diário

A consciência atrelada à carne

Quem dera eu pudesse encarar o sexo da mesma forma como encaro a escrita

Susan Sontag 
Susan Sontag aos 38 anos. Ela gostava de Bach, sushi, cachorros peludos, suéteres; não gostava de Ezra Pound, comida alemã, homens peludos
Susan Sontag aos 38 anos. Ela gostava de Bach, sushi, cachorros peludos, suéteres; não gostava de Ezra Pound, comida alemã, homens peludos FOTO:ROGER VIOLLET_1971_GLOWIMAGES

Ensaísta, dramaturga, ficcionista e diretora de cinema, a americana Susan Sontag começou a escrever um diário aos 15 anos, e só o abandonou pouco antes de morrer, aos 71, em 2004. Suas anotações são concentradas, às vezes elípticas, e de uma agudeza a toda prova. É com objetividade e distanciamento, querendo compreender a si mesma, que ela relata a sua relação com a mãe e o filho, seus amores, inquietudes existenciais e problemas artísticos e intelectuais. Os trechos a seguir foram tirados do segundo volume dos diários, As Consciousness Is Harnessed to Flesh: Journals and Notebooks, 1964-1980 [Como a Consciência É Atrelada à Carne], publicado há pouco nos Estados Unidos

20 DE AGOSTO DE 1964_Tipo corporal [Sontag faz sua autodescrição]:

. Alta

. Pressão sanguínea baixa



. Precisa dormir muito

. Desejo forte e repentino de ingerir açúcar puro (mas não gosta de sobremesas)

. Intolerância à bebida alcoólica

. Fuma muito

. Tendência à anemia

. Desejo forte de ingerir proteína

. Asma

. Enxaqueca

. Estômago excelente – sem azia, prisão de ventre etc.

. Cólicas menstruais irrisórias

. Cansa depressa se fica de pé

. Gosta de alturas

. Aprecia ver pessoas deformadas (voyeurismo)

. Rói as unhas

. Range os dentes

. Miopia, astigmatismo

. Friorenta (muito sensível ao frio e também a verões quentes)

. Não muito sensível a barulho (grau elevado de foco auditivo)

 

1º DE NOVEMBRO_Como escritora, tolero o erro, um desempenho fraco, o fracasso. Então, o que importa que eu às vezes fracasse, que um conto ou um ensaio não seja bom? Às vezes as coisas andam bem de fato, o trabalho é bom. E isso basta.

É exatamente essa atitude que não tenho em relação ao sexo. Não suporto o erro, o fracasso – portanto fico ansiosa desde o início e, portanto, é maior a probabilidade de fracassar. Pois não tenho a confiança de que, durante uma parte do tempo (sem que eu force nada), será bom.

Quem dera eu pudesse encarar o sexo da mesma forma como encaro a escrita! Que eu sou o veículo, o meio, o instrumento de uma força que está fora de mim.

 

22 DE NOVEMBRO_Ressurreições (na literatura):

Osamu Dazai: Não Humano, Pôr do Sol

[Jan Potocki] O Manuscrito de Saragoça

[Ghislain de Diesbach] Os brinquedos da princesa

[Machado de Assis] Memórias Póstumas de Brás Cubas

[Witold Gombrowicz] Ferdydurke

[Stendhal] Armance

[Knut Hamsun] Pan

 

PARIS, 16 DE JULHO DE 1965_Não aprendi a mobilizar a raiva – pratico ações militantes, sem um sentimento militante.

Nunca telefono a ninguém; eu só pediria a alguém que está saindo de meu apartamento que ponha uma carta no correio para mim se não houvesse outro jeito.

Não espero que ninguém faça nada por mim – quero fazer tudo eu mesma, ou se deixo alguém cumprir a função de meu agente em algum assunto, eu me conformo (de antemão) com a ideia de que isso não será feito nunca.

As manhãs estão úmidas.

Pessoas são de papelão, egoístas – mas não importa, consigo suportar. “Não é nada pessoal da parte deles.”

Nos últimos dois dias, estou me deteriorando – murchando, ficando seca, reservada?

Fervendo de rancor. Mas não me atrevo a mostrar.

Nenhuma imagem do futuro.

Não quero saber de devaneios. Pois sim! E ficar alimentando demais minhas esperanças?

 

TÂNGER, 6 DE SETEMBRO_Durante um ano (aos 13 anos de idade) andei o tempo todo com as Meditações de Marco Aurélio no bolso. Tinha medo de morrer – + só esse livro me trazia algum consolo, alguma coragem. Eu queria ter o livro comigo, poder tocá-lo no momento de minha morte.

 

8 DE NOVEMBRO_Ao longo de dois terços de O Canteiro de Batatas de Greta Garbo [peça de John Roy Sullivan] tive vontade de ser Garbo. (Eu a estudava, queria assimilar, aprender seus gestos, sentir como ela sentia.) Então, já mais para o fim, comecei a desejá-la, a pensar nela sexualmente, a querer possuí-la. O desejo seguiu-se à admiração – à medida que se aproximava o fim de minha visão dela. A continuação de minha homossexualidade?

 

12 DE NOVEMBRO_Um problema: a magreza da minha escrita – ela é esquálida, sentença por sentença – muito arquitetural, discursiva.

 

20 DE NOVEMBRO_A função da chatice. Bom + ruim.

Schopenhauer foi o primeiro escritor importante a falar sobre a chatice (nos seus Ensaios) – equipara-a à “dor” como um dos males gêmeos da vida (dor de não ter, chatice de ter – uma questão de afluência).

As pessoas dizem “é chato” – como se houvesse um patamar para o apelo, e nenhuma obra de arte tivesse o direito de ser chata.

Mas a maior parte da arte interessante de nosso tempo é chata. Jasper Johns é chato. Beckett é chato, Robbe-Grillet é chato. Etc. etc.

Talvez a arte tenha que ser chata, hoje. (O que obviamente não significa que a arte chata seja necessariamente boa – obviamente.)

Não deveríamos esperar mais que a arte entretenha ou divirta. Ao menos a grande arte.

[Norman] Mailer diz que quer que o que escreve mude a consciência do tempo em que vive. O mesmo vale para D. H. L. [D. H. Lawrence], óbvio.

Eu não quero isso da minha arte – ao menos não em termos de algum ponto de vista particular, ou visão ou mensagem que esteja tentando transmitir.

Textos são objetos. Quero que eles afetem os leitores – mas de qualquer jeito possível. Não há uma maneira correta de experimentar o que escrevi.

Não estou “dizendo algo”. Estou permitindo que “algo” tenha uma voz, uma existência independente (uma existência independente de mim mesma).

 

24 DE NOVEMBRO_Acordo toda noite por volta das duas ou três da manhã. The New York Times é meu amante.

 

26 DE NOVEMBRO_A inteligência não é necessariamente uma coisa boa, algo a se prezar ou cultivar. É mais como uma quinta roda – necessária ou desejável quando as coisas furam. Quando as coisas vão bem, é melhor ser estúpido… A estupidez tem tanto valor quanto a inteligência.

 

22 DE DEZEMBRO_Fiz uma regra quando tinha 13 anos: não sonhar acordada.

 

4 DE JANEIRO DE 1966_Não sou ambiciosa porque sou complacente. Aos 5 anos, anunciei a Mabel [a empregada da casa] que ganharia o Prêmio Nobel. Eu sabia que seria reconhecida. A vida era um elevador, e não uma escada. E também soube – quando os anos se passaram – que não era esperta o bastante para ser Schopenhauer ou Nietzsche ou Wittgenstein ou Sartre ou Simone Weil. Meu objetivo era estar na companhia deles, como uma discípula; trabalhar no mesmo nível que eles. Eu sabia que tinha – que tenho – uma mente boa, e até mesmo poderosa. Sou boa em entender as coisas – + ordená-las – + usá-las. (Minha mente cartográfica.) Mas não sou um gênio. Sempre soube disso.

Minha mente não é boa o bastante, não é realmente de primeira linha. E meu caráter, minha sensibilidade, em última instância é muito convencional.

Ressinto-me de não ser um gênio? Fico triste com isso? Estaria disposta a pagar o preço para tanto? Penso que o preço é a solidão, uma vida desumana como a que levo hoje, esperando que seja temporária.

Mas porque quero – e como isso é bom – é pressionar a minha sensibilidade para além + além, afiando a minha mente. Tornando-me mais única, excêntrica.

Ambição espiritual? Vaidade? Desisti das satisfações humanas (exceto em relação a David [o seu filho único, então com 13 anos])?

 

PRAGA, 23 DE SETEMBRO_Tornar-se famosa – para ter acesso às pessoas, não estar só.

Estou “próxima” demais de David, no sentido que me identifico com ele. Quando fico muito tempo com ele, perco o sentido da minha idade; aceito os limites do mundo dele (sem sexualidade, timidez etc.).

Preciso aprender a ser só – e o que descobri é que estar com David não é estar só (a despeito da minha solidão aguda). É um universo completo em si mesmo, ao qual me ajusto. Com David, torno-me uma pessoa diferente de quando estou só.

Quando estou só – depois de um tempo – começo a olhar as pessoas. Com David isso não acontece. (Ele me inibe? Ele me distrai?)

 

10 DE AGOSTO DE 1967_Mãe:

Minha extrema ansiedade + medo de que ela envelheça, pareça velha – ao mesmo tempo, eu até desejava morrer primeiro, porque não conseguiria suportar ver isso – Seria algo meio “obsceno”.

Por que isso era tão terrível? Para começar, porque sua beleza era a única qualidade que eu admirava de forma autêntica. Quando eu lhe dizia como era linda, estava falando sério. E eu ficava tão feliz, tão grata de poder, ao menos uma vez, dizer para ela alguma coisa que eu sentia de verdade e com todo o coração.

E também porque senti de maneira obscura que eu seria culpada. Minha existência sempre tinha sido um tanto dolorosa para ela, nesse aspecto – se eu tinha, digamos, 10 anos de idade + filha dela, isso traçava um certo limite para o papel de Dorian Gray. (Como ela – e também eu, em parte – adorava quando achavam, como acontecia muitas vezes, que éramos irmãs.) E se ela ficasse triste por algum motivo, a culpa só podia ser minha. Ela fizera de mim – e eu aceitara essa delegação – a autora da sua felicidade. (Ao me deixar saber que ela não amava Judith [a irmã mais nova de Susan], ao me fazer sentir que ela não amava o papai. Só existia a mãe dela – e ela chorava a qualquer menção de sua mãe – e eu.)

Minha mãe voltou da China quando eu tinha quase, ou exatamente, 6 anos. Uma mulher trágica, uma Níobe, uma baixa na vida. E eu fui eleita para lhe dar amparo, lhe fazer transfusões, mantê-la viva durante minha infância.

Como eu faria isso? Sendo amiga dela. (Sacrificando minha própria infância, minha necessidade de aprender, de ser independente: me tornando adulta, logo de saída.) Agradando minha mãe.

Eu era o pulmão de ferro de minha mãe. Eu era a mãe de minha mãe. E minha mãe me incumbiu de ser também a mãe de Judith. Sentia-me lisonjeada ao ver que minha mãe me confiava uma tarefa tão adulta, feliz + triunfante por ter vencido minha irmã de forma tão cabal na competição pelo amor de minha mãe, e culpada com a extensão do meu triunfo (como se eu tivesse levado minha mãe a não amar minha irmã – como se eu a tivesse seduzido para que não amasse Judith – ao ser mais inteligente, mais interessante; ao saber como lisonjear minha mãe), tinha pena de Judith e, em algum ponto, era profundamente crítica a respeito de minha mãe por sua falta de sensibilidade + injustiça com Judith. Portanto tentei me aproximar de Judith + ficar amiga dela. Mas não deu certo.

Minha mãe sempre me “coagia” a inocentá-la por ser uma mãe negligente ou sem generosidade, ficando “infeliz”. Cansada o tempo todo. Será que nessa época ela já bebia + tomava pílulas?

A sombra da mãe dela. Como se, ao continuar chorando pela morte da mãe, depois de tantos anos, M. estivesse me dizendo: eu sou uma criança, tenho 14 anos (apesar de parecer mais velha). Não sou uma mulher, não sou uma mãe. E fui a sucessora da mãe de minha mãe. (Tenho até o mesmo nome dela.) Assumi a função exatamente no mesmo ponto em que ela se foi, quando morreu. Minha mãe continua a ser uma menina jovem e infeliz. Eu tenho de criá-la. (Empregando grandes habilidades de manipulação – a fim de salvá-la da humilhação de saber que é isso que estou fazendo, que é isso que ela quer que eu faça –, para poupar um pouco de mim para mim mesma, sem me contaminar com as tentativas frustradas de “compartilhar”, com mentiras, com adulteração.)

Tenho medo de minha mãe – medo de sua severidade, sua frieza (raiva fria – o chacoalhar da xícara de café); em última análise, é claro, tenho medo de que ela simplesmente sofra um colapso, desmaie na minha frente, nunca mais saia da cama. Qualquer pai ou mãe, qualquer afeição (embora eu tenha aceitado um contato fraudulento a fim de obter isso) é melhor do que nenhuma afeição.

Meu projeto supremo: mantê-la à tona, viva. Meus meios: declarações ilimitadas de que eu a admiro e a amo, além de repetidos rituais de depreciação de meu próprio valor. (Confesso, diante das repreensões dela, que sou fria + sem coração + egoísta. Choramos juntas porque sou muito má, depois ela sorri + abraça + me beija + vou para a cama. Obtive o que desejava. Também me sinto suja, insatisfeita, degradada.)

A fim de mantê-la viva, também tenho de entretê-la, distraí-la de um conhecimento pleno de seu infortúnio. (Como um pai que balança uma bugiganga qualquer diante de uma criança que começa a chorar.) Observando seu narcisismo, que também me repele, eu o estimulo, o alimento com lisonjas. Durante todo o tempo, a observo com ansiedade para ver se minhas palavras estão produzindo o efeito desejado, se estou tendo êxito na missão de alegrá-la.

Mas é claro, ao mesmo tempo, também detesto o narcisismo dela. Significa envolvimento consigo mesma e não comigo – portanto, rejeição de mim. Sinto desprezo por ela por ser tão fraca que se importa com a maneira como é vista pelos “outros” – tanto assim que dedica muito tempo a se lavar, se maquiar, se vestir etc. Sinto-me superior a ela porque sou completamente indiferente a essas coisas – e juro que serei sempre assim. Vou ser um tipo de mulher completamente diferente. Eu a desprezo pelo prazer que sente com a minha admiração. Ela não me vê. Será que não enxerga que quero alguma coisa dela? (Muito embora eu também esteja sendo sincera.)

Mais tarde – na minha adolescência –, comecei a sentir-me mais dividida a respeito de minha mãe continuar linda, continuar com uma aparência muito mais jovem do que sua idade cronológica. Ainda me orgulho dela, me vanglorio dela com as amigas, mas em segredo está virando uma coisa “repugnante” para mim. Mais um exemplo de fraude/mentira. A mentira capital sobre + o que ela é. Desejo muito que ela envelheça + perca sua boa aparência, como todo mundo. Pare de ser excepcional, assim poderei parar de julgá-la por critérios especiais (lenientes).

Mas tenho medo de minha mãe, e ela também tem medo de mim. Num plano mais específico, medo do meu julgamento. Medo de que eu a julgue burra, sem cultura (escondendo a revista feminina Redbook embaixo do cobertor quando entro no quarto para lhe dar um beijo de boa noite), glamorosa, moralmente falha.

E eu, servil, faço o melhor que posso para não olhar, não registrar na consciência ou sequer usar de forma consciente contra ela aquilo que vejo, ou (pelo menos) não deixar que ela se torne [consciente] disso + quando vejo.

Porém há mais uma coisa. Difícil definir. Como se fossem poderes mágicos que minha mãe me atribuiu – com a compreensão de que, se eu me privar deles, ela vai morrer. Tenho de persistir, alimentá-la, mimá-la.

Meu próprio envelhecimento: o fato de eu parecer muito mais jovem do que sou parece:

. Uma imitação de minha mãe – parte da escravidão servil a ela. Minha mãe define os critérios.

. Como se eu ainda mantivesse a promessa secreta de protegê-la – de que vou mentir sobre sua idade, ajudá-la a parecer jovem (que maneira melhor existe para decretar que ela é mais jovem e que eu sou mais jovem do que sou?).

. Como se fosse uma maldição de minha mãe (detesto qualquer coisa em mim – sobretudo coisas físicas – que pareçam com ela). Eu sentia meu tumor + a possibilidade de uma histerectomia, como se fosse um pedido dela, um legado dela, uma maldição dela – parte da razão por que fiquei tão deprimida com isso.

. Como se traísse minha mãe – por eu parecer mais jovem quando isso não traz nenhum benefício para ela. Agora ela está envelhecendo + aparenta isso; mas eu não, continuo jovem – aumento a diferença de idade que existe entre nós.

. Como se ela tivesse preparado uma armadilha para mim – e agora as pessoas acham que eu e David + eu sou a irmã + ele, o irmão, + isso me agrada imensamente, me deixa animada. E me lembro dela – + me vanglorio de minha idade, introduzo o número nas conversas quando não existe a menor necessidade, acrescento um ano à idade de David quando falo dele – e que prazer diante da surpresa (lisonja?) no rosto das pessoas. Então posso sentir que não sou como ela – não sou fraca, narcisista –, mas também tenho medo de ser assim, na verdade.

Minha tarefa: impedir que minha mãe veja a si mesma de verdade. Avaliando que se trata de um conhecimento que ela não conseguiria suportar. Portanto, estimulo sua tolice – depois de tê-la diagnosticado. O tempo todo, então, sabendo – até onde eu sabia – que eu mesma era muito mais forte do que ela. (A mais forte é aquela que sabe mais, que consegue ver mais.)

Mas ao mesmo tempo sendo tão fraca. Duplamente fraca porque 1) eu era criança e 2) eu tinha me privado das defesas naturais de uma criança – a desinibição, expressões de agressividade + frustração, ataques de raiva etc. Eu me havia desarmado pelo meu próprio olhar. (Tinha visto demais – a fraqueza dela, sua falta de autoestima, a fraqueza do seu ego.) Seria cruel demais tirar vantagem dela com base no que tinha visto. Além disso, tentava ser sua protetora. Não era essa a promessa que tinha feito a mim mesma por motivos abnegados? Parecia ser minha melhor oportunidade de obter algum amor + alguma atenção.

Portanto, destruir minha mãe – derrubá-la – frustraria meu intuito, que era elevá-la.

E eu não tinha prometido ser adulta – ela dizia que não gostava de crianças – o que significava que eu me privara dos direitos de exprimir necessidades “de criança” ou de repreendê-la por “me decepcionar” no papel de mãe.

Eu a temia – a tratava com condescendência – ela sentia medo de mim – eu me agarrava a ela a fim de ficar “menor”, esconder-me mais para não dar a impressão de que a ameaçava – fazendo isso, a desprezava e desprezava a mim mesma (por minha covardia, minha carência, minhas mentiras) – ela ficava mais próxima de mim – depois eu recuava, rumo a meus prazeres privados (a mente, minhas fantasias, livros, meus projetos) –, então ela me censurava por ser velha + ter coração duro + egoísta – então eu era dominada pela culpa + remorso por ter-me esquecido de mim mesma (!), por ter decepcionado minha mãe – então uma orgia de críticas temerosas de mim mesma + minhas promessas de me aprimorar – ela me perdoa, fico feliz, me sinto bem, dou início ao meu programa de “ser boa” (dar mais atenção a ela, fabricando um eu do qual ela possa gostar) – mas as recompensas por isso não são tão grandes quanto eu esperava, ou fiquei cansada delas – minha atenção esmorece ou eu me distraio ou fico metida e “fresca” – então ela fica furiosamente zangada, me dá um tapa, bate a porta na minha cara, fica sem falar comigo durante dias – fico agoniada, em geral não compreendo direito o que foi que fiz, isto é, por que ela está tão furiosa, mas muitas vezes ela me faz esperar em tormentos + suspense durante horas ou dias – então, muitas vezes de forma bastante arbitrária, isso parece terminar – eu nunca tinha a impressão de que podia comovê-la (motivo por que abri mão de ataques de raiva numa idade tão precoce – eles não me levavam a lugar nenhum). Só ela podia abolir sua raiva, no momento em que misteriosamente isso lhe agradava. Portanto, a raiva era uma emoção que eu podia influenciar mediante meus ardis e minhas manipulações de mim mesma + dela. A raiva tinha uma vida própria. Portanto, sua raiva era algo que eu sempre devia evitar. (A minha raiva, eu sabia de antemão que carecia totalmente de eficácia!) Qualquer coisa, menos a raiva – qualquer substituto, qualquer desonestidade. Porém, eu continuava a sentir um medo terrível dela – daquelas raivas em geral inexplicáveis. (Eu sabia que eu devia ter provocado sua raiva, mas nunca era essa a minha intenção – eu tinha a sensação de ter sido descuidada, desatenta, burra por um momento, eu havia vacilado, era como um erro; da próxima vez eu tomaria mais cuidado.)

Além disso, eu me desprezava por causa de meu medo da raiva de minha mãe. Por causa de meu choro incontrolável + chorar quando ela erguia a mão para me bater. (Minhas fantasias durante a guerra de ser capturada pelos nazistas ou pelos japoneses e ficar firme + estoica durante a tortura. O estoicismo, eu o cultivava para as injeções semanais + quando eu ficava de cama com asma – um bálsamo para minha autoestima estropiada. Eu era corajosa, conseguia aguentar.)

No fundo, não sinto que minha mãe sequer gostasse de mim. Como poderia? Ela nem me “via”. Ela acreditava no que eu lhe mostrava de mim mesma (aquela versão cuidadosamente remendada). Eu sentia que ela precisava de mim, só isso. Em face de suas repetidas ausências e viagens, eu estimulava isso; eu me empenhava para criar para ela um eu de que ela pudesse precisar, alguém em quem pudesse confiar cada vez mais. Parte do tempo, bem entendido. Em outros momentos, ela parecia não precisar de mim nem um pouco + eu ficava arrasada de vergonha, com uma sensação de humilhação diante de minha própria presunção. E, em outros momentos, quando precisava de mim sem que eu tivesse tentado provocar nada nela, eu me sentia oprimida; tentava me esquivar, fingia não perceber seu apelo.

Uma das coisas que achava que agradavam minha mãe era uma admiração erótica. Ela brincava de flertar comigo, de me excitar; eu brincava de ficar excitada (+ ficava excitada com ela também). Portanto eu lhe agradava – e de certo modo eu triunfava sobre os namorados no quintal que pediam o tempo dela, quando não seu sentimento profundo (como ela me dizia repetidas vezes). Ela era “feminina” comigo; eu fazia com ela o papel de rapaz tímido e amoroso; os namorados eram brutos. Também brincava de estar apaixonada por ela (como quando eu copiava coisas do livro infantil O Pequeno Lorde, que li aos 8 ou 9 anos, assim como chamá-la de “querida”).

De certa forma, eu era também a mãe de minha mãe (e de minha irmã), desde uma idade precoce – 10 anos, mais ou menos – eu tinha uma forte fantasia compensadora; a minha futura condição de mãe.

Eu ia ter um filho – David. Eu ia ser uma mãe de verdade. E chega de filhas. Era uma fantasia de sair da infância, atingir a verdadeira idade adulta; liberdade. E também uma fantasia de parir a mim mesma – eu era eu mesma e também a mãe (uma boa mãe) e a linda criança satisfeita.

PARIS, 4 DE FEVEREIRO DE 1970_O desejo de tocar/ser tocada. Sinto-me grata quando toco alguém – assim como afeição etc. A pessoa me permitiu provar que tenho um corpo – e que existem corpos no mundo.

 

10 DE FEVEREIRO_Não tenho tantas opções como pensei – de fato, só duas: extirpar o sentimento, dizer para ela [Carlotta, sua namorada na época] ir para o inferno – ou jouer le jeu [jogar limpo].

É claro, será a segunda. A idade da inocência terminou.

Isso não é o fim da história. É apenas o início da fase 3.

A fase 1 foi em julho e agosto: paixão, esperança, desejo. A fase 2 vai do meu regresso a Nova York no dia 2 de setembro até a última semana, em Paris: desejo intensificado, obsessão, sofrimento, paralisia do trabalho, castidade mágica, inocência (ainda), alegria com o sentimento de ser amada, esperar com paciência que comece nossa vida juntas.

Agora a fase 3. A hora de jogar limpo. Carlotta não pode ser o centro de minha vida, só (talvez) parte de um centro plural que inclua o trabalho, os amigos, outros casos. Devo conceder a ela a liberdade de ficar comigo quando quiser e depois ir embora de novo. Tenho de aprender a usar, e desfrutar de forma genuína, a liberdade que tal situação me permite.

Tenho de me mostrar forte – o que significa que devo ser forte de verdade. Não devo oferecer a ela meu sofrimento, meu desejo, como prova de meu amor. Não devo sequer lhe dizer tantas vezes que a amo. Não devo tentar persuadi-la com palavras de que será bom para ela ficar comigo. (Isso desperta nela o temor da dependência.) Não devo pedir que ela me dê segurança, dizer que me ama. Não devo perguntar quando ela virá a Nova York, apenas [dizer] que espero que venha.

15 DE FEVEREIRO_Qualidades que me excitam (alguém que eu amo tem de ter pelo menos duas ou três):

1. Inteligência

2. Beleza, elegância

3. Douceur [doçura]

4. Glamour, celebridade

5. Força

6.Vitalidade; entusiasmo sexual; alegria; charme

7. Expressividade emocional, ternura (verbal, física), afetividade.

Uma grande descoberta (embaraçosa) nos últimos anos foi a que ponto sou suscetível ao item 4 – Jasper [Johns] – até Dick Goodwin [escritor, redigiu discursos de John e Robert Kennedy] e Warren Beatty [o ator].

Inteligência significa ter uma sensibilidade (articulável, verbalizável) que, se não for de fato original, tenha pelo menos uma distinta marca pessoal. Que eu possa ficar emocionada com as coisas que uma pessoa diz.

Glamour requer um espaço entre a pessoa e uma imagem (título) que precede a pessoa. “Esse é X – Jasper, o pintor. Carlotta, a duquesa. Warren, o astro do cinema.” (Mas não Eva, a professora alemã – um papel em vez de uma imagem. Nenhum espaço “entre” uma pessoa e um papel.)

 

PARIS, 30 DE JUNHO DE 1975_Com Cioran (de 5h30 até meia-noite).

A única vida aceitável é um fracasso (un échec).

As únicas ideias interessantes são heresias.

Sartre é um bebê – eu o admiro e o desprezo –, não tem nenhum sentimento de tragédia, de sofrimento.

Um húbris pelo qual devemos ser castigados: dar a nós mesmos mais de um ano.

Après un certain age, tout craque [Depois de uma certa idade, tudo se rompe].

A única coisa que faz a vida valer a pena são os momentos de êxtase.

Não é o que você faz, é o que você é.

Dois tipos de conversa são interessantes: sobre ideias metafísicas e fofocas, piadas.

Escrever como higiene.

O intelectual livre: professores sem alunos, padres sem congregações, sábios sem comunidades.

 

4 DE SETEMBRO_Me esqueci do direito ao prazer. Prazer sexual. Ter prazer com a minha escrita, e ter o prazer como critério quando escolho o que escrever.

Sou uma escritora adversária, uma escritora polêmica. Escrevo para defender o que é atacado, para atacar o que é aclamado. Mas desse modo me coloco numa posição emocionalmente desconfortável. Não espero (secretamente) convencer, e não posso evitar ficar desanimada quando meu gosto minoritário (ideias) torna-se o gosto majoritário (ideias): então quero atacar de novo. Não posso evitar ter uma relação adversária com o meu trabalho.

 

21 DE FEVEREIRO DE 1977_Coisas de que gosto: fogos, Veneza, tequila, pôr do sol, bebês, filmes mudos, alturas, sal grosso, cartolas, cachorros grandes e peludos, miniaturas de barcos, canela, edredons de penas de ganso, relógios de bolso, cheiro de grama recém-cortada, linho, Bach, móveis estilo Luís XIII, sushi, microscópios, quartos grandes, estimulantes, botas, beber água.

Coisas de que não gosto: dormir sozinha num apartamento, tempo frio, casais, futebol americano, nadar, anchovas, bigodes, gatos, guarda-chuvas, ser fotografada, o gosto de alcaçuz, lavar o cabelo (ou que alguém lave meu cabelo), usar relógio de pulso, dar palestras, charutos, escrever cartas, tomar banho de chuveiro, Robert Frost, comida alemã.

Coisas de que gosto: marfim, suéteres, desenhos de arquitetura, urinar, pizza (o pão romano), ficar em hotéis, clipes de papel, a cor azul, cintos de couro, fazer listas, vagões-leito, pagar contas, cavernas, ver pessoas patinando no gelo, fazer perguntas, pegar táxis, arte do Benin, maçãs verdes, móveis de escritório, judeus, eucaliptos, canivetes, aforismos, mãos.

Coisas de que não gosto: televisão, feijão cozido, homens peludos, livros de capa mole, ficar de pé, jogos de baralho, apartamentos sujos ou bagunçados, travesseiros finos, ficar no sol, Ezra Pound, sardas, violência nos filmes, pingar gotas nos olhos, bolos de carne, unhas pintadas, suicídio, lamber envelopes, ketchup, coriza, Coca-Cola, alcoólatras, tirar fotos.

Coisas de que gosto: tambores, cravos, meias, ervilha crua, mascar cana, pontes, Dürer, escadas rolantes, tempo quente, esturjão, gente alta, desertos, paredes brancas, cavalos, máquinas de escrever elétricas, cerejas, móveis de vime/bambu, sentar de pernas cruzadas, listras, janelas grandes, ler em voz alta, ir a livrarias, cômodos com poucos móveis, dançar, Ariadne auf Naxos [ópera de Richard Strauss].

 

22 DE FEVEREIRO_A grande questão do prazer. Até que ponto devemos ter uma opinião “séria” sobre isso? Até que ponto se aplicam critérios morais? Ninguém quer ser visto como puritano, no entanto…

Cf. a denúncia que faz Adorno sobre o prazer da música como moralmente corrupto, historicamente reacionário.

Lembrar que Adorno escreve isso em 1940-41 (diante dos horrores do nazismo – e de outros ainda não decididos; ele é um refugiado). O autor de Filosofia da Nova Música é a mesma pessoa que escreve (em 1947) que depois de Auschwitz não poderia mais haver poesia. Ele diria a mesma coisa na sociedade de consumo da Europa dos anos 60.

 

19 DE ABRIL_Copiando dez páginas de O Tempo Redescoberto [de Proust] (Imprimi-las – como os livros que se lê antes dos 15 anos).

Proust não sabia que estava escrevendo o maior romance jamais escrito. Nem os seus contemporâneos sabiam, mesmo os que mais o admiravam. E se ele soubesse isso não lhe faria nenhum bem. Mas ele queria escrever algo grande.

Quero escrever algo grande.

Não sou suficientemente ambiciosa. (Não é apenas uma questão de ser verdadeiramente intransigente.) Quero ser boa, que gostem de mim etc. Tenho medo de permitir que surjam os sentimentos reais, a arrogância real, o egoísmo.

 

19 DE JULHO_Joseph [Brodsky, o poeta, namorado de Sontag] disse que, quando começou a escrever, competia conscientemente com outros poetas. “Agora vou escrever um poema que será melhor (mais profundo) do que Pasternak – ou Akhmátova – ou Frost – ou Yeats – ou Lowell etc.”. E agora?, perguntei. “Agora estou discutindo com os… anjos.”

 

20 DE JULHO_Ter um espírito nobre. Ser profunda. Nunca ser “gentil”.

 

VENEZA, 7 DE DEZEMBRO_O que chamamos (hoje) de niilismo é simplesmente o pensamento. Qual pensamento não leva ao niilismo?

Todo mundo fala de direitos (direitos humanos etc.)… Há apenas pensamento social (aceitar a “sociedade”) ou individualismo – uma visão profundamente antissocial do mundo.

As figuras solitárias em toda parte – muitas das quais não gostariam uma das outras – que apoiam a posição antissocial. Oscar Wilde. Walter Benjamin. Adorno. Cioran.

É verdade que Benjamin usou uma linguagem comunista nos últimos anos de vida, e então ele nos parece diferente hoje. Mas isso acontece porque ele morreu em 1940. Naqueles últimos anos a linguagem comunista ganhou autoridade novamente – foi vista como necessária para combater o fascismo (identificado como O Inimigo). Se Benjamin vivesse tanto quanto Adorno, teria se tornado tão antissocial e desiludido quanto ele.

Jantar com Joseph Brodsky + Roberto Calasso, chefe da editora Adelphi, de Milão. Calasso contou sobre a apresentação recente de John Cage na cidade – duas horas e meia de sílabas sem sentido tiradas de um texto de Thoreau, diante de uma audiência de 2 mil pessoas no maior teatro lírico de Milão. Quase um linchamento. Que começou depois de vinte minutos. Em determinado momento havia 100 pessoas no palco – alguém pôs uma venda nos olhos de Cage e depois a tirou. Ninguém saiu. Cage não se moveu nunca, continuou lendo no palco. Todo mundo se animou. Foi um triunfo.

Cage quer colocar o vazio no meio do sentido. Ele não é um músico, e sim um destruidor genial. A prisão vazia.

***

Onde não há censura o escritor não tem importância.

Logo, não é tão simples ser contra a censura.

***

A retórica do comunismo + niilismo. As pessoas que querem ser boas + as que querem ser más estão indo na mesma direção.

Marx e Freud estavam ambos errados. O único que estava certo era Malthus. O quer que aconteça, o que há adiante é uma sociedade mais repressiva… O século XIX não reconheceria a sociedade na qual vivemos.

 

9 DE DEZEMBRO_Visita com Joseph a Olga Rudge [companheira de Ezra Pound] entre cinco e oito da noite – rua San Gregorio, 252 (perto da igreja da Salute).

Disse que Pound não estava arrependido ou penitente nos anos entre sua soltura do St. Elizabeths [hospital psiquiátrico onde o poeta fora internado por ter apoiado Mussolini durante a guerra] e sua morte… Com um toque de lágrimas nos olhos, ela fez uma pausa (só uma) e disse: “Sabe, Ezra tinha razão. Ele tinha razão. Existe democracia demais. Existe liberdade de expressão demais…” Ela insistiu no fato de que Pound tinha um “prenome judeu” e não mudou – “desde o início – em seu primeiro livro – ele assinava Ezra Pound, e não E. Loomis Pound ou Loomis Pound”, e que os Loomis eram uma boa família (“Olhe no Registro Social de Nova York, vai encontrar muitos Loomis”). “Um nome bíblico”, falei. “Isso mesmo, um nome judeu. Portanto, se Ezra era antissemita, como dizem, não manteria esse nome judeu, não acha?”

 

SEM DATA_Na medida em que é de fato negada, a morte se torna a coisa mais importante. (Como qualquer coisa que é negada.) Está em parte nenhuma e em toda parte. Enquanto negamos a morte, o mórbido exerce uma atração suprema sobre nós. Talvez porque não se possa mais detectar nenhuma fonte transcendente de valores, a morte (a extinção da consciência) se torna uma chancela de valor, de importância. (Em certo sentido, só o que diz respeito à morte tem valor.) Isso leva à promoção e também à banalização do conceito de morte, o que dá talvez o mais profundo estímulo à persistente iconografia da violência + morte violenta nos artefatos de nossa cultura. (A extraordinária frequência com que o enredo de um romance contemporâneo sério gira em torno de um assassinato, ou se resolve nisso – comparado com a extrema improbabilidade de escritores de ficção de vanguarda terem alguma vez na vida sequer chegado perto de um assassinato.)

 

24 DE MARÇO DE 1978_Quero lutar contra minha resignação – mas só conto com os instrumentos da resignação para lutar.

 

27 DE DEZEMBRO_Veneza em dezembro, um negativo fotográfico do verão ensolarado. Uma espécie de ver-pela-primeira-vez.

A piazza San Marco abstrata – geométrica – definida por fronteiras de luzes – espaço definido por densidade de luz. Toda figura é uma silhueta.

No Vaporetto que vem do Casino: não enxergar nada nos dois lados do barco. Olhar para um vazio marrom-acinzentado.

A basílica do alto do campanário – quase invisível –, o Palácio dos Doges como um desenho de Monet ou de Seurat na neblina.

Veneza no inverno é metafísica, estrutural, geométrica. Destituída de cor.

Para sentir a pressão da consciência, ser informada, compreender qualquer coisa, é preciso estar sozinha. Estar com pessoas, estar sozinha – como inspirar e expirar, sístole e diástole. Enquanto eu tiver tanto medo de ficar sozinha, nunca serei real. Estou me escondendo de mim mesma.

Ajo com pressa – raciocino em busca de resultados –, minha inteligência é medíocre.

A depressão que sinto quando fico sozinha é apenas a primeira camada. Posso ir além dela, se não entrar em pânico. Afundar – deixar que aconteça. Escutar as palavras.

Susan Sontag 

Susan Sontag (1933–2004), cineasta e escritora americana.

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