questões ambientais

A chicana

Uma floresta contra o autódromo de Crivella e Bolsonaro

Roberto Kaz
Na licitação vencida por JR Pereira para construir o autódromo, sua empresa torna-se dona de 41,7% da Floresta do Camboatá. “Tem o pensamento de erguer uns prédios para o Exército? Tem, não vou mentir”, disse Pereira. “Mas tem outros projetos, como moradia para o Minha Casa Minha Vida”
Na licitação vencida por JR Pereira para construir o autódromo, sua empresa torna-se dona de 41,7% da Floresta do Camboatá. “Tem o pensamento de erguer uns prédios para o Exército? Tem, não vou mentir”, disse Pereira. “Mas tem outros projetos, como moradia para o Minha Casa Minha Vida” CRÉDITO: GUSTAVO PEDRO_2019

“Olha só, um rastro de mão-pelada. É um bichinho noturno, tipo guaxinim”, explicou o ambientalista Felipe Candido enquanto apontava para o solo. “Deve ser recente, talvez de ontem.” Em seguida, caminhou até uma árvore jovem, de tronco fino, com uns 2 metros de altura. “Isso é um jacarandá-da-baía, que está em extinção. Cada vez que venho aqui, está um pouco maior.” Tirou o celular do bolso e bateu uma selfie junto da planta. “Lá na frente tem outra árvore, uma baraúna. É proibido cortá-la.”

Naquela manhã de agosto, Candido vestiu uma bermuda cáqui e uma jaqueta camuflada para se embrenhar na Floresta do Camboatá – um naco de Mata Atlântica vigiado pelo Exército, no subúrbio carioca de Deodoro, onde a Prefeitura do Rio de Janeiro planeja construir um autódromo. “Os militares chamam aquilo ali de Camboja do Brasil, por causa da vegetação”, continuou, indicando uma área pantanosa, em que nadava uma capivara. “Já vi jacaré por lá. Mas faz muito frio hoje, eles devem estar agrupados.”

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Roberto Kaz

Roberto Kaz

Repórter da piauí, é autor do Livro dos Bichos, pela Companhia das Letras

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