anais da literatura

Belém derrete

Sketch

Jeff Menezes

— Entre, Éder.

— Bem?

— Bem… bem. Sente-se.

— Belém derrete, né.

— É. E fede repelente…

— Hehe…

— Bebe?

Red, sem.

Flertes. Entre eles, sempre flertes.

— Cê é de?…

— Tremembé.

— SP?

— É.

— Em Belém desde?…

— Tem três meses.

— Recente, né…

— É…

— E fez Tremembé-Belém de repente, sem nem temer?

— Trem de gente sem leme… sem bens e sem reféns…

— Hehe… reféns?… E Mercedes?… Tem Mercedes, né?

— É… Mercedes é ex… gente delével, nem se vê…

Bete se sente leve.

— E pretende se estender?

— É, em tese… ler, escrever… me entreter, sem stress… ver sementes crescerem, entende? Se der, bem…

— …cê escreve, né?

— É.

— E tem verve, menestrel?!

— Me teste!

— Nem me tente!

— E cê lê, Bete?

— Sempre… Brecht, Perec… Hegel de leve.

Éder se embevece…

— Vem, bebe…

— E nem se serve? Greve de sede? É crente?

— Nem greve, nem crente. Red me perverte…

Éder, decente, se detém.

— E Clemente?

— Serve. Desde três. Vem dez e dez… É tenente, bem nerd

Flertes… sem Clemente entre eles…

— Sente-se, Bete.

Belle Bete…

De repente, pele em pele…

— Me deseje, Éder, me deseje…

— Bete…

— Vem me ter…

Se despem, pele em pele, tez em tez. Belém derrete.

— Vem, Éder, me penetre…

Éder prende Bete entre dentes e pele. Serpente de Éder, ventre de Bete.

Éder mete. Bete geme.

— Vem, Éder, expele esse sêmen… Mexe, mexe!

Dezessete vezes, dezessete vezes Éder mete e expele sêmen em Bete. Mel.

— Excelente, Éder, excelente…

— Excelente, Bete…

De repente:

— É Clemente!

— Clemente? Nem dez…

— Desce, Éder, desce!

— Peste, ele vem de Sedex, é?

— Desce, Éder!

Éder desce e entrevê: enter Clemente.

— Éder?

— Hem?… Éder?

— Éder! — ele repete. Ele esteve bem nesse…

— Clemente! Nem pense…

Bete mente. Clemente vê:

Red, sem… É Éder!

— Sem stress, Clemente! Sem stress, hem!

Red sem, Bete! É ele! É célebre, Éder sempre bebe!

Éder estremece. Clemente sempre teve em mente Éder e Bete: flertes, ele percebe.

— Revele, Bete. É Éder, né!

Desmente, Bete, desmente!

Bete se rende:

— É Éder.

Peste, Bete, peste!

Clemente cresce:

— Cê me deve, Bete!…

Bete se defende:

— Cê nem é presente, Clemente! Nem tente me…

— Presente, Bete?!! Presente?!! E cê vem e elege pretendente!! Cê sempre tem de reverter né, Bete, sempre!…

— Pretendente, Clemente?! Pretendente?! Cê me enche, cê me enche, entende?! Cê me envelhece, Clemente, vê?! Cê me envelhece!

Clemente entende?

— Reze, Bete, reze! Me dê Éder! Éder!

Entrementes, Éder estremece. Entrevê Clemente e pressente…

— Clemente! Releve, bem, releve… Cê nem é presente… Gente sente, entende? Éder?… Éder é reles estepe… — fez Bete.

Clemente ferve:

— Estepe!? Estepe!? Reze, Bete!

Verde de febre, Clemente estende PT:

— Blefe! É blefe, Clemente!…

— Me despreze, Bete… é, me despreze, vem… Sente esse blefe!…

— Clemente, espere!…

Clemente se excede. Bete perde três dentes.

Enfrente, Bete, enfrente!

— Espere, Clemente! Espere, bem…

Clemente se excede. Desfere três vezes. Bete se perde, de vez.

Entre cremes e pentes, Éder treme:

— Reze, Éder, reze!

Nem crente, nem temente, esteve três meses sem prece…

— Pense, Éder, pense!

Nem teve vez… Enter Clemente.

— Éder…

Flerte. Éder sem entender.

— Éder, cê me pertence…

— Hem?

Éder sem entender:

— Cê me pertence. Sem Bete, cê me pertence. Vem, me ferre.

Éder estremece. De febre. Demente!

— Vem, Éder… enterre, vem!

— Nem…

— Cê prefere receber três desse e pender em frente de Bete?

Depende de Éder.

— Cê deve ser breve, Éder. Prefere Bete em vez de Clemente, é?

Depende de Éder.

— Vem, me ferre!

Éder vem:

— Verme, cê merece…

Dezessete, dezessete vezes Éder mete e expele sêmen em Clemente. Fel.

Zen, Clemente se sente bem. Geme. Éder pede:

— PT, Clemente, me empreste…

Clemente cede, Éder recebe e repele Clemente. Ele pende… em frente de Bete. Éder reverte.

— Cê merece, verme!

Éder se excede. Desfere três vezes. Clemente se fere, geme.

— Demente! Cê merece!

Ele repete. Clemente fenece. Éder prefere Bete.

Éder se veste. Nem se despede. Street, gente…

Tente, Éder, tente ser gente. Nem se lembre desse revés, desse teste… nem revele e nem escreve… never! Prende! Em breve prescreve, Éder, prescreve! Tente ser gente…

Éder é neve, e Belém derrete.

Conto integrante da Pentalogia Monovocálica, originalmente publicada na extinta revista Ácaro. Este texto é citado na reportagem Ratos no Labirinto, da piauí_114.

Jeff Menezes

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