tempos da peste

A palavra e o vírus

Como a pandemia está afetando a criação de escritores latino-americanos e espanhóis

Leila Guerriero
A literatura vista da janela: “Não sei se a criatividade pode ser construída num contexto tão opressivo. Escrevo por encomenda, como quem cumpre tabela. Faço isso por dinheiro”
A literatura vista da janela: “Não sei se a criatividade pode ser construída num contexto tão opressivo. Escrevo por encomenda, como quem cumpre tabela. Faço isso por dinheiro” ILUSTRAÇÃO: CARLA CAFFÉ_2020

Para a escritora Claudia Ulloa Donoso, autora do livro de contos Pajarito (Passarinho), os maus presságios começaram com um rato. “Quando o confinamento começou, fui até a academia, e estava fechada. Sempre que encontro um local fechado inesperadamente, o que me vem à cabeça é o luto: ‘Quem será que morreu?’ Logo em seguida, vi o cartaz avisando: ‘Fechado por causa da epidemia.’” Donoso é peruana e mora em Bodø, Noruega, uma cidade de 55 mil habitantes no Norte do país, onde é professora substituta de língua espanhola no ensino médio. Este seria o ano em que ela teria um semestre livre para terminar o romance no qual vem trabalhando desde 2017, baseado numa viagem que fez pela Romênia.

Em fevereiro, porém, quando ela se preparava para dar início às férias, apareceu o rato.

– Ele ficou uma semana em casa. Eu o ouvia, mas não sabia onde ele estava. Eu vivia fechada no meu quarto. Finalmente o encontrei e o espantei para fora. Mas eu sou meio supersticiosa. Meu marido morreu num acidente, há doze anos, e na véspera um rato entrou em casa. E era de noite, e era fevereiro, como agora. A última coisa que fizemos juntos foi tirar o rato. Então, quando esse outro rato entrou, pensei: “É um mau presságio.” E passei da praga do rato à praga do coronavírus. Portanto não abri o arquivo do romance. Deixei-o lá, abandonado. Eu tinha dito a mim mesma: “Vou terminar esse livro”, mas agora isso não importa nem um pouco. Para mim, esse confinamento foi um luto. E a escrita ficou como fica qualquer atividade durante um luto: em suspenso. Só agora estou voltando a esse estado em que o cérebro começa a ter uma sintaxe para escrever.

Por enquanto, ela só escreveu algumas notas domésticas em seu diário. “Estou frustrada porque comprei farinha, mas não acho o fermento.”



– Sei que o luto nunca acaba. E talvez eu já esteja assumindo que isso não vai acabar assim, sem mais. Não sei bem o que estamos perdendo. Que parte de nós estamos deixando para trás.

Desde janeiro, desde fevereiro, desde março de 2020, as cidades, golpeadas pelo novo coronavírus, foram se tornando cenários desertos onde a vida se retraiu, tomada por palavras graves: confinamento, isolamento, quarentena. Por imposição do governo ou decisão própria e medo do contágio, os moradores se fecharam em suas casas. Bilhões de pessoas dançando a coreografia silenciosa do isolamento em meio a um apocalipse estático: professoras, pedreiros, milionários, vendedores, cabeleireiros. E escritores, pessoas para quem a solidão e o isolamento são, quase sempre, condição necessária ao ofício. Encouraçados do mutismo. Devotos do silêncio. Gente que escreveu, que escreve, que escreverá. Mas será possível escrever sobre o destino imaginário de personagens imaginários quando a realidade rompe aos borbotões as cicatrizes deixadas pelas unhas do pânico? O que acontece quando toda essa incerteza, esse naufrágio e esse medo se chocam contra a linguagem, a escrita, a criatividade? Poucas vezes, nada. Muitas vezes, tudo.

 

Ao telefone, a voz do manauara Milton Hatoum, autor de Dois Irmãos, soa calma, mas também sufocada por algo que poderia ser tristeza.

– Minha vida mudou por completo. Passo boa parte do dia cozinhando, lavando, fazendo faxina, ajudando meus filhos. Antes, eu acordava, preparava o café, levava meus filhos à escola e ia ao escritório, para trabalhar e ler. Embora eu não seja metódico e escreva quando baixa o santo, agora tenho dificuldade para fazer isso.

Ele é pai de dois filhos adolescentes. Como aconteceu com quase todo mundo, suas atividades remuneradas foram canceladas em vários lugares e, embora possa viver por algum tempo de seus direitos autorais e dos royalties pela adaptação de seus livros para o cinema e a tevê, ele não sabe o que pode acontecer no futuro.

– Estou revisando o terceiro volume de uma trilogia na qual trabalho há dez anos. Tento escrever todos os dias. Às vezes, consigo escrever muito; às vezes, pouco; às vezes, muito pouco. Para minha geração, o que está ocorrendo no Brasil é o fim de qualquer possibilidade de transformação. O estrago econômico e social que já foi feito não será reparado em uma década, e agora ainda se soma isso. E não vou mentir. Estou com medo. Tenho 67 anos, dois filhos jovens. O maior fantasma dos pais idosos é deixar filhos muito jovens. Haverá muitos órfãos da pandemia. O mundo que vai restar será muito triste. De certo modo, acho que a festa acabou.

É possível revisar um romance escrito antes da pandemia e cuja publicação foi adiada ou cancelada pela editora? Insistir numa história que, repleta de pessoas sem máscara, de beijos, de partidas de futebol, de viagens pelo mundo, agora é lida como uma distopia? Encontrar sentido em terminar um projeto de quinhentas páginas, quando, no final do caminho, pode não haver editor, gráfica, distribuidor, livraria, leitor com dinheiro, interesse ou disposição mental para comprá-lo?

“Claro que qualquer livro que esteja sendo escrito agora vai parecer brincadeira comparado ao que acontece”, diz o escritor espanhol Juan Bonilla, autor de Totalidad Sexual del Cosmos. “Mas não dá para comparar um livro que está sendo escrito agora, nem nenhum outro já escrito ou que venha a sê-lo com isso, nem com qualquer outro cataclismo. Acho que nós, escritores, devemos aprofundar certa consciência de artesãos. O que importa é que o vaso que vamos moldar seja bem feito, sem nos preocuparmos se a realidade na qual vamos lançar esse vaso é um pesadelo.”

 

Em 20 de março de 2020, quando o confinamento obrigatório foi decretado na Argentina, o escritor Martín Kohan, autor de Ciências Morais, enviou este e-mail: “Hoje é o primeiro dia em mais de trinta anos que passo sem ir a um bar. Não perdi a vontade de viver, mas ela está fortemente debilitada.” Kohan costuma escrever à mão e em bares, onde nada perturba seu silêncio interior: nem as interrupções de algum conhecido, nem as conversas nas mesas próximas. Usa um celular antigo, que completa a condição de encapsulamento: ele não pode navegar na web com o aparelho. Agora, na casa onde mora com a mulher, no bairro de Palermo, em Buenos Aires, tem tudo o que não tinha no bar – conexão, silêncio, solidão – e nada tem do que lhe faz falta: ruído de fundo, a indiferente companhia dos estranhos.

– Há uma dinâmica entre a concentração e a distração que, no bar, eu já automatizei. Você olha pela janela, volta ao texto, ergue a vista. Agora, não tenho mais isso. Eu estava escrevendo um ensaio sobre as vanguardas e continuo. Com resignação. Não estou bloqueado. Gosto do cenário do bar, não é que sem isso eu não consiga escrever. Só que é um pouco mais complicado. O que mais me prejudicou foi passar a escrever num lugar com internet. Se estou no bar e lembro que preciso enviar um e-mail, penso: “Quando voltar para casa, eu mando.” Aqui, não: levanto e o envio. E pronto, já me distraí. Por outro lado, a suposição de que essa seja a situação ideal para ler ou escrever implica a capacidade de abstrair do fato de que tem gente morrendo às pencas. E eu não consigo.

Kohan não tinha um lugar de trabalho em casa porque não precisava. Quando o confinamento começou, levou uma mesa para o quarto que era do seu enteado, Jeremías, e ali passou a escrever e a dar aulas de teoria literária. Mas não chama o cômodo de “meu escritório”, e sim de “o quarto do Jeremías”, frisando a transitoriedade da situação, sua absoluta anormalidade, sua improcedência, a vontade de que seja algo passageiro.

 

Ricardo Aleixo, autor de Pesado Demais para a Ventania, mora em Belo Horizonte, sua cidade natal. Ocupa a mesma casa desde os 9 anos e a converteu numa oficina apta para várias formas de arte: a escrita, as artes plásticas, o audiovisual, a fotografia. Repleta de livros, discos, instrumentos musicais, a casa parece ao mesmo tempo abarrotada e despojada, banhada pela luz que entra por uns janelões onde todo dia Aleixo se debruça para ver – e fotografar – o voo dos pássaros.

– A pandemia não afetou minha criatividade. Estou escrevendo quatro livros ao mesmo tempo, compondo a música de um espetáculo e estudando. Tenho vários trabalhos que me permitem não me preocupar comigo, mas sim com o contexto. As experiências do passado que ainda não completaram seu ciclo têm muito a nos ensinar. Agora, por exemplo, penso nos navios negreiros. Naqueles corpos de escravos transformados em mera carne. Naquele reino do horror total foi gerada uma ideia de resistência: “Não sei para onde estamos indo, não sei se vamos chegar vivos, mas, seja o que for que me espere do outro lado, vou estar inteiro.” Essa é minha utopia. Não sei no que o mundo vai se transformar, mas eu, como artista, quero estar nesse mundo, e quero estar na minha melhor forma.

 

Um escritor é alguém que escreve sempre, apesar de tudo, contra tudo? Alguém que deve escrever sempre, apesar de tudo, contra tudo? A espanhola Marta Sanz publicou seu último romance, Pequeñas Mujeres Rojas, em 4 de março. O livro foi apanhado pelo estado de emergência que confinou a população do seu país. Agora, quando lê as resenhas que vão saindo, ela pensa: “Todas bem bacaninhas, mas quem vai ler meu livro?” Sanz mora com o marido, que está desempregado há seis anos, num apartamento de 90 m2 no Centro de Madri. Não tem nenhuma mania para escrever: concentra-se com facilidade, não precisa de isolamento nem de silêncio.

– Mas agora não consigo – disse ela, em abril. – Sinto que estamos vivendo aquela época em que as fadas enfeitiçam o reino da Bela Adormecida para o tempo não passar. Fomos enfeitiçados pela roca e estamos em coma autoinduzido. Estou confinada em casa. Pensei que viveria uma temporada de leituras, de reflexão e de serenidade, mas estou nervosa, inquieta. Passo o tempo todo inventando coisas para seguir em frente. Faço clubes de leitura no Zoom, apresentações virtuais em livrarias. No meio disso, as tarefas da casa: “Ah, preciso passar água sanitária.” Admiro as pessoas que conseguem se enfiar em suas bolhas e tocar seus projetos. Eu não consigo. Sempre fui uma escritora muito ligada ao barulho da rua, mas agora o que me chega é como um estrondo. Minha cabeça foge para uma notícia, ou para a tevê, ou para a esterilização de não sei o quê. É como se, no confinamento, houvesse uma hiperatividade amplificada, e muitas das alienações econômicas que eu tinha agora se agigantam aqui dentro. Está muito difícil escrever. Não consigo encontrar o tom. Se sou engraçada, me sinto mal; se sou apocalíptica, me sinto mal. A criatividade tem muito a ver com a perplexidade, mas essa perplexidade é paralisante.

 

Habitantes de um tempo imóvel, de dias em que cada novo instante é idêntico ao instante anterior e ao seguinte, alguns continuam a fazer o que sempre fizeram: apegar-se à escrita como se fosse algo maior que a vida. Em 29 de fevereiro de 2020, o escritor chileno Luis Sepúlveda, ao voltar do festival literário Correntes d’Escritas, em Póvoa de Varzim, em Portugal, foi internado com Covid-19 em um hospital nas Astúrias, na Espanha, onde vivia. Ficou em coma até falecer, em 16 de abril.

Nesse mesmo dia, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, autor de A Forma das Ruínas, falou por Skype, do quarto de suas filhas, na sua casa em Bogotá. “É um dia muito triste, porque o Luis acabou de morrer”, disse. “Ele foi uma das primeiras pessoas que me ajudaram em Paris, quando cheguei em 1996.” Vásquez tinha estado com Sepúlveda no festival de Póvoa de Varzim e, quando o evento terminou, cada um seguiu para o seu destino. Em 28 de fevereiro, Vásquez começou a ter febre e dor de cabeça. No dia seguinte, soube que o amigo estava internado com o novo coronavírus. “Passei 48 horas apavorado. Mas fiz os exames e estava com H1N1.”

Entrou em confinamento carregando outro vírus, o medo com relação ao seu próprio estado e a preocupação com o amigo doente. Apesar de tudo, continuou escrevendo um livro iniciado em janeiro, mas que vem preparando há sete anos.

– É sobre a vida de Sergio Cabrera, o diretor de cinema colombiano. Comecei a reunir as conversas que tive com ele, documentos, cartas. Quando começou a quarentena na Colômbia, eu já tinha escrito oitenta páginas. Então passei a me dedicar ao livro com uma concentração quase fanática. E agora tenho 280 páginas prontas. Normalmente, escrevo três ou quatro horas por dia. Agora estou escrevendo oito, às vezes dez. Porque o trabalho é quase estritamente formal. É como montar uma cadeira. Tenho todos os materiais na minha frente, é só encaixar as peças. Talvez criar a partir do nada, como na escrita de ficção, seja muito difícil nessas condições. Acho que, para mim, não faria muito sentido lidar com a vida fictícia de personagens enquanto lá fora acontecem coisas de uma urgência avassaladora. Esse livro é um mundo onde eu me refugio, mas sem me exigir alienação do mundo real, o que agora não consigo ter. A questão econômica é muito preocupante. Estou aqui escrevendo meu livro, mas quando acabar não sei se encontrará leitores dispostos a comprá-lo ou mesmo se as livrarias estarão abertas. Mas minha obrigação é escrever como se isso não estivesse acontecendo.

 

“Como responder sem parecer desumano?”, responde o porto-alegrense Paulo Scott quando indagado se, em meio à pandemia e ao confinamento, sua prioridade continua sendo a escrita. O autor de Marrom e Amarelo fala, por telefone, da casa onde mora em São Paulo com a mulher, a atriz Morgana Kretzmann.

– Como responder essa pergunta sem parecer um sociopata? Estou preocupado com meus pais, com a saúde da minha mulher, dos meus amigos. Mas fazia muito tempo que eu não me sentia tão escritor. Se eu morrer agora, estou focado, estou pensando. Isso nunca foi tão claro para mim. Mesmo que isso nem sempre signifique escrever em termos práticos, a imaginação da escrita nunca foi tão urgente, tão necessária. Tenho consciência de que nesse momento a literatura é a coisa mais importante da minha rotina.

 

Em novembro de 2019, quando os dias ainda eram tranquilos, o argentino Alan Pauls, autor de O Passado, tomava vinho num pequeno restaurante repleto de gente na Avenida Kurfürstendamm, em Berlim, e pensava que, quando acabasse a sua bolsa de um ano na cidade, passaria mais um tempo na Europa com a mulher – a diretora de teatro Lola Arias – e o filho Remo.

Meses depois a situação é a seguinte: uma semana antes de o início da quarentena começar na Alemanha e do fim de sua bolsa, Pauls terminou o romance que estava escrevendo, mas todos os demais planos foram cancelados, como a chance de viajar por outros países e as montagens que sua mulher dirigiria. A voz de Pauls chega por vários áudios de WhatsApp. Sua sintaxe é elegante, precisa e tem um fraseado que mescla fastio – como se falar para ele fosse cansativo – e uma precisão maníaca, produzindo uma crepitação vibrante ao recortar as palavras e dispô-las nas frases.

– Agora estou revisando o romance, e posso fazer isso com bastante alegria e interesse. Mas revisar implica seguir um texto que já existe e não está sujeito às condições de assepsia e concentração necessárias para escrever do zero. Acho que é muito difícil a gente se concentrar porque está todo mundo concentrado numa coisa só: o que está acontecendo. Tenho escrito alguns textos sobre a pandemia e, enquanto trabalho nisso, a coisa flui. Mas é só eu me afastar um pouco do assunto e tentar ler ou escrever algo que não tenha nada a ver com o coronavírus que a concentração se desfaz em cacos. Acho que não conseguiria escrever um romance nessa situação. Preciso de certa estabilidade para escrever, mesmo que seja a estabilidade da própria neura. Preciso estar num tempo que não é o presente. Um tempo que é o futuro ou o passado, um anacronismo. Mas o coronavírus obriga a ser contemporâneo do que está acontecendo, o que para mim é uma das situações mais insuportáveis que podem existir.

 

No auge da pandemia nos Estados Unidos, a bordo de um avião quase vazio, o mexicano Juan Villoro, autor de O Livro Selvagem, voltou à Cidade do México vindo da Califórnia, onde lecionava na Universidade Stanford como professor convidado. Desde então, ele pratica uma versão radical do modo de vida que o define: o homem em torno da sua escrivaninha.

– Nós, escritores, somos profissionais do isolamento. Ansiamos ficar entre quatro paredes e nem sempre temos tempo para isso. Nesse momento, temos a chance de nos isolarmos para fazer o que sempre quisemos fazer. Estou tentando aproveitar a oportunidade. Mas nem por isso esqueço que há muita gente que, se não sair todo dia para trabalhar, não tem o que comer, e que, no México, nossa principal pandemia se chama “fome”. Agora estou escrevendo uma peça, mas o diretor caiu na dimensão mais apocalíptica e me disse: “Para que você continua escrevendo se não vai ter mais teatro, se as pessoas não vão poder voltar a ver peças? O que você está fazendo é inútil.” Eu acredito que é preciso fazer as coisas como se elas fossem possíveis. Mas sei que haverá problemas no futuro.

 

Claro que, em certos casos, os problemas do futuro impactam em cheio o presente. O escritor espanhol Ricardo Menéndez Salmón, autor de No Entres Docilmente En Esa Noche Quieta, estava – e está – escrevendo um romance sobre Veneza, onde as águas dos canais, sem os barcos circulando, ficaram límpidas; uma boa notícia que é também sintoma de morte ou, ao menos, do desaparecimento dos humanos.

– Eu tento dissociar as razões que motivaram meu romance disso que está acontecendo agora. A crise atual é muito contagiosa e ameaça provocar o colapso também da nossa criatividade, fazendo dela uma monocultura. E eu resisto a essa colonização. É preciso continuar escrevendo sobre pequenos amores egoístas, sobre viagens em torno do nosso quarto ou sobre crimes sem solução. Hoje o vírus é decisivo, mas não torna descabidos os livros de amor ou de mistério. O vírus vai fazer escola e gerar temas, vai se tornar um gênero em si mesmo.

“Tremo só de pensar na quantidade de literatura do eu e de autoficção do isolamento que pode sair disso”, diz o escritor argentino Rodrigo Fresán, de Barcelona, onde vive com a mulher e o filho de 13 anos. Por estes dias está revisando a edição de bolso de La Parte Recordada, o último volume de uma trilogia que escreveu ao longo de dez anos.

– Todo dia caio de joelhos e agradeço, a quem quer que seja, que depois de dez anos mergulhado nisso, meu último livro tenha tido uma vida razoável. Os verdadeiros mártires da situação atual são os escritores que acabaram de publicar, porque seus livros são como livros fantasmas. Eu já pensava mesmo em dar um tempo por alguns meses e só voltar a escrever em julho. Por isso não estou particularmente aflito. Muita gente vive a paralisia de forma traumática, mas eu acho que é um bom sintoma. Todos seríamos melhores escritores se pudéssemos dar uma parada total de vez em quando. O problema de ser escritor é que você o é 24 horas por dia, sete dias por semana, sempre. Eu adoraria ter um interruptor que me permitisse deixar de ser escritor a cada dois meses.

 

Para a mexicana Guadalupe Nettel, autora de O Corpo em que Nasci, a freada brutal a fez lembrar de outro tempo: um tempo em que ela ainda não viajava duas vezes por mês a feiras e congressos, não tinha que dar conferências e apresentar seus livros, em que era apenas uma garota que queria escrever.

– As primeiras semanas de confinamento foram como voltar a respirar, perceber que estava recuperando algo que tive um dia: tempo. Pode soar horrível, porque tem muita gente morrendo, mas para mim foi muito revigorante. Eu tinha acabado de escrever e entregar um romance. Então aproveitei o adiamento para reler o livro e mexi nele com uma concentração que há muito eu não tinha. Mas agora preciso de novos projetos, o que é mais difícil. As preocupações que agora não me saem da cabeça são: “Será que eu vou pegar a doença? Será que minha mãe vai pegar? O que vai ser da cultura no México? Vai ter gente matando na rua para comer?” É isso que me tira o sono à noite.

 

O que temem. “Que a gente perca o senso crítico e a raiva”, diz Marta Sanz. “Que acabe nossa reserva de veneno e comecemos a fazer poemas para o gênero humano. Uma coisa que me inquieta é a possibilidade de que essa obediência, essa satisfação de ser vigiado e geolocalizado, possa se generalizar. Que isso nos leve a viver em estados policiais, onde a polícia pode se meter até no quarto da gente e o vizinho funciona como um policial. Que, quando isso passar, sejamos mais trabalhadores autônomos autoexplorados do que nunca.”

“Viramos reféns das plataformas sociais, e a mercadoria mais valiosa são os dados pessoais”, afirma Juan Villoro. “Acho terrível esta sociedade hipervigiada. Outra questão que me preocupa é que todos os governos estão exercendo suas funções em estado de exceção, e isso pode levar a novos autoritarismos.”

“Não acredito que disso possa sair um mundo melhor”, disse Ricardo Aleixo, em meados de abril. “Estamos à beira de um salve-se quem puder. O que eu vejo nas redes sociais são as casas transformadas em lugar de fuga ou de ostentação de conforto. Os problemas permanentes da vida brasileira, o feminicídio, a pobreza das crianças negras, as ameaças aos indígenas, tudo isso foi relegado a um segundo plano, tendo como pano de fundo um governo de extrema direita.”

 

“Não tenho tempo para nada. Acho que, se tivesse, me deitaria numa rede para ler”, diz ao telefone a poeta carioca Marília Garcia, autora de Câmera Lenta. Ela mora em São Paulo, mas toda sua família é do Rio de Janeiro, portanto ela e seu marido, que é professor universitário, não podem contar com nenhuma ajuda para lidar com o turbilhão de energia da filha de 2 anos.

– Normalmente ela fica na creche, e eu passo várias horas em casa, trabalhando. Mas agora temos que ficar direto com ela. Estou muito preocupada porque não vivo dos meus livros, e sim das minhas oficinas e aulas, das traduções que faço. E tudo isso está muito fragilizado. Eu estava escrevendo um conto desde fevereiro. Era a história da minha bisavó, que viveu no Rio durante a gripe espanhola, mas no início da quarentena comecei a me enrolar e a mexer na história. Acabou o prazo, e não consegui terminar o conto. Me deram mais prazo, e eu comecei a escrever outro texto sobre este confinamento, misturado com o texto sobre minha bisavó. Aí o texto perdeu o sentido por causa da minha desconcentração. Agora não consigo escrever nada. Escrever sobre algo ligado ao que estamos vivendo é um pouco mais simples, mas é diferente com trabalhos que exigem mais energia criativa. Parece que não faz sentido escrever sobre qualquer outra coisa.

Para alguns, esse sentido se anulou em todos os amplos campos de batalha da literatura. Num sábado de fevereiro, a escritora argentina Mariana Enriquez, autora de As Coisas que Perdemos no Fogo, recém-chegada da Europa, estava no quintal de sua casa, no bairro de Parque Chacabuco, em Buenos Aires, sentindo-se cansada de tantas viagens e tendo que se preparar para mais uma, à Noruega. Poucas semanas depois, tudo tinha mudado, e Enriquez passou a sair de casa só de vez em quando, para uma escapada até o caixa eletrônico.

– Escrever por encomenda até que eu tenho conseguido. Dá muito trabalho, preferiria não ter que fazer isso e preferiria que não fosse sobre a pandemia, porque é pura catarse, puro eu, pura ansiedade. Quanto à escrita criativa, não estou fazendo absolutamente nada. Não tenho espaço para o criativo, porque para mim isso implica um espaço muitíssimo mais livre e brincalhão. Não sei se a criatividade pode ser construída num contexto tão opressivo. Escrevo por encomenda, como quem cumpre tabela. Faço isso por dinheiro, porque me preocupa ficar sem dinheiro. Tenho um pouco menos de vocabulário, menos fluência com as palavras, mas o pior é a lentidão e a dispersão. Um texto que antes eu faria em duas horas agora levo o triplo de tempo para escrever. Preciso seguir uma rotina de concentração que me deixa exausta. Esse confinamento está longe de ser um retiro do mundo para escrever. É um isolamento absolutamente invasivo. Não é uma coisa que eu faça por vontade própria. É como um luto. Nesse desmanche colossal do cotidiano, não sei quando dará para escrever um continho.

 

“Estou totalmente indefesa para enfrentar a crise financeira que vem vindo, e as condições políticas no Brasil só pioram as coisas. Mas meu maior medo é em relação à saúde.” A paulistana Andrea del Fuego, autora de Os Malaquias, faz uma pausa ao telefone e dá uma gargalhada. “Eu não confio no meu próprio sistema imunológico, nem no do meu marido, nem no do meu filho!”

Quando, há mais de um mês, decidiu não sair mais à rua, pensou que a disciplina de isolamento que ela já se impunha fazia anos – precisa apenas de uns fones de ouvido, música e um canto na sala – bastaria como preparação para o confinamento extremo, mas logo descobriu que não era assim. “Eu achava que estaria mais imune, mas fui pega de surpresa, sendo atingida num lugar que considerava bem seguro. O mundo invade o tempo todo.”

Ela terminou um romance há dois meses – sobre uma pediatra hipocondríaca que não gosta de crianças – e o enviou ao seu agente. Depois, não voltou a escrever ficção.

– Mas isso ocorreu porque, quando acabo de escrever um livro, nunca começo a escrever outro logo em seguida. Sei que toda essa experiência vai acabar germinando. Vai aparecer nos meus livros essa sensação de perigo, de iminência. Estou deixando isso assentar. Mas se eu estivesse no meio de uma história, a angústia seria terrível, porque então, talvez, eu visse aquilo que estava fazendo como algo escrito em outra dimensão.

 

O peruano Jeremías Gamboa, autor do romance Contar Tudo, estava fechando a primeira versão do seu novo livro, que levou seis anos para escrever, quando veio a pandemia e estilhaçou seu cotidiano.

– Ela me pegou no momento de maior imersão no livro. Eu escrevia numa casa, que não é esta onde moro, e agora estou escrevendo no quarto da minha filha, porque não tenho um escritório em casa. Mas como o romance já está consolidado, não é tão complicado assim. Se eu ainda tivesse que descobrir o tom, o ponto de vista, teria problemas. O romance está acontecendo lá fora, então como é que você vai se sentar para escrever o seu romance? Antes, enquanto escrevia, não entrava nas redes sociais nem olhava os jornais. Agora é impossível. Mas continuar fazendo o mesmo que antes é uma forma de resistir. Continuar escrevendo, mesmo sem saber para quem. O problema econômico é uma questão complicada. Por aí eu caminho com pavor. Minha mulher é dramaturga e diretora de teatro e está totalmente sem trabalho. Eu dou oficinas de leitura e tenho pensado em começar a dar oficinas também de manhã, que é o período em que escrevo. Mas então eu deixaria de escrever.

Em estado de desassossego, ansiedade ou choque. Em estado de desconcerto, curiosidade ou horror. Escrevem ou não escrevem, ou tentam escrever. Tentando não pensar no futuro, não temer a própria morte ou a alheia, olhando pelo espelho retrovisor a colisão lenta, a catástrofe tranquila que traga o mundo. Lidando com a dispersão, a falta de espaço, a escolarização dos filhos. Esperando a hora em que o relógio mude do tempo presente ao tempo futuro. A hora em que a palavra, qualquer palavra, toda palavra, possa pairar num vazio livre de vírus. Sai melhor. Sai pior. Às vezes não sai.

 

Héctor Abad, o autor de A Ausência que Seremos, mora em Medellín, Colômbia. Na sala do seu apartamento começa – ou termina – uma biblioteca que se espalha por todos os aposentos. Ele voltou ao seu país em março, num dos últimos voos que partiram de Madri. “Logo que cheguei da Espanha, foi um regresso a um tempo mais lento, e gostei disso. Os dias duravam como na infância. Mas dali a pouco…”

Em 2019, ele publicou na Colômbia seus diários – Lo que Fue Presente (Diarios 1985-2006) – e, no mesmo dia em que o livro foi para a gráfica, começou um romance centrado nos assassinatos de jornalistas cometidos por narcotraficantes em seu país, nos anos 1980 e 1990.

– Desde que a quarentena começou, não voltei ao romance. Porque o tema, por mais duro e difícil que seja, agora me parece pequeno perto do que estamos vivendo. É como se eu tivesse perdido o interesse. Como se tudo fosse velho, sem pertinência. Que é que estou fazendo para não deixar essa onda me derrubar? Os monges sabem administrar bem a reclusão. Eles estabelecem uma rotina cíclica. Dizem ora et labora. Então divido meu dia em partes de ora e partes de labora. Eu não rezo, porque não acredito, mas tenho as minhas preces, que são a leitura e a música. Acordo às sete, tomo meu café e depois faço aulas de violão. Ao meio-dia em ponto, faço exercícios. À uma, almoço e tiro um cochilo… Passo muito tempo com os livros. O que não está funcionando é o meu próprio livro. Mas sou um privilegiado. Não moro num cubículo de 30 m2 apinhado de pessoas. Tenho minhas economias. Quem está fodido de dinheiro e não tem como trabalhar e conseguir seu sustento no confinamento está numa situação que me faz sentir muita culpa.

 

Quando o mundo começou a se apagar, o mexicano Daniel Saldaña París, autor de El Nervio Principal, estava em Londres, pesquisando na British Library, graças a uma bolsa, sobre uma série de epidemias de dança que aconteceu na Idade Média. Agora está na sua casa no bairro de Nápoles, na Cidade do México, de onde avista um estádio de futebol e uma plaza de toros, dois prédios colossais vazios, metáfora de tudo que ficou distante.

– A maior epidemia de dança aconteceu em Estrasburgo, em 1518. Uma pessoa começou a dançar e contagiou cerca de duzentas outras, que acabaram morrendo de desidratação ou parada cardíaca. Para terminar um livro, preciso inventar um apocalipse pessoal. A finalização precisa ter um sentido de salvação. Agora esse sentimento está aí, mas não consigo entendê-lo como salvação. Não acredito que alguma coisa vá mudar apenas porque eu terminei meu romance, mas me sinto num estado de espírito propício à escrita. Só que com muito mais ansiedade. Quando consigo diminuir a ansiedade, escrevo um pouco. Faço outros trabalhos, como preparar aulas, traduzir textos breves. Tudo isso me ajuda a me manter distraído, senão passo o dia inteiro olhando as notícias. Subo para escrever num quartinho de serviço no terraço, onde não tenho internet. Mas só escrevo durante uma hora, quando normalmente consigo escrever durante três. Acho que o livro está ficando bom, mas tenho medo de que, quando eu puder sair e arejar a cabeça, ao revisar o texto eu veja que está tudo uma merda. Desconfio da minha prosa no confinamento. Porque nunca cheguei a me isolar dessa maneira para escrever.

O isolamento, então: já não é uma paisagem benévola em que se alcança um estado de graça, mas uma jaula infectada pelo resplendor da realidade enlouquecedora.

 

Alejandra Costamagna. Chilena. Autora de Sistema do Tato. Vive em Santiago, no Chile. Responde por e-mail:

– Já pratiquei o isolamento muitas vezes para escrever, mas sempre de forma voluntária. Eu podia rompê-lo quando bem entendesse. É impossível construir esse muro mental e se isolar quando lá fora o mundo está desabando. Além disso, a capacidade de concentração é quase nula. Acho que a palavra que eu mais tenho dito nestes dias é ya, que é como um “pronto, agora vai”, que daria o pontapé inicial para eu começar a escrever. Mas, quando me preparo para fazer isso, penso que um chá iria bem para eu me concentrar, e então vou à cozinha e aproveito para desinfetar as compras que fiz, e dar comida para a gata, e fazer uma lista de tarefas pendentes, e enquanto faço tudo isso lembro que preciso lavar as mãos, pela quinquagésima vez no dia, e que há lugares no Chile onde, muito antes do coronavírus, as pessoas já não tinham como lavar as mãos porque os latifundiários ficam com toda a água, e então eu lembro que preciso mandar um monte de e-mails, e assim por diante.

 

Alejandro Zambra. Chileno. Em março, publicou um romance chamado Poeta Chileno. Mora na Cidade do México. Responde por e-mail:

– Tenho escrito bastante nesses dias, mas não sei se encontrei algo que preste. Tenho um quartinho de 2 por 2 metros no terraço do prédio onde vivo, sem internet, onde eu costumava me trancar para escrever por quatro ou cinco horas, um lugar que a certa altura comecei a chamar de “Chile”. Só que agora, quando vou lá, não aguento ficar nem dez minutos e logo desço para trabalhar na cama ou na sala. Ou então apenas gravo mensagens de voz com frases ou imagens para retomar depois. Nunca trabalhei assim, mas é algo que também não encaro exatamente como um trabalho. Acho que tem mais a ver com a obsessão. Se isso tivesse acontecido seis meses antes, talvez eu não tivesse conseguido terminar o romance. Eu e muitos escritores vamos escrever sobre isso, mesmo que não o mencionemos. E acho que não tem sentido esperar para fazê-lo, porque de um jeito ou de outro já estamos esperando, involuntariamente. Acho que faz muito sentido escrever agora mesmo, acariciar impiedosamente nossa própria imperfeição, nossa incapacidade de sobrevoo, de distância.

 

Quando ouve a pergunta “Você está sozinho?”, Emilio Fraia, o paulistano autor de Sebastopol, responde secamente: “Sim. Sozinho.” E a primeira coisa que diz em seguida, falando de sua casa em São Paulo, é: “Vamos ter muitos livros ruins sobre o coronavírus nos próximos anos.” Mas sua voz soa séria, sem um pingo de humor.

– Tenho pensando muito sobre o tipo de literatura que vai sair dessa experiência. Vivemos em ambientes mentais horríveis, de incerteza, medo, mas acho que o desafio é como dar forma a isso na literatura. Acho que para nós, escritores de classe média que vivemos numa cidade grande, houve num primeiro momento uma ideia de ruptura do ritmo frenético, uma sensação de disponibilidade para a criação, mas é uma ideia que logo se mostrou falsa. Estamos presos num mundo de medo, e acho que nosso desafio humano e literário será dar uma resposta a isso nos próximos anos.

– Você está escrevendo no momento?

– Sim – responde com cautela reticente, como se temesse dizer algo irreversível ou perigoso. – Estou escrevendo porque já estava escrevendo antes da pandemia. Tive um começo positivo, mas logo parou. Às vezes, surgia uma enorme vontade de escrever, uma ideia de que a escrita não tem nada a ver com a paz, com a satisfação, que pode acontecer em circunstâncias muito adversas e que essas circunstâncias podem ser até positivas para a criação. Houve um primeiro momento de lucidez. Uma ideia de que é possível criar fora do frenesi. Só que não é bem assim, porque é uma situação que invade tudo. Não é como um retiro para escrever. Estou muito atento aos impactos que essa situação produz na minha paisagem mental.

– E, agora, como você definiria sua capacidade de escrever, de criar?

– Oscilante.

Uma semana depois, Fraia pergunta por WhatsApp se ainda pode acrescentar umas linhas, e envia esta mensagem: “O que eu gostaria de dizer, agora, com o isolamento avançando, é que é impossível escrever. Impossível dar continuidade a projetos da mesma forma. Há uma paralisia, e uma consciência que começa a se impor de que essa nova ordem social impactará a imaginação, a forma dos textos.”

Paralisia. Uma palavra que, na boca de um escritor, produz monstros.

Leila Guerriero

É jornalista e escritora argentina

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