tempos da peste

Depois do martelo

Florianópolis foi um exemplo no combate à pandemia – até que tudo começou a desandar

Camille Lichotti
CREDITO: BETO NEJME_2020

Cercado por colegas de trabalho, Matheus de Andrade acabara de beber seu cafezinho quando o celular recebeu a mensagem que, de certa forma, ele vinha aguardando havia semanas. Pelo WhatsApp, Ana Cristina Vidor, a gerente da Vigilância Epidemiológica, avisava: “Confirmado o primeiro caso.” Andrade, que trabalha como gerente de Inteligência e Informação da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, sabia que era uma questão de tempo para que o novo coronavírus chegasse às terras catarinenses. Naquela manhã de quinta-feira, 12 de março, ele e seus colegas faziam hora em frente ao gabinete do secretário de Saúde, Carlos Alberto Justo da Silva, para uma reunião que começaria por volta das 8 horas. Fariam uma análise de custos do sistema de saúde da capital, mas a reunião logo se transformou em um comitê de crise. Quando Andrade deu por si, já havia mais de trinta pessoas no gabinete de 10 m2. “Foi provavelmente a última aglomeração da cidade”, brinca ele. No mesmo dia, chegou a notícia do segundo caso. Era preciso agir rápido.

A equipe técnica da Secretaria de Saúde, que já vinha recolhendo literatura científica sobre a pandemia, reuniu-se no dia seguinte com o prefeito Gean Loureiro (DEM) e representantes de outras secretarias. Munidos de gráficos, artigos científicos e análises de casos, os servidores da área da saúde, em sua maioria médicos, demonstraram o estrago que o Sars-CoV-2 vinha fazendo em sua viagem pelo mundo. Naquele dia, a Itália acumulava 15 mil casos da doença e já vivia uma situação dramática. Na província de Milão, na região da Lombardia, epicentro dos casos no país, as autoridades demoraram a adotar medidas de isolamento e, para piorar, ainda houve uma campanha contra o fechamento do comércio local, sob o mote Milano non si ferma, que convocava a população a manter vida normal. O objetivo dos técnicos da saúde em Florianópolis era evitar o trágico erro de Milão. Restava convencer o prefeito e os demais secretários de que o isolamento, já no surgimento dos primeiros casos, era a decisão correta a ser tomada.

A equipe técnica se inspiraria em um artigo do escritor francês Tomas Pueyo, publicado numa plataforma online sob o título Coronavirus: The Hammer and the Dance (Coronavírus: o martelo e a dança). Na metáfora de Pueyo, o martelo é a adoção rápida de medidas de controle, como testagem em massa, rastreamento de contatos e distanciamento social. A “martelada” inicial achata a curva de novos casos e diminui a transmissão do vírus, salva vidas e dá tempo aos gestores, algo crucial para combater uma pandemia causada por um vírus até então desconhecido. Com mais tempo, os pesquisadores podem estudar o comportamento do vírus, os médicos podem analisar e atender seus pacientes, o governo pode desenhar uma estratégia de ação e os cientistas podem trabalhar numa vacina. Deixar o vírus correr solto, se espalhando em progressão geométrica, não era uma opção. Seguindo à risca as medidas que compõem o martelo, os números da epidemia caem.

E então a dança começa. Trata-se da busca pelo delicado equilíbrio entre o controle de casos e a vida social, o que demanda um engenhoso jogo de cintura capaz de conjugar exigências sanitárias e socioeconômicas. Até hoje, em nenhuma epidemia de que se tem notícia, um país conseguiu manter toda a população trancada em casa até que se dispusesse de uma vacina. Por isso, é preciso afrouxar e restringir as medidas de isolamento, conforme a situação evolui, continuar testando e rastreando casos. Saber quando avançar ou retroceder nas medidas é como uma valsa – qualquer passo no tempo errado pode ter consequências duras.



 

Desde aquela primeira reunião, o prefeito de Florianópolis tomou uma decisão elementar, mas que muitos governantes evitaram: todas as medidas dali em diante passariam pelo crivo da ciência, representada pelos técnicos da área da saúde. “Nós começamos a participar de todas as reuniões do colegiado do gabinete do prefeito, com todas as outras áreas da administração”, lembra Matheus Andrade, 43 anos, há menos de um ano na gerência de Inteligência e Informação. “Mostrando as evidências, a gente conseguiu criar uma conexão técnico-política e uma sensibilidade nos gestores públicos.” O que eles pediam não era simples. O prefeito Gean Loureiro, que ocupa o primeiro cargo executivo de sua carreira pública, teria que começar a bancar os custos políticos de paralisar o município já na largada. Na primeira reunião da pandemia, ele ouviu as explicações técnicas, fez perguntas relevantes e não demorou para entender conceitos básicos de epidemiologia, como taxa de letalidade e protocolos de diagnóstico da doença. E topou o desafio.

Enquanto outras cidades brasileiras saíram em uma corrida maluca para comprar respiradores, a Prefeitura de Florianópolis, que não administra nenhum hospital de média ou alta complexidade, concentrou-se no fortalecimento da atenção básica e em medidas preventivas de vigilância e controle. “Montar uma estratégia se baseando em UTI é muito perverso”, diz Eleonora d’Orsi, professora do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro do Observatório Covid-19 BR, uma plataforma de pesquisadores que zela pela difusão de informações confiáveis sobre a pandemia. “Você coloca toda a conta em cima do desgaste e sofrimento dos profissionais de saúde. A UTI não é uma internação tranquila, o processo de intubação não é tranquilo. Antes de uma pessoa ser intubada ela se despede da família porque nada garante que vá voltar à consciência. É muito desgastante, para o paciente e para o médico.” Diante de uma pandemia dessa magnitude, diz ela, é preciso trabalhar para evitar situações assim, e não considerar inevitável que se chegue a esse estágio.

Florianópolis preferiu montar seu combate à pandemia com base em um tripé: restrição de circulação, testagem e, numa medida um tanto rara entre as cidades brasileiras, rastreamento de contato. Na mesma sexta-feira daquela reunião inaugural, o prefeito decretou as primeiras medidas de distanciamento social na cidade – entre elas, a proibição de qualquer evento de massa. A essa altura, a Vigilância Epidemiológica, órgão vinculado à Secretaria de Saúde, monitorava cerca de cinquenta casos suspeitos. Três dias depois, em 16 de março, mesmo sem indicação de transmissão comunitária na cidade, o decreto foi atualizado com novas restrições, dessa vez suspendendo cinemas, museus e teatros, além das aulas em estabelecimentos públicos e privados. No dia 18 de março, quando Florianópolis tinha apenas cinco casos confirmados[1] e nenhuma morte, vieram as medidas mais duras, com fechamento de bares, restaurantes, lojas e shoppings, seguindo a determinação do governo estadual. As operações de transporte público também foram proibidas. A prefeitura passou a oferecer um serviço especial de transporte para profissionais de saúde e limpeza pública. Florianópolis foi uma das poucas capitais brasileiras a proibir totalmente a circulação de transporte público para a população dentro do município. A prefeitura apostava todas as fichas na primeira “martelada”.

Para implantar a testagem, Florianópolis comprou 2 mil testes do tipo RT-PCR, que identifica o vírus no período em que está ativo no organismo. Era uma precaução para o caso de o Laboratório Central de Saúde Pública, que processa os testes em Santa Catarina, não conseguir absorver a demanda do município. Em meados de abril, a prefeitura comprou mais 25 mil testes rápidos, que se juntaram aos 5,9 mil enviados pelo governo federal entre março e junho. Com isso, até 7 de julho, Florianópolis conseguiu fazer 17 255 testes nas redes pública e privada. Foram 3 383 testes para cada grupo de 100 mil habitantes. A média brasileira, bem inferior, ficou em 1 870 no mesmo período, segundo dados do Ministério da Saúde. O rastreamento de contato, medida altamente eficaz para conter a doença, já vinha sendo usado pela Vigilância Epidemiológica para o monitoramento do sarampo e da dengue. Por isso, teve apenas de ser adaptado para o surto de coronavírus. “A gente sabia que o teste sozinho não faria milagre”, diz Filipe Perini, infectologista e gerente de Integração Assistencial da prefeitura. “É preciso somar clínica, testagem e epidemiologia para tomar as decisões certas.”

O tripé montado pela capital catarinense tinha base científica. Um artigo publicado na revista The Lancet mostrara que, se 5% da população for testada a cada semana, e essa for a única medida implementada para combater a pandemia, haverá uma redução de apenas 2% na transmissão do vírus. Mas, quando os casos suspeitos e seus familiares são isolados, testados e seus contatos são rastreados e quarentenados, então a transmissão da doença é reduzida em 64%. Com suas boas medidas, Florianópolis levou 92 dias para alcançar os primeiros mil casos da doença, um dado relevante para entender a velocidade de disseminação de um vírus, sobretudo quando se trata de um surto agudo, em oposição a um mal crônico. Dentre as capitais, foi a que mais demorou a cruzar a linha da milésima vítima, à exceção de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, que, no entanto, demonstrava na época indícios de uma grave subnotificação.

 

A assistente social Simone Lolatto, que completa 45 anos neste mês de outubro, trabalha na Prefeitura de Florianópolis há doze anos. Em meados de abril, quando o prefeito convocou servidores voluntários para ajudar no rastreamento de contatos, Lolatto resolveu atender ao chamado. Na primeira semana de trabalho, sob orientação da Secretaria de Saúde, ela estudou como ocorre o contágio da Covid-19 e recebeu treinamento para fazer relatórios e seguir protocolos. Das 13 às 19 horas, Lolatto trabalha em uma sala cedida pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Ali, há catorze computadores e catorze telefones fixos, que são compartilhados pelos que trabalham em turnos diferentes. Por meio do sistema montado pela Secretaria de Saúde e pela Vigilância Epidemiológica, os servidores se informam sobre os novos casos de contaminação. Seu trabalho é entrar em contato com os infectados e dar início a um longo questionário.

É um trabalho minucioso. No relatório de cada paciente, Lolatto registra o dia em que surgiram os primeiros sintomas, descreve a evolução geral do quadro clínico e verifica se a pessoa está cumprindo o isolamento social em casa. Caso o infectado não possa se isolar dos familiares, a prefeitura paga um quarto de hotel pelo período necessário. Além disso, Lolatto precisa recolher o nome e o telefone de todas as pessoas que tiveram contato próximo com o contaminado, desde os três dias anteriores ao aparecimento dos primeiros sintomas. Essas pessoas, mesmo antes de realizar o teste de Covid-19, são orientadas a ficar em isolamento por duas semanas, no mínimo, a contar do dia do contato. Encaminhadas para a testagem, se alguma delas tiver resultado positivo, repete-se então toda a ciranda de contatos dessa pessoa. O sucesso do trabalho de Lolatto depende da boa vontade de seu interlocutor, o que nem sempre acontece.

“Eu já fui chamada de louca, já fui xingada, já desligaram o telefone na minha cara”, conta ela. “Essa reação vem principalmente dos assintomáticos, que não acreditam que podem ter se infectado.” Nesses casos, o trabalho da equipe passa a ser de convencimento. Eles precisam alertar que a ação individual é importante para conter o avanço da epidemia na cidade. Se, ainda assim, o interlocutor se recusar a realizar o teste ou cumprir as medidas restritivas, Lolatto adiciona esse caso em uma planilha de descumprimento, para que a Vigilância Epidemiológica possa localizar o recalcitrante. Ela conta que, além das recusas, há o receio dos moradores em compartilhar seus contatos próximos. “Tem gente que acha que é trote ou algum tipo de golpe”, diz. “Isso dificulta muito porque a gente precisa encontrar formas de provar que trabalha para o governo.” Em média, Lolatto entrevista 25 pessoas por dia.

Para que o sistema de acompanhamento funcione, é necessária a atuação de outro grupo de profissionais: os que trabalham nas unidades de atenção básica, um sistema que o Brasil implementa desde 1994 e que serve como porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS). Na capital catarinense, há 49 centros de saúde desse tipo, que cobrem praticamente 100% do município. Jardel de Oliveira, de 44 anos, trabalha há nove no Centro de Saúde João Paulo, localizado no bairro de mesmo nome. Sua equipe, formada por sete profissionais, acompanha 3,5 mil pessoas que moram na sua área de cobertura. Quando a epidemia teve início, as unidades de atenção primária passaram à linha de frente do monitoramento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19. “Todos os moradores que acompanhamos podem entrar em contato com a equipe por meio do nosso WhatsApp. Isso facilita a organização e é muito eficaz do ponto de vista da vigilância”, diz Oliveira.

A cidade ainda conta com o Alô Saúde Floripa, o primeiro serviço remoto de atendimento pré-clínico via sus implantado no Brasil. Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Esse sistema vinha sendo desenvolvido pela prefeitura desde 2016, e sua implementação veio a calhar no momento da pandemia. O Alô Saúde Floripa foi inaugurado dia 16 de março de 2020 e desde então dá orientações sobre a epidemia, informa sobre os locais onde se pode fazer um teste de Covid-19 e oferece uma pré-consulta, coisa importante num momento em que os hospitais são os lugares de maior risco. O sistema é administrado pela empresa TopMed, licitada pela prefeitura. Cerca de sessenta funcionários trabalham nesse atendimento.

Com essa estrutura em funcionamento, Florianópolis conseguiu evitar o colapso do sistema de saúde, como aconteceu em algumas capitais brasileiras, como Belém e Manaus, cujos hospitais lotaram tanto em decorrência dos casos de Covid-19 quanto de pacientes com outras comorbidades que eles não puderam ser socorridos a tempo. Em Florianópolis, de março até maio, a mortalidade geral foi 2% superior à média dos últimos cinco anos. Em Belém, ficou 79% acima do esperado apenas no mês de abril. “O grande diferencial é ter uma atuação voltada para a pessoa, focando na necessidade de cada um e entendendo o processo de adoecimento de cada indivíduo”, diz Oliveira, do Centro de Saúde João Paulo. E um sinal de sucesso é o uso do centro por todas as camadas sociais. “Aqui atendo tanto os moradores de condomínios luxuosos quanto a comunidade de pescadores”, conta. “Até quem tem plano de saúde busca nossa orientação”, completa, rindo.

A professora Eleonora d’Orsi é uma prova disso. Em meados de março, sua filha de 28 anos teve sintomas de Covid-19 e buscou atendimento no centro de saúde mais próximo, no Córrego Grande, um bairro de classe média da cidade. No mesmo dia, agentes da Vigilância Epidemiológica foram até sua casa coletar material para fazer o RT-PCR. O resultado positivo chegou em três dias. Todos os membros da família foram orientados a ficar em quarentena e, posteriormente, também foram testados. “A nossa equipe de saúde ligava todo dia para saber como a gente estava e isso fez toda a diferença”, conta d’Orsi. “O uso da atenção básica como referência, integrado à Vigilância Epidemiológica, foi sem dúvida uma das grandes razões para a epidemia não ter se agravado tanto em Florianópolis nesses primeiros meses.”

Até a terceira semana de abril, a cidade conseguiu manter sob controle o seu Rt (ritmo de contágio), índice que mede a taxa de transmissão do vírus. O Rt estava abaixo de 1. Isso significa que cada dez pessoas infectadas contagiam menos de dez pessoas, o que sugere uma desaceleração da pandemia. Um Rt superior a 1 indica que a pandemia está em crescimento. A taxa natural de transmissão do vírus é igual a 3. Ou seja: se absolutamente nada for feito, uma pessoa transmite o vírus para outras três, que transmitem para nove, que transmitem para 27 e assim por diante, numa progressão geométrica. Com a primeira “martelada”, Florianópolis conseguiu chegar a um valor controlável.

“Eu via que a cidade não estava tendo nada”, diz o motorista de ônibus Anthony Murilo da Silva, de 38 anos. Mesmo com o transporte público paralisado desde o dia 18 de março, Silva não parou de trabalhar. Ele foi um dos 29 motoristas que faziam o transporte especial de profissionais da área de saúde. Eram catorze linhas, com horários fixos e paradas em hospitais e centros de saúde. Morador do bairro Saco Grande, no Centro-Norte da ilha de Florianópolis, Silva operava a linha Barra da Lagoa, que vai do Leste da ilha até o Terminal de Integração do Centro (Ticen), na região central da cidade. No trajeto, começou a fazer amizade com os médicos e enfermeiros que transportava todos os dias. “Eles contavam que demoravam uma hora para colocar todo o equipamento de proteção do hospital e era muito difícil cuidar das pessoas”, diz. Uma enfermeira, que trabalhava no Hospital Governador Celso Ramos, localizado no Centro, fazia questão de avisar o motorista quando não havia nenhuma morte. “Então eu não tinha medo porque sabia que estávamos seguros. Não tem perigo nenhum se as pessoas se cuidarem”, disse Silva.

Mas, quando tudo parecia ir bem, as coisas começaram a mudar.

 

Depois de 24 dias de quarentena, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), autorizou a reabertura das atividades a partir do dia 13 de abril. Naquela altura, havia 21 mortes no estado. A Prefeitura de Florianópolis achou que talvez fosse cedo demais para reabrir, mas cedeu à pressão estadual e liberou a volta das atividades para o dia 20 de abril. Três dias antes, quando a cidade registrava quatro mortes e tinha 221 casos confirmados, uma edição do Diário Oficial autorizara a volta do comércio de rua com algumas condições, como a obrigação de fornecer álcool em gel e máscara aos clientes e evitar aglomeração, deixando 4 m2 para cada pessoa. Restaurantes e bares foram autorizados a reabrir com atendimento no ambiente interno, e recomendou-se que shoppings e supermercados medissem a temperatura dos clientes e barrassem quem apresentasse febre acima de 37,8ºC. Os ônibus e vans continuaram suspensos.

O mês de abril terminou e, durante o mês de maio, a retomada das atividades parecia ter sido um acerto, com os números da pandemia sob controle. Florianópolis teve a sétima morte por Covid-19 no dia 4 de maio, quase dois meses depois da confirmação do primeiro caso. De 4 de maio a 4 de junho, não registrou um único óbito. Foram trinta dias sem mortes, no meio da epidemia mais letal do último século – um feito que nenhuma outra capital brasileira conseguiu repetir até agora. O desempenho da cidade ganhou as páginas dos jornais, que tentaram explicar a gênese do fenômeno. Em 16 de junho, o Programa Cidades Sustentáveis (PSC), um banco de ideias sobre boas práticas urbanas, divulgou um levantamento no qual Florianópolis aparecia com a menor taxa de morte entre todas as capitais brasileiras, 0,9% – um índice bem menor que a média do país, que era de 5%. O cálculo levou em conta o número de mortes e casos confirmados.

Com a primeira morte depois de trinta dias, os números de casos confirmados voltaram a crescer, embora em ritmo inferior ao de outras capitais. No dia 17 de junho, em que pese a piora do cenário, o transporte público voltou a funcionar. No final de semana anterior, a prefeitura testou, a partir de doações do movimento Floripa Sustentável, todos os 1,5 mil trabalhadores que retornaram às atividades nesse setor – apenas três tiveram resultado positivo do teste RT-PCR. Os ônibus só podiam rodar com 40% da capacidade total. Em parceria com a Smart Tour, uma startup nativa de Florianópolis – ou “manezinha”, como dizem os locais –, a prefeitura lançou um projeto para ajudar no rastreamento de casos positivos no transporte público. Todos os ônibus passaram a ter um QR Code. Ao entrar no veículo, o passageiro aponta a câmera do celular para o código de barras, se cadastra na plataforma com o CPF ou o número do celular e faz o check-in. Se algum outro passageiro daquele ônibus for diagnosticado com coronavírus, todos os outros que andaram no mesmo veículo receberão um aviso para realizar o teste.

Aos poucos, a sensação de segurança coletiva, bem diferente do desespero inicial diante de uma doença desconhecida, foi se disseminando entre os moradores da cidade. “O impacto positivo que tivemos nos números passou uma falsa sensação. A gente precisa entender que o controle é demorado, mas o descontrole é rápido”, explicou Ana Cristina Vidor, gerente de Vigilância Epidemiológica da cidade. “Mesmo com uma tentativa de educação no sentido de não deixar as pessoas baixarem a guarda, eu acredito que essa não foi uma mensagem muito bem entendida.” Ao mesmo tempo que é uma emergência de saúde, a epidemia de coronavírus é também uma emergência de comunicação. De certa forma, Florianópolis começava a ser vítima de seu próprio sucesso.

 

Em 20 de junho, três dias depois da liberação do transporte público, a cidade amanheceu com um belo sol. Era sábado, e as praias lotaram. A maior parte dos banhistas não usava máscara de proteção. O acesso à praia não estava proibido, mas as aglomerações ainda precisavam ser evitadas. Afinal, o Covidômetro, um painel online criado pela prefeitura para indicar o nível de risco enfrentado pela cidade, informava que Florianópolis estava em momento de “risco moderado”. O secretário de Saúde, Justo da Silva, indignado com a multidão nas praias, chamou a aglomeração de “piada”. Na segunda-feira seguinte, o próprio prefeito Gean Loureiro, em vídeo no YouTube, deu o tom da crise que se aproximava. Dirigindo-se à população como um pai que adverte um filho rebelde, Loureiro anunciou novas restrições. “Está havendo abuso, irresponsabilidade”, disse. “Como prefeito responsável por essa cidade até dezembro, não vou pagar para ver.”

O número de doentes triplicara. Havia o dobro de internados em UTI. No Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, a UTI atingira 100% de sua capacidade. No vídeo, o prefeito então descreveu as novas medidas. A partir da quarta-feira seguinte, bares e restaurantes só poderiam funcionar durante o dia, das 11 às 15 horas, e ficariam fechados nos fins de semana. Shoppings, galerias comerciais e academias também voltariam a ser fechados. O uso de máscara, obrigatório desde meados de março em estabelecimentos comerciais, passaria a ser obrigatório em qualquer lugar da cidade. A multa para infratores subiria de 125 para 1 250 reais. Desde o início do mês, o governador Carlos Moisés decidira deixar a cargo dos prefeitos as medidas para enfrentar a pandemia – menos para dar-lhes liberdade de ação, e mais para se livrar da responsabilidade. Loureiro não se fez de rogado. No vídeo, usou um tom sereno e evitou o alarmismo, mas foi firme e frisou sua disposição de manter um combate cerrado contra o vírus: “Aqui, não vai ter segunda onda.”

A essa altura, porém, já estava claro que a reabertura em abril fora um erro. Mas, ao contrário da primeira martelada em março, o novo ataque ao vírus trouxe à lembrança a campanha Milano non si ferma. Alguns empresários e parte da população se uniram para protestar contra o novo fechamento. No dia seguinte à divulgação do vídeo do prefeito, o Direita Santa Catarina (DSC) juntou-se a outros movimentos de direita e fez uma manifestação contra as restrições. Pelo Facebook, os organizadores compartilharam uma imagem que dizia “Lockdown não! O povo precisa trabalhar.” Dois dias depois, a página do DSC publicou um vídeo narrando o imbróglio causado pelo decreto da prefeitura. Em um protesto em frente à Câmara, Pedro Neves, fundador e líder do DSC, aparece em primeiro plano diante da câmera: “Você fica com sua loja fechada, seu comércio fechado, sua academia fechada, perdendo dinheiro e falindo, enquanto eles têm o salário garantido”, diz, apontando em direção ao prédio da Câmara Municipal. “Cobre os vereadores, em breve a gente vai lançar aqui o telefone de cada um e vamos cobrar, vamos meter pressão, porque senão vocês vão ficar em casa fechados passando fome”, concluiu. Na seção de comentários, um seguidor se manifesta em apoio a Neves. “Tudo vagabundo!! Pra pedir voto sabem!!! Aguardem, novembro vai chegar!!!” (Neves é pré-candidato a vereador em Florianópolis pelo Patriota.)

No Centro da cidade, lojistas fizeram uma passeata até a prefeitura para protestar contra as restrições. “Não nos prejudique injustamente”, dizia um dos cartazes. As manifestações contra medidas de distanciamento, que começaram timidamente em março, estavam agora maiores, mais frequentes e mais agressivas. Um grupo de representantes do setor de academias de ginástica chegou a entrar na Secretaria de Saúde e, aos gritos, ameaçou técnicos e diretores. O prefeito e o secretário de Saúde receberam ameaças à integridade física de suas famílias pela internet.

Diante da revolta contra as medidas mais recentes, na tarde do dia 30 de junho, o comitê de crise da prefeitura se reuniu por videoconferência com empresários da região e representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Um dos presentes era o empresário Ivo Pires, de 32 anos, que trabalha há cinco no ramo da gastronomia e é dono do Amalfi e do grupo Noma Sushi, restaurante com doze unidades em Florianópolis e uma em São Paulo. Durante a quarentena, ele viu-se forçado a demitir 40% dos funcionários. Em maio, quando só podiam atender com entregas em domicílio, suas empresas faturaram apenas 5% do habitual. Com a flexibilização, chegaram a 80% do desempenho de antes. Pires aproveitou a permissão federal para reduzir salários e jornadas, mas não conseguiu contrair nenhum empréstimo. “O dinheiro não chegou na ponta, eu consigo contar nos dedos quem conseguiu o empréstimo do BNDES”, disse. Na semana da reunião, apesar das dificuldades, Pires havia comprado a Pure Food, que distribui seus alimentos sem glúten para grandes varejistas em algumas regiões do Brasil.

A reunião transcorreu em tom cordial. “A gente precisa conversar antes que a prefeitura tome uma decisão, para podermos nos organizar”, reclamou Pires. Os empresários também pediram mais clareza nos dados e argumentaram que, como os municípios vizinhos a Florianópolis não adotavam as mesmas medidas de restrição, a decisão do prefeito não mantinha as pessoas em casa, só fazia com que se deslocassem para consumir em outros municípios. A prefeitura, então, recuou. As novas restrições, anunciadas no vídeo do YouTube, foram revogadas. Filiado a um partido de direita, o prefeito Loureiro, candidato à reeleição, aparentemente concluiu que não podia bancar decisões que o eleitorado mais conservador associa à esquerda. No dia 9 de julho, ele fechou um acordo com os três municípios vizinhos – São José, Biguaçu e Palhoça – para alinhar as orientações e implementar decretos únicos. Como as três cidades, todas comandadas por prefeitos do PSD, vinham adotando medidas mais leves que as de Florianópolis, o acordo serviu para amenizar as restrições na capital. “Na prática isso provou ser verdadeiro”, admite Loureiro. “O consenso acabou muito mais restritivo para eles do que para Florianópolis. Mas se eu insistisse em fechar, eles iriam permanecer abertos.”

Os protestos, manifestações e ameaças contra medidas restritivas parecem sugerir que a economia da cidade estava sangrando. Mas os números mostram outro cenário. Santa Catarina foi o estado que manteve a menor taxa de desocupação nos momentos mais críticos da pandemia, entre maio e julho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 8,4% da força de trabalho catarinense estava sem ocupação no fim de julho. É bem menos que a média brasileira de 13%. Aos poucos, Florianópolis acomodou-se à crise e conseguiu neutralizá-la. Em junho, alguns setores do comércio varejista contrataram mais do que demitiram. “A quarentena estrita traz muitos problemas para uma economia como a do Brasil, que tem um setor informal muito grande e altas taxas de desemprego. Mas Florianópolis é outra realidade”, explica Leonardo Regis, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina. “A economia aqui é extremamente diversificada e conseguiu resistir à paralisação.” Segundo dados da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, a capital foi o município que mais abriu empresas, inclusive durante a pandemia. De janeiro a agosto, foram mais de 11 mil novos negócios.

 

Ao descompasso com a situação econômica somou-se um descompasso com a própria pandemia. Em um estudo do Observatório Covid-19 BR, pesquisadores analisaram os decretos sobre a Covid-19 publicados no Diário Oficial da Prefeitura de Florianópolis entre fevereiro e julho. Eles compararam as medidas – de restrição ou de flexibilidade – com a taxa de transmissão. Concluíram que, entre 14 de maio e 14 de julho, apenas dois decretos estavam em consonância com o cenário enfrentado pela cidade. Outros dez decretos flexibilizavam o distanciamento, quando deveriam mantê-lo, ou endureciam as medidas de restrição, quando deveriam relaxá-las. Florianópolis não soube acompanhar a dança de Pueyo – e desistiu de tentar. De agosto em diante, o prefeito ficou insensível às demandas dos técnicos. A professora Eleonora d’Orsi, uma das autoras do estudo do Observatório, assinou um manifesto com colegas da UFSC para pressionar a prefeitura a tomar medidas de restrição. Sem resultado. “Não é uma epidemia em que não se pode fazer nada. Tem, sim, muito a ser feito”, diz ela. “Os técnicos e setores da saúde continuam pressionando a prefeitura para aumentar os decretos de isolamento, mas as recomendações não são mais acatadas.”

Nas reuniões, o prefeito passou a mostrar o peso de suas preocupações políticas e começou a fazer uso frequente de duas expressões: “pesquisa de opinião” e “situação insustentável”. Aos poucos, a equipe de saúde perdeu o contato, tão próximo no começo da epidemia, com o alto escalão do Executivo local. As cenas de profissionais de saúde sentados à mesa com o prefeito, que se repetiam toda semana, sumiram. Quando o prefeito decide consultar algum dos especialistas, o faz individualmente, em contatos bilaterais, num processo que facilita a intimidação do interlocutor. A equipe de saúde passou a enviar recomendações redigidas em forma de ofícios, mas o prefeito as ignora.

Diz o prefeito: “Na gestão, nós não visualizamos apenas uma linha. É uma visualização de 360 graus. Nosso comitê de combate à Covid é formado por todos os técnicos, médicos e infectologistas, mas também participam os setores de desenvolvimento econômico, a parte administrativa etc. É uma equipe multifuncional, que toma decisões conjuntas. Medidas restritivas eventualmente podem gerar desobediência civil, devido ao longo tempo que tivemos de confinamento. Por isso tomamos decisões baseadas nos indicadores que mostram mais resultado.”

Naquele mesmo dia em que o prefeito se reuniu com os empresários, Florianópolis fechou o mês de junho com uma média diária de 51 novos casos confirmados por dia – quatro vezes a média do mês anterior. Desde então, o número de casos não parou de subir, num ritmo cada vez mais acelerado. Em julho, a média diária chegou a 168 casos confirmados. Os leitos de UTI, que antes tinham folga para receber os pacientes, chegaram a 97% de ocupação. Mais tarde, como Florianópolis e outras cidades continuavam em situação mais precária, o Ministério Público de Santa Catarina ajuizou uma ação exigindo que o governador Carlos Moisés assumisse as decisões de combate à pandemia, em vez de jogar a responsabilidade para os prefeitos. A situação, no entanto, só piorou. O governo estadual, em vez de endurecer o controle, preferiu flexibilizá-lo. (O governador, eleito na onda bolsonarista de 2018, coleciona, até agora, dois pedidos de impeachment. Um deles por irregularidades na compra de duzentos respiradores, no valor de 33 milhões de reais.)

Com a reabertura das atividades e o salto de casos, Simone Lolatto, a assistente social que trabalha com rastreamento de contato, sentiu a mudança. “Antes os contatos ficavam na órbita da família. Era mais simples. Agora, as pessoas começaram a ter cada vez mais contatos e a gente perde mais tempo tentando rastrear todo mundo.” No início de julho, ela ficou responsável pelo caso de um gerente de imobiliária que relatou ter tido dezoito contatos próximos. “Perdi o dia inteiro só com aquele caso.” A multiplicação de contatos era o principal sinal de que a doença estava se alastrando de forma descontrolada.

Até a primeira semana de setembro, mais de 17 mil monitoramentos haviam sido realizados, mas 8 mil ainda estavam pendentes. Até o dia 2, a cidade havia registrado 123 mortes – 82% delas apenas nos dois meses anteriores. Até 30 de setembro, já haviam sido confirmados 13 mil casos e outros 8,5 mil estavam em análise – dos confirmados, 471 eram casos ativos –, e as mortes haviam subido para 135. Num país em que o total de mortos beira os 150 mil, o número de óbitos pode parecer pequeno, mas mostra que a Covid-19, em Florianópolis, tal como acontece em outras capitais brasileiras, já é mais mortal que os acidentes de trânsito. Precisamente, 3,6 vezes mais mortal. Matheus Andrade, o gerente que recebeu a confirmação do primeiro caso por mensagem de celular, agora trabalha como nunca. Mas isso não parece incomodá-lo. “Nós, profissionais de saúde, escolhemos essa área para enfrentar momentos como esse”, diz.

O crescimento de casos trouxe também a praga da desinformação. “Os indicadores do Covidômetro estão sendo manipulados e modificados o tempo todo”, acusa d’Orsi. “A situação grave que está sobrecarregando o sistema de saúde está sendo maquiada.” O Covidômetro divulga o nível de risco (controlado, baixo, moderado, alto ou altíssimo) e recomenda automaticamente as restrições necessárias para cada situação. Ainda em julho, quando o painel marcava “risco altíssimo”, as recomendações simplesmente sumiram. A prefeitura alegou que não fazia mais sentido mantê-las, pois as medidas restritivas passaram a ser combinadas com as cidades vizinhas. A equipe técnica aceitou o argumento, mas pediu que o Covidômetro, sendo um instrumento estritamente técnico, continuasse sob seu comando. Não foi o que aconteceu. Na verdade, aconteceu pior.

No dia 1º de setembro, a Secretaria de Saúde pediu uma análise dos técnicos em relação às informações do Covidômetro. Nesse dia, mais uma vez Florianópolis estava em “risco altíssimo”, pois a taxa de replicação viral passara de 1, a média diária chegara a quase dois óbitos e havia um crescimento desenfreado de casos suspeitos. O isolamento, portanto, tinha que ser ampliado. Com o objetivo de evitar a adoção de restrições muito rigorosas, o secretário quis saber se seria viável reduzir o nível de “risco altíssimo” para “risco alto”. A equipe técnica analisou o assunto e concluiu que não era possível fazer isso. No dia seguinte, à revelia das orientações, o Covidômetro indicava apenas “risco alto”.

Era uma determinação da Casa Civil.


[1] Como os números de casos de Covid-19 são atualizados retroativamente, hoje se sabe que naquele dia, 18 de março, Florianópolis já tinha 32 casos. Mas, na época, a prefeitura ainda desconhecia esse dado e trabalhava com apenas cinco.

Camille Lichotti

Estagiária de jornalismo na piauí

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