esquina

Bêbado como um peixe

As lições do paulistinha sobre o alcoolismo

Bernardo Esteves
ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2020

Dê uma dose moderada de álcool a um peixe paulistinha e em vinte minutos ele vai começar a ficar animado e desinibido. Nadando rapidamente, vai explorar recantos escondidos do aquário e socializar com seus colegas. Se aumentar a dose, dali a pouco ele vai ficar depressivo, nadando devagar no fundo do tanque. Se tomar um pouco mais, vai acabar parado rente ao fundo, deitado de lado ou mesmo de cabeça para baixo. “Ele perde a percepção de equilíbrio e começa a virar”, disse a bióloga Ana Carolina Luchiari. “Esse aí tá bebaço.”

Embebedar peixes é parte do trabalho de Luchiari na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A paulistana de 41 anos é a líder de um grupo de pesquisa que investiga os efeitos do álcool e de outras drogas no paulistinha, ou peixe-zebra – um peixe de aquário rajado estudado em muitos laboratórios de biologia mundo afora. Em seu laboratório na UFRN, há atualmente quase mil paulistinhas espalhados por cerca de duzentos aquários, além de peixes de outras duas espécies. “Como o comportamento desse peixe quando ingere álcool é similar ao dos seres humanos, eles são um bom modelo para estudar o alcoolismo”, afirmou a bióloga.

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Bernardo Esteves

Repórter da piauí desde 2010, é autor do livro Domingo É Dia de Ciência, da Azougue Editorial

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