anais da aviação

A disputa que matou a Varig

Como as divergências no governo Lula selaram o fim da empresa e deixaram a aviação civil brasileira nas mãos dos estrangeiros

Consuelo Dieguez
A Varig marcou época pelo glamour e excelência de sua operação. Em 2005, quase falida, teve seus bens leiloados para pagar sua dívida. Lula dizia que com os tucanos no conselho não haveria qualquer chance de salvar a companhia
A Varig marcou época pelo glamour e excelência de sua operação. Em 2005, quase falida, teve seus bens leiloados para pagar sua dívida. Lula dizia que com os tucanos no conselho não haveria qualquer chance de salvar a companhia FOTO: ARQUIVO G. ERMAKOFF

Todas as manhãs, um advogado parrudinho e de voz grossa, uma ex-aeromoça esguia, loura, de olhos azuis, um engenheiro com cara de menino crescido e dois administradores sorridentes se reúnem em um prédio de tijolos aparentes, situado numa imensa área arborizada na Ilha do Governador, Zona Norte carioca. A tarefa do pequeno grupo é atrair clientes para o seu negócio: treinamento de pilotos e comissários de bordo. Nos últimos dois anos, o grupo fechou contratos com TAM, Gol, Azul e Avianca, além de empresas aéreas de Angola e da Bolívia. O serviço é tão bom que a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, credenciou-o para fazer a homologação da certificação de pilotos – um exame que tem de ser realizado anualmente para garantir que um piloto está apto a voar.

O que dificulta o trabalho da equipe é o fato de o seu negócio não ser propriamente uma empresa. Embora uma placa no portão identifique o local como Flex Aviation Center, trata-se de uma massa falida. O centro de treinamento que o quinteto se esforça para manter em operação é um dos poucos patrimônios que restaram da antiga Varig Linhas Aéreas, que chegou a figurar entre as maiores companhias de aviação do mundo, com 127 aviões voando para 36 países, uma rede de hotéis, uma empresa de logística, uma de manutenção de aeronaves, estações de rádio de controle aéreo e 20 mil funcionários.

MATÉRIA FECHADA PARA ASSINANTES

Consuelo Dieguez

Repórter da piauí desde 2007, é autora da coletânea de perfis Bilhões e Lágrimas, da Companhia das Letras

Leia também

Últimas Mais Lidas

Bons de meme, ruins de voto

Nomes bizarros viralizam, mas têm fraco desempenho nas urnas

Perigo à vista! – razões de sobra para nos preocuparmos

Ancine atravessa a crise como se navegasse em águas tranquilas, com medidas insuficientes sobre os efeitos da pandemia

Retrato Narrado #4: A construção do mito

De atacante dos militares a goleiro dos conservadores: Bolsonaro constrói sua história política

A renda básica, o teto de gastos e o silêncio das elites

Desafio é fazer caber no orçamento de 2021 um programa mais robusto que o Bolsa Família e mais viável em termos fiscais que o auxílio emergencial

A culpa é de Saturno e Capricórnio, tá ok?

Como Maricy Vogel se tornou a astróloga preferida dos bolsonaristas 

Um satélite oculto

Governo declara sigilo sobre decisões de Junta que analisa gastos públicos e complica a mal contada história do equipamento de 145 milhões para monitorar a Amazônia

Cresce força de PMs na política

Entre profissionais da segurança pública que se candidataram, proporção de eleitos triplicou de 2010 a 2018

Mais textos
5

Procura-se um presidente

Dependência virtual e extremismo de Bolsonaro precipitam corrida política no campo da direita

6

Lucrativa como chocolate

Ex-investidores de Wall Street e os herdeiros de Bob Marley disputam os bilhões da cannabis legalizada nos Estados Unidos

7

O labor de Papai Noel

Papai Noel demais em uma única noite de Natal

8

Temer estuda pedir Estados Unidos em casamento para Brasil não quebrar

Uma ideia ousada surgiu numa reunião de Michel Temer com seus assessores mais próximos nesta tarde. Moreira Franco sugeriu que “já está na hora de o Brasil arrumar um esposo” para não correr o risco de quebrar.

10

A hora mais escura – exigências da verdade

O filme dirigido por Kathryn Bigelow a partir do roteiro de Mark Boal tem duas fragilidades – a legenda na abertura e o close final de Maya, a analista da CIA interpretada por Jessica Chastain. Entre esses dois extremos, porém, há duas horas e meia de bom cinema.