vultos da cultura

Utopias e ruínas

O Brasil da bossa nova e o de hoje, na visão do crítico Lorenzo Mammì

Rafael Cariello
Mammì, nas palavras da irmã Alessandra, três anos mais velha: “Ele ama o Brasil, que agora é o país dele. Acho que o Brasil é perfeito para o Lorenzo. É um país menos agressivo, de uma certa maneira. É mais gentil, mais calmo, como ele”
Mammì, nas palavras da irmã Alessandra, três anos mais velha: “Ele ama o Brasil, que agora é o país dele. Acho que o Brasil é perfeito para o Lorenzo. É um país menos agressivo, de uma certa maneira. É mais gentil, mais calmo, como ele” CRÉDITO: HILTON RIBEIRO_2019

O crítico Zuza Homem de Mello lembra-se do lugar e do momento em que foi surpreendido: próximo ao Monumento às Bandeiras, nas imediações do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Ia ao volante da sua perua Dodge verde. De repente, a estação de rádio começou a transmitir uma voz que cantava de maneira estranha, sussurrante e anasalada. Corria o final da década de 1950, e aquela era a primeira vez que o jovem especialista em jazz, recém-retornado de um período de estudos de música nos Estados Unidos, ouvia João Gilberto entoando os versos de Desafinado. Decidiu encostar o carro. Queria ouvir a canção “no máximo de silêncio possível e livre de qualquer motivo de distração”.

Homem de Mello não seria o único a ter o privilégio de testemunhar o mundo se dividindo em duas eras. “Que estranho momento foi esse para tanta gente?”, perguntou-se o jornalista, após descrever o episódio num livro sobre o cantor baiano. “Qual foi a revelação? Foi inesquecível, afirmariam anos depois. Muitos se lembram dele até hoje, onde estavam, o que faziam e o que pararam de fazer, maravilhados que ficaram.”

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Rafael Cariello

Editor da piauí. Foi editorialista da Folha de S.Paulo e correspondente do jornal em Nova York

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