ficção

Cemitério

O deboche de personagens e fatos ilustres da história de São Paulo

Paulo Emilio Salles Gomes
Assim entendo melhor a Revolução de 32. Ignorante, me respondeu Silveira, quando lhe perguntei que revolução. Os paulistas pensam que o Brasil inteiro tem obrigação de saber o que fazem
Assim entendo melhor a Revolução de 32. Ignorante, me respondeu Silveira, quando lhe perguntei que revolução. Os paulistas pensam que o Brasil inteiro tem obrigação de saber o que fazem ILUSTRAÇÃO: MAJOR JOSÉ LEVY SOBRINHO

Ninguém sabia da existência de Cemitério, de Paulo Emílio Sales Gomes. Nem a sua viúva, Lygia Fagundes Telles, nem seu grande amigo Antonio Candido, nem seu biógrafo, José Inácio de Mello Souza. Cemitério era só um caderno escolar de capa verde que ficou perdido, quase trinta anos, no meio da papelada do cineasta Goffredo da Silva Telles Neto, o filho de Lygia. No ano passado, quando a família de Paulo Emílio Sales Gomes discutia com a editora CosacNaify a publicação de suas obras completas, o caderno apareceu.

Numa caligrafia encaracolada, ora em tinta azul, ora em preta, havia nele uma narrativa ficcional. Não era pouco. Crítico e historiador de cinema, Paulo Emílio estreou na ficção somente no seu último ano de vida, 1977, quando publicou Três Mulheres de Três PPPês. Desde então, a reputação do livro entre os críticos só faz crescer. Mas se acreditava que aquela tivesse sido a sua única obra ficcional.

Assim como Três mulheres, a novela inacabada Cemitério é intrincada, engraçada e idiossincrática. A maior parte da história, que se passa durante a ditadura militar, é narrada por um funcionário (baiano de Feira de Santana) de uma editora que havia publicado um romance chamado, justamente, Cemitério, escrito por um certo J. de Costas. Repleto de referências sibilinas e ridicularizantes a personagens públicos, de Getúlio Vargas a Santos-Dumont, o livro passa a ser atacado pela imprensa alinhada com a ditadura. Como logo se descobre que J. de Costas é o pseudônimo de alguém que enviara os manuscritos pelo correio, o dono da editora vira alvo das críticas. O editor, por sua vez, repassa as críticas ao funcionário que havia recomendado a publicação: o baiano de Feira de Santana.

Cemitério, de Paulo Emílio, é o relato desse funcionário, entremeado por trechos de Cemitério, do tal J. de Costas. Aumentando o emaranhado, às vezes o narrador cede a voz a outros personagens, reais ou fictícios. Assim, em alguns trechos o narrador é Santos-Dumont, ou Daniel, suposto irmão do general Miguel Costa, ou o próprio Paulo Emílio, que é também personagem. A idiossincrasia vem do tom geral, que é de deboche de fatos e figuras da história paulista – do separatismo de 1932 ao fundador da USP, Armando de Sales Oliveira. O paulistano Paulo Emílio detestava o que chamava de “burguesia paulista”.



O ensaísta Carlos Augusto Calil, organizador da edição de toda a obra de Paulo Emílio pela CosacNaify, afirma que existem passagens de Cemitério que aludem a fatos da biografia de Paulo Emílio, como a sua paixão pela musa modernista Pagu, ou sua relação duradoura com uma prostituta baiana chamada Doya.

Não há lugar no mundo em que dr. Getúlio Vargas tenha sido tão amado como em São Paulo e não há gente que o tenha odiado tanto quanto os paulistas. Todas as pessoas do mundo, inclusive os sábios, só fazem uma descoberta durante toda a vida, mas cada uma faz a sua. O dr. Chagas descobriu a doença de Chagas e o filho dele que também é sábio descobriu a eletricidade do peixe-elétrico. Eu desconfio que fiz minha descoberta agora, a de que São Paulo não tem nada que ver com os paulistas, o que me trouxe tranqüilidade. Sou de Feira de Santana e no meu primeiro tempo em São Paulo havia pouco baiano e muitos que chegavam viravam paulistas como o dr. Artur Neiva, badalo da locomotiva que puxa os vagões vazios. Assim entendo melhor o Cemitério e a Revolução de 32. Ignorante, me respondeu Silveira, quando lhe perguntei que revolução era aquela de que Pedro de Toledo falava. Os paulistas pensam que o Brasil inteiro tem obrigação de saber o que fazem. Revoluções de antigamente não faltam, a do Padre Cícero, o bombardeio da Bahia por Seabra, a revolução de Isidoro em São Paulo que não foi dos paulistas, a deles é a de 32, que querem impingir para todo mundo. Ninguém teve tanta paciência com os paulistas como o dr. Getúlio Vargas e se isso não está lhe sendo contado no céu é porque não tem importância e pode ser até que nesse ponto ele tivesse errado.

É aí que entra no Cemitério o tal Armando de Sales Oliveira que provocou a implicância do Jornal da Tarde comigo, mas São Paulo não é O Estado de S. Paulo, é só descobrir e tudo se esclarece. Os paulistas se queixavam, pediam Pedro de Toledo, coitado, e o dr. Getúlio deu e em paga eles fizeram a Revolução de 32. Era uma bobagem, o velho do colarinho era fino, e os paulistas perderam e continuaram se queixando. Dr. Getúlio sorriu e deu-lhes Armando de Sales Oliveira que não demorou em atrapalhar dr. Getúlio, até o lugar dele quis, imaginem só, depois de d. Pedro, Deodoro, Floriano, Epitácio e dr. Getúlio, o Armando de Sales Oliveira, era só o que faltava. Mas os paulistas não desconfiam de nada e são maus, o Estado de S. Paulo continuou azucrinando dr. Getúlio até matá-lo. Há cousas de que se fala pouco na cidade, mas o tempo felizmente curto da amizade entre dr. Getúlio e os paulistas foi ruim em São Paulo e pior na Capital Federal.

Em 1935 dr. Luís Carlos Prestes, o nobre e imortal capitão, voltou ao Brasil, novas cadeias foram preparadas e elas se encheram. A da Rua do Paraíso se chamou Paraíso e a outra, na Mooca, Maria Zélia. É ver como as cousas são. Jorge Street quando nasceu já era rua em inglês, cresceu, construiu, casou, chamou a filha e a fábrica de Maria Zélia, morreu e o Presídio Maria Zélia ficou dando de fundos para a Rua Jorge Street. Não tenho nada contra as placas das ruas sem as quais como entregaria os pacotes, mas elas são como as outras leituras, é preciso, antes, saber. E sem o mal-entendimento de uma cousa virando outra e dando nome às placas o mundo não caminharia, foi sempre assim, e às vezes dá certo. O general Baden Powell, modelado pelo remo e pela ducha escocesa, fez misérias na África do Sul por conta da rainha Victoria e contra os piores de depois. Voltando se arrependeu e criou o escotismo. No Brasil um dos largadões de antigamente gostou, ele se chamava Mário Cardim, o nome da rua de Vila Clementino onde morava o vampiro, reparem como tudo cruza. Rapidamente São Paulo e Rio se encheram de meninos com caçarolas, gravetos e canivetes e um deles cresceu, casou e teve um filho que chamou Baden Powell, que escreveu linda música e cujo nome será placa no Rio, o do começo já o é provavelmente em Edimburgo e se eu vivesse ainda muito e viajasse leria as duas placas e saberia, porque já sei.

Quem não tem placa e não terá, agora é tarde, são os que cuidavam de prender e prendiam por conta do Armando de Sales Oliveira, o delegado Egas Botelho da Social, pantera paternal de fala mansa, e o delegado Tavares da Cunha da Política, enxúndia luxuriosa, ambos chefiados por Márcio Munhoz que buscava pessoalmente perus na feira livre, apalpando o papo antes de comprar. Quem mandava bater e quando não estava cansado batia, era Luís Apolônio, roedor esverdinhado, mais tarde professor na boca da Cidade Universitária Armando de Sales Oliveira.

Gaudêncio, que é o nome do irmão de Galdino, contou que ele era mocinho mas que havia velho no Paraíso, sempre há, precisa. Everardo Dias, papagaião careca, Edgar Leuenroth, periquito loquaz, Felipe, cara cansada de revolução que tarda, mas não faz mal, grandes homens pelas grandes causas que não conseguiram levar a cabo. Eles falavam de acontecimentos que antigamente eram muito antigos, o cortejo de 1905 para mandar dinheiro aos inimigos do czar, tudo gente muito boa, como os grevistas de 1917. De tardinha, depois de comer e antes de dormir, os velhos paravam de conversar e vinham para junto dos outros para cantar, “camponês… operário… soldado… mari…nheiro… nós somos irmãos… caminhemos assim lado a lado… apertando a cantar nossas mãos… esse canto é preciso que brade… que não cesse o clamor desta voz… no Brasil há de haver igualdade… conquistada na rua por nós. Aliança, alian…ça contra vinte ou contra mil, mostremos nossa pujan…ça, libertemos o Brasil!”. O diretor do presídio, Plínio Moraes, fazendeiro arruinado do Partido Democrático de Campinas, democrático imagine só, ouvia nervoso o canto, só depois ia espairecer no sobradinho cinzento com soldado à porta. Ficava em seu lugar Agrião Montura, que se chamava ao chegar lá Adrião Monteiro, cabo eleitoral do Partido Democrático, vindo também de Campinas. Ou então Renato Junqueira, bêbado. Todos paulistas armandados.

Eram numerosos no Paraíso os que agora vão te povoando a ti, tendo chegado a hora, meu caderno, do general Miguel Costa e de seu irmão Daniel. Os paulistas não gostavam do general Miguel, amigo dos doutores Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes. Pretendiam que tinha nascido na Argentina, temor antecipado e premonitório de um tempo em que lá apareceu um pouquinho. Os paulistas se inclinavam diante dele, depois xingavam e re-inclinavam, queriam ele para 32 e o general disse tudo menos isso e os paulistas não o perdoaram nunca mais. Mas ele perdoava, era tão bom quanto dr. Getúlio, um e outro desconheciam o dragão paulista. São Paulo perdeu o general no esquecimento e no Cemitério se encontra desvanecido, mas em você caderno ele ficará na doçura de seus olhos claros e luminosos que amaram, mas não armaram o povo. Para esclarecer melhor fui vê-lo, mas não estava, tinha morrido. Vi, porém, o irmão Daniel que às vezes parecia convencido de ser o próprio general Miguel, dizendo cousas de si e do outro morto. Me olhou sem simpatia, como quase toda gente faz e foi logo dizendo deixa ver sua escrita que ela é quem diz o que a pessoa é. Minha finada e eu empregávamos os serões estudando a letra dos conhecidos. Escrevemos para todos as nossas conclusões porque é bom que as pessoas se conheçam e quando o resultado era favorável assinávamos a carta, senão não que o mundo é cheio de incompreensão. O senhor não parece mas é bom, pode falar que eu também falo. Aparentemente não lia mais, só Kardec.

Mas do Paraíso lhe conto, tinha sim esses que você falou e mais o Caio, o Melo Matos, o Angerami, o Agostini, Reginaldo, Oliva, Zé Silveira, Artur Heládio Neves, dr. Osório, dr. Puca, e o dr. Danton Vampré, o Paulo Emílio e o poeta Hilário. Soube que o Reginaldo e o Paulo faziam teatrinho à-toa e tive a má idéia de ir ver. Reginaldo de cócoras em cima da mesa com um pedaço de pão na boca. O Paulo chegava andando de quatro no chão, o olhar extasiado na direção do mocho e o Reginaldo de olho desconfiado na raposa que começa a falar. “Oh, plumagem maravilhosa que não há mais bela no bosque”, o mocho escutando, “teus pés perfumam o galho do ipê que tocam”, o mocho escutando, “e tua voz divina faz calar o mais belo trinar dos passarinhos, canta mocho”, e o mocho escutando, “canta para meu enleio e de toda a floresta, canta para tua glória”. Aí o mocho move lentamente a asa, tira o pão da boca com a mão, olha bem para a raposa e o Reginaldo grita para o Paulo: “Foooooooooooooooooooda-se”. A raposa cabisbaixa vai embora. Quem estava ali naquele momento não era eu mas o general, fechei a cara e parti. O coronel Daniel Costa, aposentado da Força Pública, ria tanto que a empregada trouxe um copo de água com uma colher de açúcar, antes de servir o café. Ele permaneceu convulsionado e pensativo o resto do tempo mas quando me despedia acrescentou que um dia a moçada do Paraíso fez um buraco e foi embora. Os do Maria Zélia também ensaiaram mas Augusto Pinto e Varlota foram rasgados por metralhadora, da cabeça ao coração.

Em meados de 1935, no tempo da amizade falsa dos paulistas pelo dr. Getúlio, um homem e duas senhoras tomaram o noturno na estação do Brás e no Rio desceram no Hotel Glória. O homem chamava Adalberto Neto e viajara com a esposa e uma amiga do casal. De noite Vicente Rao, que os paulistas tinham mandado para servir de ministro do dr. Getúlio, veio jantar no hotel e conversa vai conversa vem com vinho ele contou. Para entender é preciso saber que dr. Luís Carlos Prestes já voltara, mas que seu amigo dr. Getúlio não sabia e nem podia saber porque naquela altura dr. Getúlio estava cercado de paulistas por todos os lados. Mas o povo sentia que dr. Luís Carlos Prestes estava lá e de contente até greve fazia. E foi aí que Vicente Rao contou. Não adianta só prender porque soltam e eles têm tempo para ir fazer a greve. Eu mando prender e malhar, mas malhar muito, de maneira que eles vão soltos para a cama e até sarar não houve greve ou então a greve acabou. Quem ouviu tudo bem foi d. Gilda, a amiga do casal, mãe de dois filhos e mãe não mente, eu nunca faria a minha mentir depois de morta. Acho que foi daí que ela, enfermeira voluntária de 32, deixou de ser paulista e começou a ficar amiga do dr. Luís Carlos Prestes que acabou perdendo a paciência e quis salvar dr. Getúlio dos paulistas mas não conseguiu e Vicente Rao e Armando de Sales encheram de gente a não poder mais o Paraíso e o Maria Zélia sem falar da Capital Federal.

A vida para ser vivida e contada carece de muito esquecimento. Entre os milhares do Maria Zélia foi um bem pequeno que contou o acontecido com o Partido Comunista. Eu sou o PC, que ele dizia, e ia andando contente pelas ruas da cidade: quando no Viaduto do Chá cruzo com um homem que me olha e eu já sabe vi tudo enquanto ele vinha eu ia e o pequeno que contava a história puxava com o dedo um olho de olho vivo e quando cheguei na esquina da Rua Líbero Badaró como quem não vê nada olhei e vi o homem que me seguia dobrando atrás de mim na direção da Avenida São João e eu ó, olho vivo, só manjando e percebendo que o homem apressa o passo e chega perto de mim pensando que não percebo e pega no meu braço me leva para o Hotel São Bento no Martinelli e eu caçoando por dentro do coitado logo comigo palhaço e o pequeno puxava agora um olho com cada dedo fazendo dois olhos vivos, tó que eu dizia para mim para ele dentro do elevador, entrei no quarto atrás dele que não sou besta, ele tirou minha calça e me pôs na cama de bunda pra cima e eu ó só de esguelha vendo ele tirar a calça também. Aí o homem subiu na cama e me enrabou.

Eu desconheço política mas esse Partido Comunista não conhecia paulista, era igual dr. Getúlio, general Miguel e dr. Luís Carlos Prestes. Tudo gente boa os comunistas passeando e proseando pelo corredor interno do Presídio Maria Zélia, aliás nem todos eram, o turco que só falava italiano saía da privada e acusava todos “comunisti de merda cagano e no puxano”, aquela risada de não acabar e depois cantavam porque Soler partia “vai vai meu bem cumprir a tua sina o teu destino será teu juiz muito embora eu fique chorando peço a Deus que te faça feliz” e Soler abanava a cabeça e levantava o braço do adeus rindo e chorando também. Em Santos puseram ele no navio e em Vigo de Espanha Franco o fuzilou. Foi Vicente Rao quem mandou, e dr. Getúlio ocupado com uma cousa e outra de tudo foi perdoado porque amou o povo do qual pretendera ser escravo e que não deveria ser mais escravo de ninguém. Mais tarde desfeitas as intrigas os doutores Getúlio e Luís Carlos Prestes fizeram a paz. Os paulistas reunidos de todo o Brasil reagiram, mataram dr. Getúlio e fizeram tais que dr. Luís Carlos Prestes foi de novo embora e ninguém hoje sabe mais o que faz em Moscou o bom velhinho, vovô índio daqui.

Paulo Emilio Salles Gomes

Paulo Emilio Salles Gomes, escritor e crítico de cinema, falecido em 1977.

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