fantasmas da república

Governando do além-túmulo

Como uma enquete despretensiosa revelou uma força subterrânea da política brasileira

Bruno Carazza
Enéas e sua barba fantástica: a estupefaciente trajetória de um personagem menor, frequentemente ridicularizado, agora transformado em “gênio incompreendido” da política nacional –
Enéas e sua barba fantástica: a estupefaciente trajetória de um personagem menor, frequentemente ridicularizado, agora transformado em “gênio incompreendido” da política nacional – CREDITO: MEU NOME É ENÉAS_CAMILO RIANI_1995

“Você não tem mais nada para fazer?”, me perguntou por e-mail um ex-candidato a deputado estadual pelo Patriota. De certa forma, ele tinha razão. Em meio à pandemia, preso em casa e ao trabalho a distância, a imaginação nos leva a fazer coisas sem muito sentido. Devo confessar, porém, que a ideia original não foi minha.

Logo no começo da quarentena, eu e mais quatro amigos (Alexandre, Pedro, Leandro e Ricardo) criamos um grupo no WhatsApp para trocar ideias sobre a doença e o cenário político, compartilhar nossos temores a respeito dos impactos econômicos da crise e, claro, memes e piadas. A cada quinze dias, fazemos um encontro via Zoom, cada um com sua cerveja, e o papo se arrasta noite adentro. Nas conversas, resolvemos todos os problemas do Brasil e do mundo, como faríamos numa mesa de bar, nos velhos e bons tempos.

Durante uma troca de mensagens no Covídeo-19 (sim, esse é o nome infame do nosso boteco virtual), surgiu uma foto da cédula da eleição presidencial de 1989. A imagem quase pré-histórica, com uma lista que misturava figurões da luta pela redemocratização e personagens folclóricos, inaugurou no grupo uma onda de lembranças, comparações e especulações sobre os rumos que o Brasil teria seguido caso outro candidato tivesse vencido aquela disputa.

A sugestão demoníaca partiu do Ricardo: “Bruno, faz uma pesquisa aí no seu Twitter… hehehehe.” Sem ter muito o que fazer, às 12h38 do dia 28 de abril, o 42º da minha quarentena, postei despretensiosamente: “Se a eleição de 1989 fosse hoje, em quem você votaria?”



Embora eu mantenha um perfil bastante ativo nas redes sociais, compartilhando os textos das minhas colunas no Valor Econômico e análises sobre medidas adotadas pelo governo, nunca uma publicação minha havia chegado perto da repercussão gerada por esse tuíte. Em poucas horas, foram mais de 4 mil curtidas, quase 2 mil compartilhamentos e perto de 8 mil “votos” naqueles candidatos antigos.

A enquete, quem diria, me alçou momentaneamente a um status de “quase influencer”. Em abril, apareci em 15º lugar num ranking de 300 economistas brasileiros ativos no Twitter feito pelo jornalista Sérgio Charlab. Intrigado com o resultado, enviei uma mensagem para Charlab, indagando a razão do desempenho tão surpreendente. Após explicar os critérios do seu levantamento, ele localizou com precisão a origem dos meus quinze segundos de fama: “No seu caso, em abril, fez muita diferença o tuíte da cédula de votos, com uma gigante interação em compartilhamentos, likes e comentários.” A eleição de 1989 havia bombado nas redes.

 

O ano de 1989 foi um tempo particularmente especial para celebrar a democracia. O Brasil realizou sua primeira eleição direta para presidente em quase quatro décadas (a última acontecera em 1960, com a vitória de Jânio Quadros), no dia exato em que se comemorou os 100 anos da Proclamação da República. Mas o clima também era de festa em outros países: em 14 de julho, o Ocidente celebrou o bicentenário da Revolução Francesa e, em 9 de novembro, veio abaixo o Muro de Berlim.

Esta ideia de “festa da democracia” parece estar impregnada na memória das pessoas quando elas se referem às eleições daquele ano. Quem viveu o período, mesmo se ainda criança, se recorda com nostalgia de muitos dos jingles dos candidatos: “Bote fé no Velhinho, o Velhinho é demais”, “Lá-lá-lá-lá-lá… Brizola”, “Lula lá, brilha uma estrela”. Alguns slogans também marcaram época, como o “Juntos chegaremos lá”, de Guilherme Afif Domingos, pronunciado com um gesto ritmado das mãos, e o indefectível “Meu nome é Enéas!”.

O saudosismo em relação a 1989 talvez esteja relacionado ao amplo leque de candidatos. Figuras importantes no processo de redemocratização, como Ulysses Guimarães (PMDB), Lula (PT), Leonel Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB), colocavam-se ao lado de políticos ligados ao regime militar – como Paulo Maluf (PDS) e Aureliano Chaves (PFL) – e de novos nomes com promessa de renovação, como Fernando Collor (PRN) e Afif Domingos (PL). Havia opções para todos os gostos ideológicos, da extrema esquerda, com o comunista Roberto Freire (PCB), à direita ruralista de Ronaldo Caiado (PSD), passando pela novidade ambientalista de Fernando Gabeira (PV).

Para completar, apareceu uma profusão de personagens nanicos, como Marronzinho, o pastor evangélico Armando Corrêa, Zamir Teixeira (que se apresentava com seus dois filhos, Kennedy e Onassis), Affonso Camargo (que utilizava Tião Macalé, dos Trapalhões, como garoto-propaganda), Lívia Maria – a única representante feminina – e até um conterrâneo meu, Paulo Gontijo, de Bom Despacho, Minas Gerais. E, claro, o mais folclórico de todos: Enéas Carneiro, o misterioso médico de ideias fortes e fala rápida, que com sua barba fantástica me fazia lembrar do personagem Falsão, do desenho animado Corrida Espacial do Zé Colmeia.

 

O perfil @rodrigo_roalex no Twitter foi curto e grosso ao responder minha enquete sobre uma fictícia reedição da eleição de 1989. “Estamos em 2020.” @CARLOS496176212 foi ainda mais enfático: “Inventaram a máquina do tempo? Que idiotice!”

Pode parecer estranho, mas há muitas semelhanças entre 1989 e o nosso tempo, mais especificamente as eleições de 2018. Para começar, um e outro pleito se situam nos extremos de um período em que houve seis eleições presidenciais consecutivas dominadas por PSDB e PT. Além disso, tanto numa como noutra disputa, apesar da ampla disponibilidade de políticos experientes de todos os matizes, a competição acabou afunilando para um confronto, no segundo turno, entre um candidato conservador e seu adversário petista.

Lá como cá, Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro apresentaram-se como outsiders, apesar da longa trajetória política de ambos. E, assim como Collor explorou como nenhum outro candidato os recursos televisivos da época, Bolsonaro mostrou-se imbatível nas novas mídias digitais – e os dois conseguiram virar o jogo contra as poderosas máquinas eleitorais dos partidos tradicionais que tinham fartos recursos para financiamento de campanha, abundante tempo no horário eleitoral gratuito e múltiplas alianças nos estados e municípios.

Bruno Wanderley Reis, atual diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), se lembra de ter acompanhado avidamente a disputa eleitoral de 1989 pelas notícias no Jornal do Brasil e em meio às suas aulas na graduação em economia. Olhando para trás, Reis concorda com a comparação entre as duas eleições. Para ele, ambas se inserem num período de decomposição do sistema político vigente. Em 1989, já havia ocorrido a desintegração da Aliança Democrática entre PMDB e PFL, com o fracasso do Plano Cruzado e o descontrole inflacionário. Em 2018, as bases do establishment político foram dinamitadas pela Lava Jato e pela severa crise econômica no segundo mandato de Dilma Rousseff. De acordo com Reis, 1989 e 2018 contam a mesma história: o centro político foi incapaz de se articular em torno de um nome forte que pudesse derrotar as opções mais à direita e à esquerda.

Com a fragmentação do centro em 1989, o país passou o ano especulando sobre o surgimento de um “elemento-surpresa” como alternativa aos políticos tradicionais. No início, as fichas foram depositadas no bilionário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, que recusou se candidatar. Depois, as apostas se voltaram para o apresentador Silvio Santos, cujo registro acabou impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral poucos dias antes da votação. No campo das comparações intertemporais, não deixa de ser curiosa a semelhança entre a “candidatura” Silvio Santos e o clamor pelo lançamento de Luciano Huck, em 2018.

Também houve episódios de violência e de golpes baixos em 1989. As agressões físicas entre apoiadores e cabos eleitorais não chegaram ao nível de violência da facada em Bolsonaro, mas o depoimento da ex-namorada de Lula (que o acusou de ter pedido que ela fizesse um aborto) e a manipulação das imagens do debate presidencial pela Rede Globo são prenúncios remotos do jogo sujo das fake news.

Com tantos paralelos, fazia sentido saber como o eleitor de hoje se posicionaria diante dos candidatos daquele tempo – seja porque alguns ainda estão ativos na arena política, seja porque existem semelhanças marcantes entre os atuais e os antigos: Ciro Gomes e Brizola, João Amoêdo e Afif, Geraldo Alckmin e Covas e, claro, Bolsonaro e Enéas.

No Twitter, @MiltonRedivo sacou bem o potencial da minha enquete: “Você montou uma boa armadilha… diga-me em quem votas que te direi que és… bem interessante!”

 

À medida que fervilhavam as notificações sobre a enquete em meu celular, começou a me chamar a atenção a quantidade de “votos” em Enéas Carneiro. De início, pensei que se tratasse de trolagem, uma atitude típica das redes sociais. Como ele era um dos personagens mais pitorescos daquele pleito, seria normal que, numa enquete sem valor estatístico nenhum, as pessoas respondessem, apenas para zoar: “Meu nome é Enééééas!”

Pouco tempo depois, a ficha caiu (se me permitem utilizar uma expressão tão 1989): meu tuíte tinha entrado no radar das redes bolsonaristas, pois centenas de menções ao antigo candidato do Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional, extinto em 2006) vinham acompanhadas de hashtags como #EuApoioBolsonaro, #MoroTraidorDaPatria, #STFVergonhaNacional, #MaiaTemQueCair, #DoriaVaiQuebrarSP e #GabineteDaPeppa. Ficou claro para mim que, mais do que uma brincadeira, eu tinha em mãos um experimento.

Para processar a imensa massa de mais de 8 mil respostas ao meu tuíte, recorri a Hadrizia Santos. Ela é uma desenvolvedora e analista de dados que trabalha no Laboratório Analytics do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba – um dos principais polos de pesquisa do país nesse setor. Eu a conheci virtualmente no ano passado, num projeto colaborativo chamado Parlametria, em que profissionais de diversas áreas e instituições construíram um portal de monitoramento do Congresso Nacional utilizando ciência de dados e machine learning.

A pesquisadora não precisou de mais do que alguns minutos para entender o que eu pretendia fazer. Com um pacote do programa R chamado rtweet, ela extraiu para uma planilha a data e o horário dos posts, assim como o nome dos autores e seus comentários. Perguntei se era possível descobrir de modo automático quem essas pessoas seguiam no Twitter. Ela respondeu que sim. Solicitei, então, que me indicasse quais personagens do cenário político atual os autores das quase 8 mil respostas à minha pesquisa seguiam: se Bolsonaro, Lula, Ciro, Huck, João Doria ou Sergio Moro.

Os dados brutos minerados por Santos trouxeram um quadro impressionante: dos 7 152 “votos válidos” (ou seja, que apontavam expressamente uma preferência), 4 610 foram dados a Enéas – 64,5% do total. Muito atrás vieram Lula (10,3%), Brizola (8,3%), Covas (2,6%) e Afif (2,2%), para ficar nos cinco primeiros colocados.

Tirando a afinidade partidária e ideológica da esquerda – seguidores de Lula mantiveram sua opção pelo candidato petista três décadas depois, enquanto fãs de Ciro escolheram Brizola –, se o pleito de 1989 fosse realizado hoje, Enéas venceria no primeiro turno entre os seguidores de Moro, Doria e Huck que responderam à enquete. E, como eu já havia intuído, 8 em cada 10 “votos” dados a Enéas partiram de pessoas que acompanham o perfil de Bolsonaro no Twitter.

Os resultados deixaram evidente que o fenômeno Enéas era muito mais do que uma piada ou um meme nestes tempos de internet ubíqua e onipresente.

 

A onda de votos em Enéas na minha pesquisa diz muito sobre o poder de mobilização nas redes sociais. As palavras de ordem e as hashtags pró-Bolsonaro que acompanhavam boa parte das declarações de preferência pelo candidato do Prona também tinham a ver com a ocasião do levantamento. Quatro dias antes, Moro havia deixado o governo de modo bombástico, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger os filhos de investigações. Naquele momento, portanto, as redes bolsonaristas estavam mobilizadas para apoiar o seu líder.

As milícias virtuais levaram a um domínio absoluto de Enéas, mas fiquei curioso em saber qual seria o resultado da enquete na minha própria bolha social. Recorri então ao WhatsApp e disparei 455 mensagens aos meus contatos mais próximos, do porteiro do prédio a amigos de infância, passando por ex-colegas de trabalho e familiares. Responderam 221 pessoas, e o resultado foi completamente diverso.

Nos últimos 25 anos, minha vida profissional e pessoal se desenvolveu no serviço público e na universidade. Logo, grande parte da minha bolha se situa politicamente na centro-esquerda. Não me surpreendi, portanto, quando verifiquei que a maior parte dos votos se concentrava nos candidatos desse campo. As posições no ranking, porém, não foram as que eu esperava: Mário Covas sagrou-se o grande vencedor, com 63 votos, seguido de longe por Lula (38), Brizola (31), Ulysses (26) e só então, bem atrás, Enéas (14 votos).

Fiquei intrigado, pois diversos amigos assumidamente petistas confessaram que, em face da situação atual do Brasil, teriam optado por candidatos mais moderados. No retorno que recebi de alguns deles, a decisão por Ulysses, o Sr. Diretas, ou até mesmo pelo tucano Covas, representava tanto um desencanto com o PT quanto uma tentativa de fugir da polarização vigente. Para eles, faria sentido, num cenário hipotético em que todos aqueles candidatos estivessem vivos e ativos, apostar em alguém com uma longa experiência política e, portanto, mais capacitado para conduzir o país neste período tão turbulento.

É uma visão interessante, mas vale lembrar que o fato de Covas, Ulysses ou Brizola estarem mortos torna essa escolha contrafactual muito mais confortável para um tradicional eleitor lulista.

 

Romper bolhas é uma tarefa extremamente difícil.

Para entender melhor a conexão entre a política de 1989 e a atual, decidi fazer uma pesquisa mais estruturada. Enviei uma nova enquete sobre as duas eleições aos meus contatos de WhatsApp, acompanhada de um questionário sobre dados pessoais básicos (idade, escolaridade, município de residência) e preferências ideológicas. O formulário era anônimo, e pedi que meus contatos o repassassem para todos os grupos de que participavam – família, trabalho, amigos do futebol ou pais de colegas da escola dos filhos.

Em poucos minutos um amigo me encaminhou uma crítica apresentada num grupo de ex-colegas de trabalho: “Lamento, mas esse tipo de pesquisa tem um erro básico: a amostra não representa o universo das possibilidades, pois as respostas serão apenas de seus contatos, que tendem a participar das mesmas ideias.”

Expliquei que estava consciente desse viés. Sem uma estratificação de acordo com a real composição da população brasileira em termos de gênero e distribuição geográfica, etária e de renda, como fazem os institutos de pesquisa, minha enquete não apresentava valor estatístico. Obviamente eu não tinha a pretensão de contar com resultados precisos como os obtidos pelo Datafolha ou pelo Ibope. Meu objetivo era bem mais rasteiro: ter uma ideia da força das bolhas e se elas tendem a ser furadas à medida que as pessoas vão passando uma mensagem para a frente entre os grupos de WhatsApp.

Para minha surpresa, minha enquete foi longe. Recebi 4 324 respostas, inclusive de pessoas de Mostardas, município gaúcho espremido entre o Oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, e de Gurupi, terceira maior cidade do Tocantins, localizada às margens da Rodovia Belém-Brasília. Também participaram brasileiros que vivem na Argentina, Áustria, Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Espanha e Itália. Mas, para provar a força da bolha, um terço dos participantes era formado por meus vizinhos belo-horizontinos.

A dificuldade de ir além dos círculos mais próximos também ficou patente na expressiva prevalência, entre os participantes, de pessoas com nível superior ou pós-graduação (85,4% do total), um percentual muito maior do que o perfil educacional da população brasileira. Em termos ideológicos, mais um sinal do poder das bolhas: mesmo depois de um mês circulando pelas redes, o resultado ainda mantinha a predominância de respondentes que se consideram de esquerda (28,2% do total), seguidos do grupo de centro-esquerda (27,3%), centro-direita (17%), direita (15,8%) e centro (11,7%).

Nesse terceiro experimento sobre que candidatos de 1989 ganhariam hoje, o resultado foi um segundo turno entre Lula (26,3%) e Enéas (13,6%). É uma clivagem sem surpresas, diretamente relacionada ao posicionamento das pessoas no pleito de 2018: eleitores de Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol) iriam de Lula lá, enquanto Enéas, como esperado, receberia a maioria dos votos dados a Bolsonaro (ex-PSL) e Amoêdo (Novo) na última eleição.

Embora esteja longe de representar as preferências do conjunto da população, a resposta ao questionário demonstra como a intensa polarização entre esquerda e direita no Brasil de hoje é capaz de repercutir em novas escolhas que fariam os usuários das redes sociais caso pudessem embarcar no DeLorean, a máquina do tempo de Marty McFly em De Volta para o Futuro – filme, aliás, que teve sua segunda parte lançada em 1989.

 

Em 2018, exatamente 28 114 brasileiros e brasileiras se apresentaram como pretendentes aos cargos públicos em disputa: deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Num esforço de estimular a transparência, o Tribunal Superior Eleitoral coleta e disponibiliza no seu site uma série de informações sobre esses candidatos, como idade, cor, local de nascimento, profissão, relação de bens e doadores de campanha.

Essa base de dados faz a alegria de pesquisadores que, como eu, procuram entender o funcionamento da democracia brasileira. E foi a ela que recorri quando, em plena quarentena, comecei a especular sobre as relações entre as eleições de 1989 e o quadro político atual. No repositório de dados do TSE consta o e-mail informado pelo candidato no ato de sua inscrição eleitoral. Um dos problemas dessa base de dados, entretanto, é que ela é bastante “suja”: como as informações são extraídas diretamente da autodeclaração dos candidatos, são muitos os erros e inconsistências. Mesmo assim, consegui “salvar” 14 680 endereços eletrônicos, para os quais enviei diretamente uma mensagem em que eu, após me identificar, falava sobre o objetivo da minha pesquisa e perguntava, depois de apresentar a lista das opções de 1989: “Se as eleições fossem HOJE, com as atuais condições econômicas, sociais e políticas do país, em quem você votaria se todos esses candidatos estivessem vivos?”

Até a finalização deste texto, eu havia recebido 777 respostas – pouco mais de 5% das pessoas a quem enderecei os e-mails. Há muitas explicações para a baixa taxa de resposta: endereços desativados, falta de interesse, desconfiança sobre o uso da informação, medo de golpes virtuais. Apesar disso, a participação não foi muito discrepante em termos de partidos ou regiões geográficas, o que permite especular sobre os resultados obtidos.

Ao computar os votos, o resultado foi bastante surpreendente: se as eleições de 1989 ocorressem hoje, 30,5% dos postulantes a cargos públicos nas eleições de 2018 que responderam à enquete votariam em Enéas Carneiro para presidente da República. Na sequência, bem atrás, viriam Brizola (16%), Lula (13,4%), Ulysses Guimarães (12%), Covas (8,8%), Caiado (4%), Afif (2,7%) e Gabeira (1,5%), entre outros pouco mencionados.

Quando o nome de Enéas, que já figurava no topo das preferências nas pesquisas realizadas nas redes sociais, apareceu como a escolha prioritária de 3 de cada 10 respostas nessa amostra de cidadãos que se apresentaram como opção para nos representar em 2018, o fenômeno ganhou uma dimensão muito mais séria na minha percepção.

 

Para a imensa maioria dos brasileiros, a figura exótica do médico cardiologista Enéas – sempre de terno escuro, óculos de aros grossos e a vasta barba negra contrastando com a reluzente calvície – surgiu do nada no dia 15 de setembro de 1989, quando começou a campanha eleitoral. A partir de então, sua história de vida começou a ser conhecida a conta-gotas e serviu à construção de um mito no imaginário popular. Nascido no Acre, Enéas teve infância bastante pobre. Encontrou redenção nos estudos (sempre foi o primeiro da turma, desde o ensino básico) e no Exército, onde se formou na Escola de Sargentos, no Rio de Janeiro, aos 21 anos.

A medicina lhe garantiu não só o sustento, mas certa notoriedade. Foi também o caminho que o conduziu à política. Seu livro O Eletrocardiograma, lançado em 1977, chegou a ser adotado por diversas faculdades, o que o levou a viajar pelo país para ministrar cursos. Ao assumir a presidência da Sociedade de Cardiologia do Rio de Janeiro, entre 1986 e 1988, identificou seu potencial para a liderança.

Conta-se que a decisão de Enéas de tentar alçar voos muito mais altos surgiu de uma provocação de sua esposa à época, Adriana Lorandi. Cansada de ver o marido reclamar da situação do país, ela o desafiou a se candidatar a presidente da República, uma vez que ele apregoava ter soluções para todos os seus problemas. Meses depois, às vésperas das eleições de 1989, Enéas fundou com a ajuda de amigos médicos e conhecidos um partido de “reedificação da ordem nacional”. A sigla escolhida, Prona, aludia à técnica médica de colocar o paciente de bruços para combater a baixa concentração de oxigênio no sangue. O partido propunha salvar o país dos sufocamentos causados pela velha política.

Enéas tinha meros quinze segundos no horário eleitoral gratuito. Em sua primeira aparição na tevê e no rádio, apresentou-se da seguinte forma: “Sou professor de cardiologia, registrei no Segundo Ofício, em Brasília, um documento afirmando que, se não for eleito, não serei candidato a qualquer outro cargo em nenhum escalão do poder. Nunca fui, não sou e nem serei político profissional. Meu nome é Enééééas!”

O jeito esdrúxulo, o estilo rápido e assertivo de falar, associado ao slogan personalista logo chamaram atenção. Ao pesquisar na internet sobre como a mídia retratou o surgimento de Enéas – que tinha 50 anos à época –, descobri que a primeira menção ao candidato do Prona na Folha de S.Paulo foi na coluna de humor de José Simão. Em 27 de setembro de 1989, logo no início da campanha, Macaco Simão cutucou: “Quem está com problema de imagem polivalente é o Enéas. Toda vez que ele aparece na tela, a gente pensa que a televisão está de cabeça para baixo.” No fecho da coluna, o humorista desferiu: “Meu nome é Enéas. E o meu é Simão.”

Nos dias seguintes, Enéas utilizou seu parco tempo para criticar o toma lá dá cá dos políticos e dos partidos tradicionais, que ele considerava a causa principal do mau funcionamento do país, da corrupção e da falta de liderança.

Às vésperas da eleição, ele se despediu dos eleitores: “Se o senhor acreditou em mim, proteste contra tudo isso que aí está. Vote no fim da desordem. No dia 15, respire fundo, encha o seu peito de ar, e grite junto com todo o Brasil: ‘Meu nome é Enééééas!’” Apesar da fama recém-adquirida, Enéas não passou do 12º lugar naquele ano, obtendo apenas 360 561 votos.

 

Nunca levei a sério a figura de Enéas, mesmo quando ele chegou em terceiro nas eleições presidenciais de 1994, com 4 671 457 votos, à frente de Leonel Brizola, Orestes Quércia e Espiridião Amin. Como muitos na mídia e na universidade, sempre associei o voto que lhe deram a uma manifestação de protesto, a algum tipo de boicote ou mesmo de zoação de uma parte reduzida do eleitorado.

O cientista político Bruno Reis, porém, me lembra que essa retórica antipolítica de Enéas sempre teve o respaldo do eleitor de classe média, seja de direita, seja de esquerda. Ele se recorda de estar com amigos em um restaurante de Belo Horizonte, no início dos anos 1990, quando, de repente, o presidente do Prona entrou no recinto e foi calorosamente aplaudido pelos clientes.

O que os levantamentos feitos por mim parecem indicar é que Enéas vem ganhando, retrospectivamente, importância política no imaginário de boa parte da população. Acompanhando os votos em favor de Enéas, com bastante frequência vinham justificativas como: “Ele foi o melhor presidente que o Brasil não teve”, “O mais sério e capacitado político brasileiro de todos os tempos”, “O incansável defensor da verdade”.

Nas respostas que recebi, ele também foi frequentemente lembrado como uma vítima do sistema político e da grande mídia, que não teriam dado espaço para que expusesse as suas ideias. “Em 1989, se houvesse internet, redes sociais etc., com certeza Enéas seria eleito”, resumiu um candidato gaúcho, fazendo eco a muitas mensagens similares que recebi no Twitter.

Dado o contraste entre a minha visão sobre o eterno líder do Prona e o resultado das pesquisas que realizei, decidi tentar entender melhor esse revisionismo histórico em torno da figura de Enéas Carneiro.

Recorri ao Google para encontrar algum estudo que me ajudasse a compreender como se deu essa transformação da imagem de Enéas, de personagem folclórico a “mito” de uma parcela mais conservadora da população brasileira.

Como ainda são poucas as pesquisas sobre o aumento da receptividade ao pensamento de direita no Brasil, tive a sorte de encontrar a tese de doutorado de Odilon Caldeira Neto, defendida no programa de pós-graduação em história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2016. “Uau, como pode alguém ter gastado 413 páginas discutindo o pensamento de Enéas?”

Superei todo o meu preconceito em relação ao objeto de pesquisa de Caldeira Neto ao ler as primeiras páginas da tese. Era um trabalho sério, bem escrito, com abordagens muito originais, que tentava entender um movimento ao qual pouquíssima gente deu atenção, mesmo depois da vitória de Bolsonaro, que mantém o sólido apoio de um terço do eleitorado após 22 meses de mandato e uma gestão tão criticada da pandemia.

Caldeira Neto, que é atualmente professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora, me contou por telefone que se lembra de, aos 5 anos de idade, ter sido levado pelos pais para acompanhar comícios de Lula, Covas e Brizola em São Paulo, sua cidade natal, em 1989. Desde a graduação em história, o professor pesquisa a extrema direita brasileira – primeiramente, focou em skinheads, neonazistas, militares da reserva e grupos de neointegralistas. Ao longo de seus estudos, notou que todos esses grupos acabaram vendo em Enéas Carneiro uma espécie de nova versão de Plínio Salgado, o líder fascista brasileiro.

Como não havia trabalhos acadêmicos sobre o candidato médico e o Prona, Caldeira Neto descobriu aí o que lhe faltava para atender a uma das exigências de uma pesquisa de doutorado: desenvolver um tema inédito. Na falta de uma bibliografia específica, foi atrás de livros em sebos e procurou antigos membros do Prona para adquirir boletins, impressos e outros materiais ligados ao partido, como o jornal Ombro a Ombro, publicado por alguns militares da reserva. O objetivo era identificar as linhas gerais do discurso ultranacionalista, autoritário e conservador das pessoas que, ao longo do tempo, foram se associando ao cardiologista que queria livrar o Brasil dos políticos.

Caldeira Neto acabou entrando em contato com uma das filhas de Enéas, Lígia Lorandi Carneiro, também médica, que vive na Alemanha e lhe forneceu vários documentos. “Ela disse que gostou da minha tese, embora tenha algumas discordâncias, o que é natural, já que meu trabalho tem um foco crítico.” Postura diferente teve o idealizador do EneasTV, um canal no YouTube com mais de 250 mil inscritos (até 28 de outubro). De acordo com Caldeira Neto, o criador do maior acervo de imagens do político – mais de quinhentos vídeos de programas eleitorais, entrevistas e palestras de Enéas – não consentiu que fosse identificado e se mostrou reticente durante a conversa que tiveram.

Comentei com Caldeira Neto sobre os resultados das minhas pesquisas e o indaguei sobre essa trajetória de Enéas no imaginário das pessoas: de personagem menor, frequentemente ridicularizado, a “gênio incompreendido” da política nacional. O professor me explicou que, desde o começo de sua carreira política, o líder do Prona soube utilizar a folclorização a seu favor, a começar do modo como se apresentava em público e do uso do bordão personalista. Também foi muito habilidoso em driblar o pouco tempo de que dispunha no horário eleitoral, obtendo entrevistas em programas com boa audiência na época, como Jô Soares Onze e Meia e Programa Livre, de Serginho Groisman. Enéas soube, principalmente, cultivar a imagem de um homem de inteligência superior, um sujeito que sabia tudo o que se passava “por trás das coisas” – o que se adequa bastante ao discurso conspiracionista alimentado em sites de extrema direita.

É possível constatar, por meio de uma pesquisa no Google Trends, aplicativo que traz o padrão de buscas de uma determinada palavra ao longo do tempo, que há picos de buscas pelo nome “Enéas” nos meses de outubro em que há eleição presidencial no Brasil. Mais do que isso: desde a morte do político por leucemia, em maio de 2007, as buscas por seu nome não aumentavam tanto como ocorreu nas eleições de 2018.

Caldeira Neto me lembrou que, na campanha presidencial, Bolsonaro tentou se apropriar da imagem e do discurso de Enéas, um comportamento que, na época, me pareceu incoerente e oportunista. Descumprindo promessa feita na primeira aparição no horário eleitoral, de que não se lançaria em outra eleição caso perdesse a de 1989, Enéas se candidatou à Presidência em 1994 e 1998, à Prefeitura de São Paulo em 2000 e se elegeu deputado em 2002. Assim, foi colega de Bolsonaro na Câmara por cinco anos, mas há escassos registros de atividade legislativa conjunta entre os dois.

Em 2017, Bolsonaro e seu filho Eduardo (então deputado federal pelo PSC) chegaram a apresentar juntos um projeto de lei para incluir Enéas Carneiro no Livro dos Heróis da Pátria, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes. Pouco depois, quando ainda procurava uma legenda para concorrer à Presidência, Bolsonaro flertou com o Partido Ecológico Nacional (PEN), que chegara a cogitar mudar seu nome para Prona. Por fim, fechou com o PSL, e o PEN, rebatizado de Patriota, lançou outro personagem folclórico, Cabo Daciolo, para as eleições presidenciais de 2018.

Entre os apoiadores do atual presidente, fazia sucesso um perfil nas redes sociais chamado Bolsonéas, cuja logomarca era uma caricatura de Bolsonaro de barba. Criado por Leonardo Rodrigues de Barros Neto, ex-assessor da deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ), o perfil se desdobra em vários canais – Facebook, Twitter, YouTube e Instagram –, e chegou a ter mais de 1 milhão de seguidores. Curiosamente, quase não há menções ao médico acreano nesse perfil – o Bolsonéas é quase 100% Bolsonaro, fazendo uma promoção tão enfática do atual presidente que chegou a ser investigado em uma ação sobre a disseminação de fake news e o gabinete do ódio instalado no Palácio do Planalto. Em julho, o canal foi derrubado pelo Facebook numa medida interna contra redes de desinformação que atingiu também outros perfis bolsonaristas.

De acordo com David Nemer, professor do Departamento de Estudos de Mídia na Universidade da Virgínia, que desde 2013 estuda a disseminação do discurso de direita pelos grupos de WhatsApp no Brasil, essa associação de Bolsonaro a Enéas nas redes sociais procura suprir a carência de referências intelectuais civis entre os grupos de extrema direita. Tal qual Olavo de Carvalho serviu como “guru” do bolsonarismo, Enéas deu certo lastro a uma candidatura presidencial vazia em termos de projetos para o país.

Um Grande Projeto Nacional, aliás, foi o título dado por Enéas à sua proposta de governo apresentada na eleição de 1994. O documento de 195 páginas sistematizava as ideias do Prona e representou o marco inicial da parceria entre o fundador do partido e oficiais da reserva e técnicos ligados à Escola Superior de Guerra, núcleo de formação estratégica militar durante a ditadura. Já no primeiro capítulo, O Grande Manifesto do Prona à Nação Brasileira, é possível identificar muitas das pautas exploradas à exaustão por Bolsonaro nas redes sociais na campanha presidencial, como as críticas ao sistema político, considerado corrupto, a necessidade de um governo forte e com autoridade, a luta contra a desordem, a valorização das Forças Armadas e a importância estratégica da exploração mineral da Amazônia.

O conservadorismo de Enéas também serviu, e ainda serve, de modelo à família Bolsonaro. O professor David Nemer me enviou um tuíte recente de Eduardo Bolsonaro compartilhando um trecho de entrevista dada por Enéas ao programa Roda Viva, em 1994. O tuíte é do dia 28 de julho, quando estourou a polêmica sobre a participação do transexual Thammy Miranda numa publicidade da Natura para o Dia dos Pais. A postagem dizia: “QUE FALTA QUE FAZ UM ENÉAS! Quando o óbvio é contestado significa que há algo errado. Enéas humilha entrevistador respondendo sobre homossexuais.” No vídeo compartilhado pelo deputado, o candidato do Prona afirma que, por mais que a ciência avançasse, a generalização da homossexualidade levaria à extinção da espécie.

Nesse sentido, a plataforma nacionalista, conservadora e antissistema, tão cara a Enéas, foi apropriada por Bolsonaro, que a apimentou com dois elementos: o discurso anticorrupção da Lava Jato e o liberalismo econômico de Paulo Guedes.

 

Nas últimas semanas, enquanto o número de mortos pela Covid-19 passava de 150 mil e o país se preparava para as eleições municipais, não resisti e realizei uma última enquete. Novamente contando com as informações divulgadas pelo TSE, enviei um e-mail a todos os candidatos a prefeito fazendo a mesma pergunta sobre as eleições de 1989.

Talvez porque estivessem no meio do furacão da campanha, poucos responderam: apenas 176, num universo de mais de 19 mil candidatos. Apesar da baixa representatividade, um terço cravou Enéas como seu candidato preferido – Lula e Brizola ficaram em segundo e terceiro lugares. Para alcançar a liderança, o falecido líder do Prona contou com “votos” até mesmo de políticos que disputam prefeituras por partidos bem mais à esquerda, como Rede, PV, Cidadania e PDT. Um dos candidatos do PTC de Atibaia, em São Paulo, justificou assim sua preferência: “Enéas Carneiro, brasileiro, patriota, conservador e que já alertava da dominação da esquerda no Brasil.”

Embora as minhas enquetes, insisto, não tenham valor estatístico, as evidências de um movimento de revisionismo do papel histórico de Enéas sinalizam que algo de bem mais complexo está em curso na sociedade brasileira: a difusão pelas redes sociais de ideias que não encontram espaço na grande mídia e na universidade, mas produzem muita ressonância nas camadas mais conservadoras.

Ao analisar outra vez a cédula eleitoral de 1989, constato que os presidenciáveis de nossa primeira eleição direta após a ditadura podem ser divididos em três grupos: alguns foram completamente esquecidos, outros caíram em descrédito e uns poucos mantêm um recall junto ao eleitorado, mas restritos ao seu nicho partidário-ideológico. Nenhum deles, porém, teve sua imagem tão revigorada quanto o candidato do Prona.

Entender esse processo de reinvenção de Enéas na cabeça de muitos brasileiros pode ser a chave para compreender o beco político em que o país se meteu. Talvez alguém se anime a fazer uma pesquisa sobre isso depois da quarentena.

Bruno Carazza

É professor do Ibmec, colunista do jornal Valor Econômico e autor de Dinheiro, Eleições e Poder: As Engrenagens do Sistema Político Brasileiro.

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