anais da história

Carta de Gaza

Repórter da revista The New Yorker durante a Segunda Guerra Mundial, tendo coberto o desembarque aliado na Normandia e a libertação de Paris, A. J. Liebling foi um dos grandes nomes do jornalismo americano do século XX. Ele esteve na Faixa de Gaza em 1957, pouco depois de Israel ter encerrado quatro meses de ocupação do território. Escrito há pouco mais de 50 anos, seu relato continua atual

A. J. Liebling
Desde 1949 os habitantes vivem como que encerrados num submarinos, às voltas com as incertezas  sobre o suprimento de ar e a inexistência de um escape. O conselho do Correspondente Diplomático a essas pessoas parece ser: chamem um táxi
Desde 1949 os habitantes vivem como que encerrados num submarinos, às voltas com as incertezas sobre o suprimento de ar e a inexistência de um escape. O conselho do Correspondente Diplomático a essas pessoas parece ser: chamem um táxi IMAGEM: ZAHER AQEL_FREE GAZA_2009

A pequena cidade – ou talvez seja melhor dizer grande povoado – de Gaza ergue-se no meio do que o falecido conde Wavell, comandante das forças britânicas no Oriente Médio durante a Segunda Guerra, definia como “uma das maiores e mais antigas estradas do mundo, a principal rota entre os primeiros berços conhecidos da civilização, os vales do Eufrates e do Nilo”. Partindo do Egito, escreve ele, “seu traçado se mantém próximo ao mar enquanto atravessa o inóspito deserto do Sinai; depois disso, o caminho percorre as planícies férteis dos filisteus e de Sharon, mantendo sempre a leste a alta fortaleza rochosa da Judéia”.

De fato, a estrada descreve uma reta da beira do deserto até a cidade de Gaza, atravessando a delgada tira de terras costeiras, hoje conhecida no mundo todo como Faixa de Gaza. A área foi turca até 1918, e em seguida fez parte do Mandato Britânico da Palestina até 1948; no dia em que Israel se libertou, foi invadida pelos egípcios. Wavell se preocupava com Gaza porque os britânicos lá travaram três grandes batalhas contra os turcos, em 1917, no esforço de abrir uma passagem para a Palestina. E conseguiram na terceira tentativa.

Desde o início de 1949, porém, a estrada ligando os berços da civilização foi interrompida por uma barreira armada alguns quilômetros ao norte de Gaza – que, para 300 mil pessoas, se transformou num beco sem saída. A presença de dois terços delas se devia originalmente a um acidente militar. Quando veio o cessar-fogo da guerra israelo-egípcia de 1949, as linhas egípcias extravasaram do Sinai para a extremidade sudoeste da Palestina. Aprisionados por trás dessas linhas ficaram cerca de 250 mil refugiados de língua árabe da região costeira da Palestina. Em sua fuga, tinham enveredado pela estrada histórica rumo ao sul, parando ali por terem chegado à beira de um deserto. É improvável que desejassem atravessá-lo, porque eram palestinos e não egípcios, estirpes tão incompatíveis quanto são diversas as regiões que habitavam.

Seu êxodo foi precipitado e insensato. Muitos dos fugitivos vinham de povoados de poucos quilômetros apenas ao norte da divisa, que se transformaria nos muros da sua prisão. Caso a paz tivesse sido obtida, ou caso os israelenses tivessem conquistado a Faixa antes do armistício, os refugiados teriam sido reabsorvidos por Israel, retornando às suas casas num prazo de semanas ou meses. Mas nenhum tratado sucedeu ao armistício, que jamais conseguiu ser mais que um cessar-fogo muito imperfeito. O estado de beligerância entre Israel e seus adversários continuou, e os refugiados de Gaza, que não eram beligerantes contra ninguém, ficaram onde ainda se encontram hoje.

Durante todo esse tempo, o Egito manteve fechada a saída sul da Faixa, sem nunca se propor a anexá-la ou permitir a seus habitantes a cidadania egípcia ou a liberdade de se mudarem para a região do Nilo. Poucos habitantes de Gaza teriam aceitado essa opção, caso ela lhes tivesse sido oferecida, mas a nenhum deles foi dada a oportunidade de recusar. Por conseguinte, os refugiados e os residentes mais antigos vêm vivendo juntos, há oito anos, como que encerrados num submarino, às voltas com as incertezas do suprimento de ar e a inexistência de qualquer meio de escape. Quando os dramaturgos abordam uma situação de confinamento desse tipo, geralmente produzem diálogos abundantes, e com bom motivo: as pessoas impossibilitadas de tomar qualquer providência efetiva quanto às suas circunstâncias sempre tendem a falar muito. E é isso que os cativos da Faixa de Gaza vêm fazendo, de maneira quase incessante, desde 1949.

A Faixa de Gaza não é uma prisão degradante. Em sua maior parte, é uma região agradável, embora sem grandes atrativos, e plana, com a exceção de uma cadeia de colinas baixas, conhecida como Ali Muntar. Dali para o sul, a paisagem é verde por uns 30 quilômetros, e depois começa a ficar mais pobre e semidesértica, recaindo na esterilidade absoluta pela altura de Rafah, seu último povoado. Tem cerca de 40 quilômetros de extensão de norte a sul, e menos de dez de oeste a leste, mas sua superfície cultivável é ainda mais reduzida por causa das praias e dunas de areia que se estendem ao longo da costa do Mediterrâneo. O solo, onde é mais fértil, alimenta laranjais, eucaliptos, cactos e cabras.

Quando o cessar-fogo surpreendeu os refugiados retidos ali, a área já era superpovoada. Isso porque, além dos camponeses e pescadores lá radicados, nela erguia-se Gaza, a localidade mais importante do sul da Palestina, com uma população de 40 mil habitantes antes da chegada dos refugiados. A vida econômica de Gaza dependia das terras do interior, de que se viu separada pela guerra.

Gaza, conforme se sabe, era um local famoso desde a Antiguidade; era controlada pelos filisteus e é associada a Sansão, o Fanfan la Tulipe da Bíblia, de quem se diz na região que, depois de ter derrubado o templo filisteu sobre a própria cabeça, teria carregado suas colunas nas costas até a extremidade oposta da crista do Ali Muntar, onde a posteridade lhe ergueu um sepulcro em sinal de admiração. Gaza foi capturada em várias ocasiões, por Alexandre, Pompeu, Napoleão e Saladino, o que mostra que devia ser considerada digna de captura, e durante a Idade Média converteu-se num centro têxtil que deu seu nome à gaze francesa ou gauze, em inglês [não o tecido rudimentar de trama aberta usado hoje em curativos, mas um tecido fino e quase transparente de seda ou algodão].

Sua importância moderna pode ser avaliada pelas proporções da sua prisão, a maior que os britânicos construíram em toda a Palestina. A cidade reúne as residências dos muçulmanos donos de terras, cujas propriedades já se estenderam até bem ao norte e a leste dos limites atuais. Com sua população residente e mais os refugiados, a auto-suficiência tornou-se totalmente impossível para a Faixa de Gaza.

Os israelenses, durante os quatro meses da sua primeira ocupação da Faixa, não fizeram nada para reduzir esse inchaço humano, exceto abater a tiros um número ainda incerto de civis quando suas tropas entraram na cidade e, no momento da retirada, remover 25 famílias comprometidas por um excesso de camaradagem com os ocupantes. O contato frequente dos israelenses com os refugiados parecia constituir uma boa oportunidade para o começo de negociações em torno do regresso de alguns deles, e o pagamento de compensações a outros, mas a chance foi desperdiçada. A opinião pública israelense quanto a Gaza pode ser extraída de um artigo de primeira página do Jerusalem Post, assinado pelo “Correspondente Diplomático”: “Continuar a administrar essa ilha de sofrimento e ódio seria um empreendimento exaustivo e custoso para um país pequeno como o nosso. A melhor saída para os refugiados é, provavelmente, a mesma escolhida por quase 1 milhão de judeus – a emigração.” O conselho do Correspondente Diplomático para as pessoas encerradas num submarino parece ser: chamem um táxi.

 

Conheço Gaza há apenas dez dias, mas desde o início da minha visita tive a sorte de me beneficiar da perspectiva de um homem que já conhece a região há muito tempo. Trata-se do general Refet Bele, comandante da unidade do Exército turco que defendeu a cidade há quarenta anos, contra os britânicos. O general, estendido ao sol pós-almoço na varanda de uma modesta pensão, contemplava com uma admiração contida as mansões intactas à sua volta. A pensão fica bem distante da antiga parte árabe da cidade, e se ergue em meio às residências dos grandes proprietários de terras. Homem baixo e magro, com uma cabeça de falcão que parece pequena se comparada ao pescoço muito enrugado, vestia um elegante terno de discreto quadriculado; segundo seus próprios cálculos, tem 75 anos de idade.

O general é o representante da Turquia na comissão consultiva da Agência das Nações Unidas para o Socorro de Refugiados Palestinos – conhecida pela sigla inglesa Unrwa – e ostenta o status de embaixador. A Unrwa alimenta, medica e educa a comunidade de refugiados que, pela última contagem, totalizava 219 423 pessoas na área de Gaza. O general Bele me disse que, quando a Turquia entrou na sua guerra, ele tinha 33 anos e era major; três anos mais tarde, já comandava um corpo do Exército.

“Com a patente de major, conduzi um destacamento da Palestina até a beira do Canal de Suez, em El Kantara”, contou-me ele, “mas não consegui apoio militar para tomar o canal. Apesar disso, os britânicos falaram tão bem de mim que acabei promovido.” Suspira, como que absorto em alguma reminiscência que prefere não revelar. “Um inimigo generoso nos ajuda mais que um amigo com inveja”, acrescenta ele. Fala francês – disse que aprendeu a língua servindo em guarnições do Cáucaso, a partir da leitura dos romances de Pierre Loti e Paul Bourget. Conta-me que esta é a primeira visita que faz a Gaza depois da sua captura pelos israelenses aos egípcios, no ano passado, e em seguida me dá uma pista para compreender a satisfação que percebo no seu rosto. “Quando defendi Gaza”, diz ele, “ela acabou completamente arrasada. Nenhuma casa – nem a menor delas – ficou de pé.” Com a palma para baixo, descreve um vasto arco horizontal com a mão direita. Dá para ver que sente orgulho da deterioração da qualidade da guerra do seu tempo para cá.

Perguntei como era a Palestina sob o Império Otomano, e ele respondeu: “Uma terra de felicidade pastoril, onde todos dormiam profundamente à noite. Judeus, árabes e cristãos viviam juntos em segurança. Sentiam que tinham um pai.” Para ele, o fomento do nacionalismo árabe pelos britânicos abriu a caixa de Pandora, e deplorou o fim dos impérios Austro-Húngaro e Otomano. “Não tinham força suficiente para inspirar medo”, diz ele, “mas quando decidiram ajudar a Alemanha contrabalançaram o colosso russo. Só que foram destruídos e o resultado é o que vemos hoje!” Deixei-o estendido ao sol. Era o homem mais calmo e sensato que conheci em Gaza. Sua viagem de inspeção já se encerrou e, depois de revisitar os campos de batalha, voltará para casa levando presentes para seu filho mais novo, de 7 anos de idade.

Mesmo os membros da equipe internacional da Unrwa estacionados em Gaza sofrem de uma sensação de clausura, embora sua situação não seja tão irremediável quanto a dos 300 mil companheiros de prisão. Dois aviões pousam por semana na Faixa de Gaza, vindos do quartel-general da Unrwa, em Beirute, e qualquer um desses funcionários pode sempre requerer transferência ou se demitir. A vida social já era limitada antes da chegada da Força de Emergência da ONU – os residentes “internacionais” eram onze, nove homens e duas mulheres – no nível mais alto dos 3 mil membros da equipe. Todos os demais eram refugiados, exceto por uns poucos médicos, enfermeiros e professores egípcios e libaneses. Além deles, viviam na área meia dúzia de oficiais observadores da Comissão Mista de Armistício, formada pela ONU, Egito e Israel, e dois missionários médicos batistas americanos, que dirigiam um hospital. Alguns dos membros da Unrwa já estavam instalados em Gaza com suas famílias antes dos combates de novembro, mas pouco antes do ataque israelense elas foram despachadas de avião para Beirute, onde ainda permanecem. O pessoal da Unrwa também sente falta de uma grande cidade onde possa se distrair, como as que existem nos outros países árabes que abrigam refugiados.

A principal fonte do sentimento de encarceramento é o contágio. É difícil viver numa prisão para 300 mil pessoas sem sentimentos ocasionais de claustrofobia.

 

A maioria dos refugiados se distribui por oito grandes “cidades” de barracões, construídas por eles próprios com materiais e assistência fornecidos pela ONU. Todos os refugiados estão inscritos numa lista de distribuição de rações, mas das 40 mil famílias que as recebem só 24 mil ocupam moradias fornecidas pela Unrwa, num total de 33 mil aposentos; o que dá mais ou menos um aposento e um terço por família, ou quatro pessoas por aposento, de acordo com os padrões dos camponeses árabes. A superlotação não é tão extrema quanto parece, mas os moradores se amontoam na minoria de lares onde um único homem vive com duas ou três mulheres.

A ração alimentar básica consiste apenas em pão – 10 quilos mensais de farinha de trigo por cabeça, que as mulheres transformam em pães redondos e chatos – e quantidades ínfimas de lentilhas ou feijões, óleo ou gordura, açúcar, arroz e, ocasionalmente, tâmaras. O total é de 1 500 calorias diárias; as crianças recebem refeições suplementares na escola. Nada muito brilhante, mas, à la rigueur, o suficiente para impedir a morte de um ser humano por tempo indeterminado.

O refugiado médio, portanto, investe uma parte considerável do seu tempo em pequenos esquemas destinados a transitar da mera subsistência à conquista de mais comida – trabalhando para a ONU, trabalhando para gente que trabalha para a Unrwa, criando uma galinha esporádica ou uma cabra magra, ou então trocando a ração de farinha de trigo branca por uma quantidade maior da farinha local de variedade cinzenta, menos valiosa, mas igualmente nutritiva. O resto do tempo, dedica a discussões políticas e à reflexão.

Pedi a um habitante local, que fala um pouco de inglês, que me descrevesse sua rotina diária. “Acordo de manhã e dou uma volta pelo povoado sem olhar para nada”, respondeu ele. “Depois me sento do lado de fora de uma barraca de café, mesmo quando não tenho dinheiro para tomá-lo , e fico ouvindo o rádio. E também jogo trictrac” – uma espécie de jogo-da-velha jogado com pedras na areia. As mulheres não têm muito mais o que fazer, pois cuidar das casas não é tarefa complicada. Também têm filhos e ralham com eles. As crianças são aquelas que passam melhor porque têm a escola para ocupar a cabeça, além da merenda escolar que reforça sua dieta. Cerca da metade da população tem menos de 16 anos de idade, e pelo menos um quarto dos refugiados atuais deve ter nascido na própria Faixa de Gaza. As autoridades dizem que o motivo pelo qual o provável aumento real da população de refugiados não aparece nas estatísticas é que os registros anteriores eram inflacionados por refugiados compreensivelmente interessados em obter rações a mais. No entanto, a diferença entre a população real e a fictícia vem diminuindo constantemente, cada vez que a Unrwa atualiza os seus números.

Esses detalhes comezinhos da vida do refugiado tendem a reduzi-lo a quase nada num raio de vários milhares de quilômetros. Na verdade, um campo de refugiados é um meio que reduz qualquer um a quase nada; nos últimos tempos, só as câmaras de gás, a tortura e a fome são capazes de tornar o sofrimento humano mais dramático, e mesmo eles acabam perdendo a capacidade de chocar.

Mas o camponês árabe da Palestina – condição da maioria dos refugiados – é um tipo humano impossível de se reduzir a uma caricatura. Os programas de rádio que ele escuta são todos discursos políticos ou noticiários marcados por um forte viés político: as rádios Cairo, Damasco e Chipre, a Voz da América e até um programa israelense em árabe. Ele é insaciável. O romantismo político em torno da vingança, que só fez crescer durante os oito primeiros anos em que viveu esse processo, sofreu um choque considerável quando os israelenses demonstraram sua força em novembro passado. Sua esperança de uma solução definitiva para o problema dos refugiados, pela força, viu-se profundamente abalada.

Os egípcios, enquanto estiveram aqui, tentaram reforçar esse romantismo eliminando a expectativa de qualquer outra solução; era uma espécie de traição, por exemplo, um indivíduo admitir que poderia aceitar qualquer compensação dos israelenses por suas terras, caso ela lhe fosse oferecida. Os agentes de segurança egípcios tinham uma participação intensa nas intermináveis discussões públicas, e não havia qualquer tentação de desvio da doutrina oficial marcada pelo tudo ou nada, já que não existia a menor possibilidade de atravessar a barreira instalada estrada acima. No tempo dos egípcios, não era possível encontrar nenhum refugiado que se declarasse disposto a aceitar suas terras de volta, caso para tanto precisasse retornar individualmente para Israel e ir viver entre judeus. (Não existe qualquer indicação, claro, de que alguma oferta do tipo jamais tenha sido feita.) A lendária intransigência monolítica dos exilados – não só dos refugiados em Gaza, mas de toda a diáspora palestina, no Líbano, na Síria e na
Jordânia – também foi útil na época para Israel, porque eliminava a hipótese do pagamento de compensações a quem quer que fosse.

Acerca do reassentamento dos refugiados em Israel, o argumento israelense é que “precisamos das terras para 100 mil judeus que devem chegar de Portugal” – ou de Pimlico, ou da Guatemala; os detalhes não têm importância. Muitos israelenses, além de não conseguirem ver que isso é um paradoxo, sequer são capazes de perceber o quanto esse argumento soa estranho para alguém de fora do conflito. No entanto, encontramos nas praias de Gaza palestinos que dizem: “Minhas terras ficam a menos de 10 quilômetros daqui, mas foram tomadas para serem entregues a pessoas vindas de mais de 10 mil quilômetros de distância.” A diferença de opiniões é irreconciliável. O grau de intransigência, contudo, varia de acordo com as opiniões políticas do intérprete encarregado de acompanhar o visitante – geralmente uma autoridade do campo – e as dos refugiados homens, dotados de boa instrução, bom domínio do inglês ou francês, e geralmente os mais moderados. “Eu aceitaria voltar e ver se conseguiria viver bem no novo meio”, disse-me um deles, “e depois tentaria vender minhas terras e me mudar para algum lugar onde me sentisse mais livre.”

A incursão do Exército israelense bloqueou a fonte externa de renda mais importante da Faixa de Gaza, além da contribuição da Unrwa para a economia. Trata-se do dinheiro remetido para casa pelos homens da Faixa de Gaza, em número de 5 a 10 mil, que trabalham nos campos petrolíferos da Arábia Saudita, do Kuwait e do Catar. As autoridades egípcias, enquanto estavam no comando, impediam os habitantes de Gaza de penetrar em território egípcio, além do humilde oásis de El Arish (embora abrissem uma exceção para os moradores de Gaza matriculados em universidades egípcias), mas permitiam que os homens deixassem a Faixa para irem trabalhar nos países produtores de petróleo.

Os palestinos tendem a ser mais instruídos e mais tecnicamente avançados que os árabes do Hijaz, a região petrolífera da Arábia Saudita, ou, até mesmo, que os próprios egípcios. Sua força de trabalho é, portanto, muito valorizada nas primitivas terras árabes, e calcula-se que mandem para casa rendimentos da ordem de 25 mil a 100 mil libras egípcias por mês.

Quando os israelenses ocuparam a Faixa de Gaza, toda a comunicação com os países árabes foi naturalmente cortada, visto que Israel ainda se encontra tecnicamente em guerra com eles. Uma das primeiras e mais urgentes tarefas da administração da ONU na Faixa de Gaza será mantê-la aberta à comunicação e à troca econômica nos dois sentidos. Talvez seja possível tirar essas pessoas do submarino.

A. J. Liebling

A. J. Liebling, escritor e jornalista americano (1904–1963). Artigo publicado na revista The New Yorker em 1957.

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