Abraço, carinho, saudade

Rubem Braga mandou um abraço num exemplar da Traição da Elegantes, autografado em 1983. O poeta Lêdo Ivo manifestou saudades ao presenteá-lo com A Morte do Brasil. Caetano Veloso, pelo sim e pelo não, anunciou um retrato “distorcido, mas sincero” de sua geração em Verdade Tropical. O econômico Chico Buarque manifestou apenas “carinho” na folha de rosto de Budapeste. José Sarney foi quem mais se derramou. “Ao Saramago, mestre da língua e da ficção, esta história de pescadores do Maranhão, onde não faltam marinheiros das Descobertas, que vagam por todos os mares com as lendas e os encantos do mundo português”, demorou-se em O Dono do Mar.

O visitante curioso – e bairrista – encontra as dedicatórias na seção brasileira da biblioteca que José Saramago, o único Nobel de Literatura da língua portuguesa, mandou construir na ilha espanhola de Lanzarote, onde morou de 1993 até morrer, em 2010. Se Jorge Luis Borges tinha razão e o paraíso for mesmo uma espécie de biblioteca, o ateu Saramago pôde em vida se gabar de ter erguido um aconchegante Éden com vista para o mar.