tribuna livre das eleições

A volta da polarização?

A aliança entre Marina Silva e Eduardo Campos e a nova tática do PT para 2014

Marcos Nobre
Depois do terremoto de junho, o partido de Lula aposta que um grau ainda mais elevado de desorganização vai favorecer quem tiver maior disciplina, organização e recursos. Ou seja, o próprio PT
Depois do terremoto de junho, o partido de Lula aposta que um grau ainda mais elevado de desorganização vai favorecer quem tiver maior disciplina, organização e recursos. Ou seja, o próprio PT ILUSTRAÇÃO: NEGREIROS_2013

Durante a ditadura militar, nos anos 60 e 70, um dos programas mais populares da tevê era o telecatch, a luta livre encenada para toda a família. As figuras bizarras, os vilões e mocinhos de araque, o pastelão mambembe, tudo era devidamente combinado e arranjado. Bem de acordo com os limites repressivos do bipartidarismo rigorosamente controlado pelo regime. Com a redemocratização, esse tipo de programa foi desaparecendo, relegado aos nichos circenses de onde tinha surgido. Luta combinada não ornava com Constituinte e povo na rua.

Dentre as muitas estranhezas da longa transição para a democracia, uma das mais notáveis foi uma espécie de revival tardio do telecatch sob a forma da encenação de polarização política entre o PT e o PSDB depois das eleições de 2006. Ainda mais estranho porque aconteceu depois que a redemocratização se completou formalmente, depois que um presidente legitimamente eleito passou a faixa a um presidente de oposição legitimamente eleito.[1]

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Marcos Nobre

É presidente do Cebrap e professor de filosofia da Unicamp. Publicou Imobilismo em Movimento e Como Nasce o Novo

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