questões criminais

A construção de um serial killer

Ele está preso e foi acusado de matar 21 pessoas. Sua história é um prodígio de imaginação

Mario Cesar Carvalho
Melo, no traço de Yoshiharu Kawasaki, profissional que já fez mais de 6 mil retratos falados
Melo, no traço de Yoshiharu Kawasaki, profissional que já fez mais de 6 mil retratos falados CREDITO: YOSHIHARU KAWASAKI_2020

O delegado Wagner Sales, um senhor de 50 anos, cabelos alourados e barba cuidadosamente aparada, preparou-se para a entrevista coletiva daquele 12 de dezembro de 2019. Na sala de imprensa da Polícia Civil de Minas Gerais, em Belo Horizonte, havia uma aglomeração de jornalistas e cinegrafistas. O delegado apareceu em cena e, com um ar grave, fez um anúncio incomum: a polícia havia prendido um assassino em série, responsável pela morte de 21 pessoas no Norte de Minas.

O nome do preso era Laércio Soares de Melo, estava com 55 anos e fora cabo da Polícia Militar. O delegado Wagner Sales descreveu-o como um psicopata, um homem de “perfil frio”, “que não respeita a vida humana, não respeita a dor alheia”. Sales ressaltou que Melo tinha atitudes que pareciam extraídas de filmes de ficção, como o hábito de confortar os parentes da pessoa que ele havia acabado de matar. “Após o desaparecimento da vítima, ele comparecia à casa da família, se colocava para consolá-la e para ajudar nas buscas pelo desaparecido.” O delegado também explicou o método criminal do ex-cabo. “A motivação era a cobiça pelos bens alheios. Ele passava confiança para essas pessoas, e elas se sentiam confortáveis em transferir os bens para ele”, disse. “Depois que ele estava com esse bem, ele ceifava a vítima.”

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Mario Cesar Carvalho

É jornalista, autor de Carandiru – Registro Geral (Wide Publishing)

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