piauí Bernardo Esteves e Daniela Pinheiro. Ele explicou que o site não tem linha editorial, mas “princípios jornalísticos”. “Acreditamos que o jornalismo deve ser destemido”.

A redação no Brasil conta com sete pessoas. “A ideia é criar um veículo brasileiro”. Ele comentou também a percepção do público sobre o projeto. “No início, surgiu uma ideia de que éramos ligados ao PT, e isso é um sintoma do ecossistema da mídia que existe no Brasil, em que sites independentes são ligados a partidos”.

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