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“Verdadeiro comércio”

    CRÉDITO: REINALDO FIGUEIREDO_2025

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“Verdadeiro comércio”

As ramificações do escândalo de venda de sentenças na Justiça

Breno Pires | Edição 230, Novembro 2025

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A família se reuniu em torno do morto com a gravidade de quem velava um segredo. Na noite em que o advogado Roberto Zampieri foi assassinado com doze tiros dentro do próprio carro, em Cuiabá, seu irmão Galileu não pediu justiça, nem vingança. Fez só uma exigência: que ninguém analisasse o iPhone 14 da vítima. Conforme consta no boletim de ocorrência, os policiais advertiram que a recusa em fazer uma perícia técnica no celular poderia atrasar a investigação do crime, mas o irmão insistiu. Disse que a família toda havia concordado em manter sigilo do conteúdo do celular. Na delegacia, ninguém sabia a razão de tanto segredo, nem o agente que fez a vistoria do veículo enquanto o corpo de Zampieri ainda estava no carro – ocasião em que a luz do celular da vítima acendeu de repente, sinalizando que uma mensagem havia acabado de chegar.

O aparelho foi então lacrado. Em 7 de dezembro de 2023, dois dias depois da morte de Zampieri, as coisas mudaram. Outro irmão da vítima, Giuseppe, autorizou a Polícia Civil a examinar o celular, com uma ressalva: os policiais deveriam extrair do aparelho apenas informações que pudessem esclarecer o crime. Nada além disso. A polícia começou então a perícia, enquanto continuava a investigação por outros meios. Não demorou a chegar ao principal suspeito do homicídio: Antônio Gomes da Silva, um senhor corpulento de 55 anos, que aparecera um mês antes no escritório de Zampieri e se apresentara como padre. Usava bengala, boina e óculos.

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