viagem

Hotel esquecimento

Estávamos completamente desorientados, inseguros de nosso equilíbrio, incapacitados para a tarefa de nos encontrarmos em Amsterdã

Geoff Dyer
Atravessamos uma ponte só para descobrir que estávamos atravessando de volta a mesma ponte que, no fim das contas, era uma ponte totalmente diversa daquela em que estávamos segundos antes. E se o hotel tivesse deixado de existir? Será que éramos uma espécie de mortos-vivos, condenados a vagar pelas ruas de Amsterdã à procura de uma residência onde não teríamos como entrar?
Atravessamos uma ponte só para descobrir que estávamos atravessando de volta a mesma ponte que, no fim das contas, era uma ponte totalmente diversa daquela em que estávamos segundos antes. E se o hotel tivesse deixado de existir? Será que éramos uma espécie de mortos-vivos, condenados a vagar pelas ruas de Amsterdã à procura de uma residência onde não teríamos como entrar? FOTOS: MAGNUM PHOTOS_PATRICK ZACHMANN_2004 | MAGNUM PHOTOS_SIMON WHEATLEY_2005

Embora David fosse inglês e morasse em Milão, nós dois — Dazed e eu — lhe demos o apelido de Dave Amsterdã porque foi lá que o conhecemos, em Amsterdã, onde fomos comemorar o quadragésimo aniversário de nosso amigo Matt. Matt também não mora em Amsterdã, mas a mulher dele, Alexandra, tinha decidido que iriam passar o fim de semana numa suíte do 717 da Pinsengracht. E também convidara uma dúzia dos amigos de Matt para o fim de semana em Amsterdã. Claro que Alexandra não se dispôs a bancar as acomodações de todo mundo; o acordo era aparecermos na sexta para jantar com ela e Matt e depois, no sábado, eles nos receberiam para tomar umas bebidas em sua suntuosa suíte: uma espécie de reunião doméstica longe de casa. Os amigos mais ricos de Matt também reservaram quartos no 717, mas Dazed e eu fomos parar num hotel barato, incomodamente localizado a uma certa distância do centro da cidade. E ocorre que Dave Amsterdã também estava hospedado lá. Muito mais importante do que essa coincidência administrativa, porém, foi que tínhamos a mesma idéia das obrigações que um fim de semana em Amsterdã impunha. A maioria das pessoas de nosso grupo imaginava um jantar seguido de alguns baseados num café, mas Dave Amsterdã era o único decidido a transformar aquele fim de semana num evento realmente memorável, daqueles em que, no final, a pessoa não se lembra de nada do que aconteceu. Eu vivia o lusco-fusco do prolongado ocaso dos meus anos de psicodelismo, e aquele seria meu canto do cisne — ou pelo menos um deles. Não conhecia Dave Amsterdã, mas gostei dele assim que ouvi sua explicação sobre a base filosófica do fim de semana.

“Tudo é uma questão de moderação”, declarou ele no Greenhouse na noite de sexta, depois de um delicioso e inautêntico jantar tailandês. “Moderação em tudo. Até mesmo em matéria de moderação. De modo que todo mundo precisa cometer seus excessos de vez em quando. E esta vai ser uma dessas ocasiões.”

“Concordo em gênero, número e grau”, disse eu, impressionado com o rigor de seu raciocínio. “Para mim, estamos aqui para o que der e vier. Queremos a experiência completa de Amsterdã.”

“Isso mesmo”, disse Dave Amsterdã. E assim, na manhã de sábado, seguimos para a Galeria do Cogumelo Mágico, na Spuistraat. Dave Amsterdã tinha um ar um tanto gasto pelo uso; vale dizer, estava com a melhor aparência que teria em todo o fim de semana. Aquilo se devia a ter passado boa parte da noite anterior numa casa noturna chamada Transe do Buda ou Buda em Transe, muito depois de todos nós termos ido dormir, mas a razão principal é que Dave Amsterdã nunca tinha melhor aspecto do que quando parecia um tanto gasto pelo uso. Já estive com ele várias vezes depois de nosso fim de semana em Amsterdã, mas nunca vi Dave melhor do que naquele dia. Seu rosto estava um pouco corado. Nas outras ocasiões, só se via um pouco de cinza em seus olhos e no cabelo de suas têmporas; no resto da face, o último vestígio de colorido desaparecera por completo. Até os lábios eram brancos. Mas naquela manhã de outubro em Amsterdã, em termos relativos, ele estava com ótimo aspecto.

Dazed também estava linda, indiscutivelmente bonita. Usava um gorro de lã que eu lhe comprara de Natal adiantado, e o acessório, combinado com os óculos meio bambos de aro de tartaruga, lhe dava um ar de excêntrica beldade intelectual, algo como uma arqueóloga maluca, digamos, representada por uma atriz hollywoodiana que já tivesse passado dos trinta e tentasse lançar mão de mais do que a beleza, determinada a mostrar que era capaz de compor uma personagem. E eu? Bem, eu só podia estar completamente ridículo. De fora, saltava aos olhos que eu era o tipo de pessoa cujo guarda-roupa exageradamente juvenil — camiseta de skatista, calças de malha, casaco de moletom com capuz — não conseguia esconder o fato de que tinha 42 anos, um intelectual que jamais conseguira acumular nada além de amontoados de letras; por boa parte daquele fim de semana, porém, eu me senti no auge das minhas forças – ou muito próximo disso. Admito que devíamos formar um trio um tanto estranho quando nos sentamos à mesa de um café para consumir nossos cogumelos recém-adquiridos, mas não esperava que fôssemos postos para fora tão depressa como fomos. Não exatamente postos para fora, mas muito severamente repreendidos pelo barman do lugar. Não queria que tomássemos os nossos cogumelos ali, disse ele. E custamos um pouco a nos dar conta do que ele dizia: estávamos sendo expulsos de um bar de Amsterdã por tomar drogas?

“É como se fôssemos enxotados de um pub por tomar cerveja”, disse Dazed. Minhas conquistas na vida foram muito poucas — e talvez seja por isso que senti um certo fulgor esmaecido de orgulho adolescente com nossa condição de indesejáveis. O barman tinha o ar acabado e ostensivamente envelhecido dos ex-drogados, e seus olhos opacos não nos encaravam com nenhuma simpatia. Eu não tinha a menor condição de discutir com ele porque estava engasgado com os cogumelos que tentava empurrar com as últimas gotas da garrafa de água Evian comprada por Dazed, mas nós três conseguimos produzir manifestações coletivas de surpresa suficientes para despertar algum tipo de explicação da parte do barman.

“Não quero vocês vomitando aqui”, disse ele.

“Várias coisas”, respondeu Dave Amsterdã, que a essa altura conseguira engolir seus cogumelos. “Primeiro, na minha idade, não preciso que ninguém me ensine boas maneiras. Sou uma pessoa muito civilizada. Segundo, meus amigos e eu somamos quase 115 anos de idade, e não temos, acho oportuno esclarecer, a mínima intenção de vomitar. Terceiro, se por um acaso decidíssemos vomitar, pode ter certeza que antes disso iríamos para a rua ou até o banheiro. Quarto, se formos vomitar, só vai ser daqui a pelo menos meia hora. Enquanto isso, o senhor talvez pudesse ter a bondade de nos trazer três cafés.”

Foi um discurso muito impressionante e, por algum tempo, achei que o barman iria atender seu pedido. Mas então, sem mudar a expressão do rosto, ele estalou os dedos e emitiu duas palavras. A primeira foi: “Babaca!”. E a segunda foi: “Rua!”.

“Pois existe todo um mundo lá fora”, foi o que eu lhe disse com toda a dignidade que consegui reunir — quase nenhuma — enquanto caminhávamos para a porta. Na verdade, sermos enxotados daquele modo não fez muita diferença. Simplesmente saímos de lá e fomos para outro lugar. O que consistiu em nossa atividade básica do dia inteiro. Estávamos sempre indo para outro lugar. Chovia do lado de fora, e toda vez que saíamos para a rua já começávamos a pensar em outro lugar abrigado. No começo o desconforto nem era muito grande, porque não estava chovendo. Quer dizer, chovia, sim, mas em comparação com a chuva que caiu mais tarde aquilo não era nada, era uma verdadeira calmaria. Havia até uma sugestão de sol. As folhas — as que tinham restado nas árvores, claro; as caídas no chão em pilhas eram aves de outra plumagem — cintilavam nos breves momentos em que o sol surgia, mas mesmo quando não havia sol o clima era relativamente agradável.

 

Mais tarde as condições haveriam de ficar muito piores, mas naquele estágio inicial do dia nossa preocupação básica era o nauseante câncer da dúvida plantado em nossas mentes pelo barman rabugento. Esperávamos enjoar a qualquer momento, e então, quando conseguíamos parar de ficar esperando a hora do enjôo, pulávamos de um lugar para outro. Mas antes pedimos três cafés num outro bar, praticamente idêntico ao primeiro, onde ficamos esperando pelo enjôo. Quando não veio, fomos para outro lugar. O céu estava de um cinzento prateado, havia nuvens passando, movimento, tonalidades cambiantes de cinza, a possibilidade de que as coisas melhorassem. O dia ainda não se definira pelo unânime pálio cinzento, sinal certo de que as coisas só iriam melhorar vários dias depois da nossa partida, provavelmente já na próxima primavera, ocasião em que já estaríamos em casa há muito e tudo que ocorrera ali teria sido completamente esquecido, salvo por uma ou duas pessoas – apenas uma, talvez, possivelmente só eu mesmo – empenhadas em não deixar que as coisas caíssem no esquecimento, mesmo que para tanto fosse preciso inventá-las a partir do zero.

E em algum momento as condições começaram a piorar. O vento soprava com mais força. Começou a chover intensamente, e então, depois que a chuva engrossou, desencadeou-se uma espécie de vendaval marítimo. Queríamos nos proteger das chicotadas da chuva de vento, mas a única maneira de sair daquela chuva era seguir em frente andando nela, pelo menos por algum tempo. Refugiamo-nos na relativa tranqüilidade do Museu Van Gogh, onde os quadros jogavam e dançavam em meio a um nevoeiro amarelo. Não que tenhamos visto algum deles. As condições pioraram tanto em Amsterdã que todo mundo só pensava numa coisa: sair da chuva, sair da chuva e entrar no Museu Van Gogh. Todos estavam encharcados, emitindo vapor, e um estouro da boiada molhada se tornava mais provável a cada momento. De vez em quando, ao fundo, o fulgor do sol sobre o trigo ondulante de Arles, uma noite de fogos de artifício — a noite estrelada — surgia em meio ao tumulto. Árvores angustiadas em sua floração empinavam-se ante os nossos olhos, rostos tingidos de pigmento resplandeciam intensamente, mas no geral o que se via eram só as costas encharcadas dos freqüentadores do museu com seus trajes e apetrechos de mau tempo, acotovelando-se pela melhor posição. O amarelo árido de Arles só fazia enfatizar que aqui, em Amsterdã, vivíamos o tipo de dia de outono que quase não difere dos piores momentos do inverno. Um número cada vez maior de visitantes vinha se amontoar no museu. Aqueles quadros eram os últimos botes salva-vidas do Titanic, e só os muito afortunados conseguiam um vislumbre rápido de um girassol aberto ou da cadeira vazia de Gauguin (a qual, pelo que sabíamos, nem mesmo ficava lá). Os demais tinham de se contentar com os desenhos, ou qualquer outro fragmento de arte que passasse flutuando à sua frente.

 

Por sorte, os cogumelos não eram tão fortes quanto poderiam ter sido, e dali a pouco estávamos novamente na chuva. Incrivelmente, as condições tinham piorado mais ainda enquanto visitávamos o museu; o tempo, para encurtar uma longa digressão meteorológica, tinha passado de mau a pior, e depois a pior ainda.

“Parece que estamos no convés de uma traineira em pleno mar do Norte”, eu disse. “Se não estivéssemos em terra firme, eu daria a ordem de abandonar o navio.”

“Sim, capitão”, disse Dazed. Seguimos em frente, cabeças baixas, à procura de algum tipo de abrigo.

“Estaremos na estação dos nevoeiros e da doce frutificação?”, perguntou Dazed enquanto forcejávamos para atravessar a chuva.

“Acho que sim, do ponto de vista técnico, mas começo a desconfiar que aqui é um desses lugares onde o outono nem chega a existir. Todo ano, eles saem da primavera e mergulham direto no pior inverno de todos os tempos.”

“Na estação dos frutos que caem e da longa viagem rumo ao esquecimento?”, perguntou Dazed.

“É provável.”

“E o que vocês acham, é provável que este café seja bom?”

De fato parecia bom, mas assim que entramos nós nos vimos enredados num labirinto impenetrável de cadeiras. As cadeiras não nos deixavam passar. Com a experiência dos Van Gogh ainda razoavelmente recente em nossos espíritos, a impressão era de que a cadeira vazia de Gauguin tinha dado um jeito de se clonar, assumindo residência permanente naquele café. Já a análise que Dave Amsterdã fez da nossa situação tinha menos a ver com a história da arte, e foi mais pragmática.

“Normalmente, nos cafés, é difícil conseguir uma cadeira”, disse ele. “Já aqui, são cadeiras demais.” Não dava para imaginar comentário mais sucinto. Aquele excesso de cadeiras vazias era hilariante, na verdade elas eram tantas que não sobrava lugar para sentar. Começamos a empurrá-las, mas assim que tirávamos uma do caminho outra dava um jeito de nos atrapalhar. Conseguimos enfim criar um espaço onde só havia três ou quatro cadeiras para cada um de nós, proporção até razoável para pessoas tão exaustas e molhadas. Esticamos as pernas e fizemos nossos pedidos de bebida a uma garçonete mal vestida que ou bem abstraía ou bem não se deixava perturbar por aquela superabundância de assentos.

“Desculpe”, disse Dave Amsterdã quando ela voltou trazendo nossos pedidos. “Mas estávamos pensando. Você não acha que aqui tem cadeiras demais?” Embora Dave Amsterdã tenha dirigido sua pergunta à garçonete, é claro que o comentário se destinava inteiramente a nós, para nossa diversão. E de fato achamos graça. Muitíssima. De chorar. Rá, rá. Não conseguíamos parar de rir. Quanto mais nos esforçávamos para parar de rir, mais vontade de rir sentíamos. Para nós, aquela tinha sido a pergunta mais engraçada de toda a história, um comentário realmente esplêndido, como pouca gente jamais havia conseguido enunciar. Grande Dave Amsterdã. Depois de ter causado a nossa expulsão de um café, agora estava em pleno processo de provocar nossa expulsão do segundo. Fiz um grande esforço para me controlar. Pensei no tempo horrível que fazia do lado de fora, imaginei nós três caminhando na chuva gelada e horizontal, evitei olhar nos olhos dos outros, concentrei-me em agradecer à garçonete e em murmurar desculpas vagas em nome de todos. E então, depois que a garçonete se retirou (um tanto ofendida), nossa hilaridade se reduziu a risadinhas, enxugamos as lágrimas dos olhos e alcançamos alguma medida de autocontrole.

Logo depois do acesso de riso, lembrei que naquela manhã, por impulso, eu tinha comprado um par de calças. Na mesma hora, supus que as tivesse perdido em algum ponto de nossa jornada pelas ruas tempestuosas de Amsterdã, mas, por milagre, elas estavam ao meu lado, dentro de uma sacola. Decidi então trocar na mesma hora minhas calças molhadas pelas novas, que estavam secas, lindas e quentinhas. No interior claustrofóbico do banheiro, tive alguma dificuldade para me livrar das calças molhadas, que se agarravam às minhas pernas como um afogado. As novas também eram bastante complicadas, e tinham mais pernas que uma aranha; ou então não contavam com uma quantidade suficiente de pernas para comportar as minhas. Os números nunca coincidiam. Sempre havia uma perna de calça a mais ou uma das minhas pernas que ficava sobrando. Visto de fora aquele era um banheiro comum, mas depois que você se trancava lá dentro as regras básicas da aritmética paravam de funcionar. Dois simplesmente se recusavam a entrar em dois. Aquilo era uma loucura, e me deixou com uma terrível dor de cabeça. Concentrei-me com toda a força, apliquei-me com a máxima energia à tarefa que me esperava. Enfiei uma das pernas na calça. E enfiei a outra. Viva! Nem mesmo um homem que finalmente se livrasse do espectro de trinta anos de celibato indesejado — estou dentro! — poderia sentir uma onda maior de triunfo e autoafirmação do que eu naquele instante.

Mas minha exultação durou pouco, porque aquelas calças também estavam encharcadas. De alguma forma, eu tinha voltado a vestir o par de calças molhadas que tirara pouco antes. As calças secas ainda estavam secas, esperando para ser vestidas. E lá estava eu de volta ao ponto de partida. Depois de todo o esforço dos últimos — quanto tempo? podiam ter sido horas — aquele era um golpe devastador, do qual eu não sabia se seria capaz de me recobrar. Como é que aquilo tinha podido acontecer? Erro humano, eis a única explicação cabível. Erro humano. Era evidente que, de alguma forma, eu tirara minhas calças molhadas e depois tornara a vesti-las. Não havia outra explicação possível, mas que grande mistério, que labirinto infindável de possibilidades contido naquelas palavras inócuas: “de alguma forma”.

 

Sem me deixar abalar — ou melhor, abalado ao extremo — decidi começar tudo de novo. Extraí minhas pernas compridas das calças molhadas e as inseri com o máximo cuidado nas calças secas. E agora, à custa de muito esforço, consegui vesti-las com a frente para trás.

A essa altura, porém, já estava tão resignado ao fracasso, à decepção e à frustração que mal me detive para pensar no que dera errado (erro humano de novo, é quase certo). Sem perda de tempo, tirei as calças e, com a cabeça girando devido ao esforço, tornei a vesti-las — só para descobrir que dessa vez as tinha posto pelo avesso. Em circunstâncias menos penosas, essa minha performance poderia parecer muito sofrível para um intelectual de 42 anos, mas àquela altura dos acontecimentos decidi considerar meu feito um relativo sucesso, especialmente porque alguém já estava esmurrando a porta, dizendo que fazia séculos que eu estava ali e querendo saber qual era o problema.

“Boa pergunta!”, gritei de volta, novamente bem-humorado, enfiando na sacola minhas calças molhadas. No fim das contas, teria sido um empreendimento de alto risco — quem sabe quantas novas permutações catastróficas ainda poderiam ter resultado? — tentar tirar e voltar a vestir as calças novas. Estavam do avesso, sim, mas pelo menos vestidas, e era isso que importava.

Sentados no café, cercados por um mar de cadeiras, Dazed e Dave Amsterdã nem se deram conta do estado das minhas calças. Só tinham se passado poucos segundos, mas já me parecia difícil acreditar que eu pudesse ter enfrentado tamanhas dificuldades no vestiário. Era um outro mundo, aquele banheiro, praticamente um universo paralelo, com seu conjunto próprio de extraordinários problemas e obstáculos. Uma peça de sofisticada música eletrônica ia e vinha no sistema de som, reduzindo-se mais adiante a um longo ruído de fundo que fazia uma solução pacífica para as dificuldades humanas parecer uma possibilidade distinta, quase inevitável. No final das contas estávamos todos um tanto enlameados, mas o café era um lugar até bem acolhedor para fazer um balanço de nossas forças ou coisa parecida.

De repente, Dave Amsterdã disse: “Aliás, sabia que suas calças estão do avesso?”.

“Não estão, não”, respondi.

“Estão, sim”, disse Dazed.

“Pois é aí que vocês dois se enganam”, emendei. Aquele interlúdio em silêncio, sentado no café, me permitira enxergar minhas dificuldades anteriores no banheiro sob uma luz totalmente diferente, e agora eu seria capaz de defender minha visão em qualquer debate, por mais feroz que fosse a oposição. “Pode ser que pareça a vocês – as pessoas de fora, por assim dizer – que as minhas calças estão do avesso, mas elas estão do jeito certo. Quem está virado do avesso sou eu.”

“Uma análise muito discutível”, disse Dave Amsterdã.

“Discutível mas, do meu ponto de vista, totalmente correta. E agora, se vocês não se incomodam, eu queria falar sobre outra coisa.”

“O quê?”

“Sobre o que vamos fazer agora.” Eu estava a fim de ir para outro lugar, eis a questão. Os outros estavam satisfeitos ali, mas eu estava muito a fim de ir embora. Para outro lugar, diferente, talvez melhor. Eu estava incomodado, e quem sabe o quanto contribuía para esse incômodo o fato de minhas calças estarem viradas do avesso – por mais enfaticamente que eu pudesse negá-lo? Seria por isso que eu estava tão ansioso por deixar aquele café e ir para fora, para as ruas, antes de voltar mais uma vez para dentro de outro lugar? No fim das contas aquele lugar era ótimo, mas eu continuava querendo seguir em frente, continuava querendo ir para outro lugar.

“O que eu quero”, falei, “é um lugar onde a gente possa se sentar e passar algumas horas batendo papo antes de ir para a suntuosa suíte de Matt e Alexandra. Algum lugar com boa música, cadeiras confortáveis, um bom chá e assim por diante.” Me estendi bastante a respeito e, à medida que falava, fui tendo a vaga sensação de que estava a ponto de perceber alguma coisa, alguma neurose que insistia em não se manifestar com toda a clareza. E então tive o estalo.

“Sabem de uma coisa?”, eu disse. “Acabei de descrever exatamente o lugar onde a gente está. Já estou no próprio lugar para onde eu queria ir.”

“Parabéns, querido”, disse Dazed. “Você acaba de escapar do samsara.”

De fato. Eu tinha conseguido desbloquear todos os meus chakras relacionados a bares e cafés, e experimentava uma sensação de calma absoluta. Fiquei satisfeito de me encontrar ali naquele café superpovoado de cadeiras em pleno outono dos meus anos de drogado, na companhia da minha futura ex-namorada, Dazed, que dali a algumas semanas iria sucumbir a um de seus acessos periódicos de depressão profunda, e do meu velho amigo Dave Amsterdã, que eu só conhecera na noite anterior e que, meses depois, acabaria ele próprio — a exemplo do autor do presente relato — totalmente reduzido a frangalhos. Àquela altura, contudo, estávamos satisfeitos de ficar ali mesmo onde nos encontrávamos, reconfortados pela certeza de que dali a pouco estaríamos refestelados na suntuosa suíte de Matt e Alexandra no 717.

Chegamos lá na hora exata, às seis em ponto, e fomos conduzidos até a suíte de Matt e Alexandra por um camareiro encantador.

“Querem ter a bondade de me acompanhar?”, perguntou ele, tendo a cortesia de ignorar o fato de que parecíamos coisas que o gato trouxe da rua, e uma dessas coisas ainda usava as calças pelo avesso. A suíte de Matt e Alexandra era tão suntuosa como tínhamos imaginado. Lá o mundo era outro. Eis uma coisa de que me lembro claramente naquele fim de semana em Amsterdã: existia mesmo um mundo lá fora. Aonde quer que fôssemos, o mundo era diferente daquele de onde tínhamos vindo. A suíte suntuosa de Matt e Alexandra parecia o mundo de Henry James, onde as frases duram vários parágrafos e belas taças de vinho tinto refletem, veladamente, as brasas da lareira e os contornos dos quadros emoldurados retratando homens de gola de renda. O tempo estava horrível do lado de fora, nas ruas, mas dali, de dentro, o panorama era de um adorável começo de noite de outono.

 

A suíte foi se enchendo com outros amigos de Matt e Alexandra, mas havia espaço de sobra para todos, visto que era uma suíte. Matt abria os presentes que ganhara de todos. O nosso estava lindamente acondicionado em papel dourado atado com uma fita amarelo-limão bem claro porque Dazed tem o dom de fazer tudo com jeito, sempre com um toque especial. Por mim, eu teria entregue o presente — um romance escrito por uma mulher com metade da minha idade e aclamado pela crítica — no mesmo saco da Waterstones em que ele me foi entregue em Gatwick. No banheiro, tirei minhas calças e as vesti do modo certo, com o lado do avesso para dentro, sem a menor dificuldade. Estendemo-nos nos sofás, tomamos taças de bom vinho, contemplamos pela janela as árvores açoitadas pelo vendaval. E eu até desejei que as condições do tempo piorassem ainda mais e que a chuva se transformasse em granizo, porque isso tornaria ainda mais agradável e mais reconfortante a sensação de estar ali dentro.

Eu conhecia Matt havia quase vinte anos, e me sentia tão feliz de estar junto dele no meio de todo aquele conforto suntuoso que estava quase a ponto de chorar. E acho que cheguei mesmo a chorar. Estava feliz e contente; não havia nada que me faltasse. No final das contas, não importava o que cada um fez de sua vida, concluí. Enquanto você pudesse ter noites como aquela, o fato de a pessoa (eu ficava trocando de sujeito entre “a pessoa”, “você” e “eu”) não ter realizado praticamente coisa alguma — nada disso fazia a menor diferença. Era melhor ter quarenta anos do que vinte, época em que a pessoa está cheia de fogo, ambição e esperança. E melhor ainda do que ter trinta, quando aquelas esperanças que animaram você no passado se transformam numa fonte pungente de tormentos.

“Depois que você faz quarenta anos”, disse eu a Matt, “nada no mundo surpreende mais. Depois que você faz quarenta anos, entende que a vida é mesmo para ser desperdiçada.” Fiquei tão empolgado com o que eu disse — com a maturidade, a sabedoria e a sensibilidade da minha frase — que continuei a tagarelar nessa linha por mais um bom tempo, ou com Matt ou comigo mesmo, estendido num dos vários sofás, contemplando meus velhos e novos amigos e outras pessoas do grupo com quem eu só tinha trocado sorrisos e um oi. Ah, a noite estava adorável mas então, de repente, acabou, ou pelo menos aquela fase dela. De alguma forma nos encontramos todos de volta na rua, caminhando em meio à névoa ultravioleta que reina entre as janelas das putas na zona onde, em vez de luz vermelha, dominava a luz negra. Um sujeito envergando uma parka ártica me disse alguma coisa que não entendi direito, mas depois percebi que me oferecia drogas, especificamente Viagra, e respondi que não queria.

“Pois bem parece que precisa”, disse ele. Foi uma frase indelicada, mas empurrei-a para um canto da mente. Uma parte do nosso grupo, inclusive Matt e Alexandra, já tinha se despedido e ido para a cama. Os restantes fomos para um bar, fumamos um skunk febril e logo éramos só nós três de novo, Dazed, Dave Amsterdã e eu, e já não estávamos no bar mas do lado de fora, nas ruas — de certa maneira, de volta ao ponto de partida. Sob o efeito daquele fumo hidroqualquer coisa, os cogumelos, que não tinham manifestado grande poder ao longo da tarde, fizeram um retorno inesperado e toda a confusão acumulada daquele dia recaiu sobre nós, nos deixando perdidos numa cidade estrangeira que só exibia uma semelhança ocasional com a Amsterdã dos mapas e dos guias.

 

Estávamos completamente desorientados, inseguros de nosso equilíbrio, totalmente incapacitados para a tarefa de encontrar o nosso hotel. Num momento estávamos andando por uma rua estreita ao lado de um canal, indo na direção de uma igreja, digamos, mas no momento seguinte a igreja tinha desaparecido e estávamos olhando pela vitrine de um antiquário. E então — o que era improvável — estávamos dentro do antiquário, vendo aquelas três figuras ensopadas do lado de fora que olhavam pela vitrine para as poltronas reformadas, os mapas antigos e as escrivaninhas escuras nas quais discretos abajures amarelos convidavam a uma vida de contemplação e estudo. A situação era complicada pela maneira como várias das casas que vimos– sem cortinas, com uma iluminação suave, muito cheias de móveis, despovoadas, ali expostas à vista de todos — pareciam lojas de antigüidades, e vice-versa. A distinção entre residências e estabelecimentos comerciais não era nem de longe tão clara quanto se podia esperar.

E outras distinções se mostravam igualmente difíceis de estabelecer. Atravessamos uma ponte só para descobrir que estávamos atravessando de volta a mesma ponte que, no fim das contas, era uma ponte totalmente diversa daquela em que estávamos segundos antes. Em vários momentos, perdi totalmente a noção de qual era o lugar do mundo onde tinha ido parar. Tive a impressão de que estava em seis ou sete cidades ao mesmo tempo. Estava em Sydney, na área conhecida como King’s Cross, o que significava que estava na área de Londres conhecida pelo mesmo nome e, ao mesmo tempo, não conseguia me orientar porque o que eu via me fazia pensar que estava em Paris e Copenhague. Eu estava em toda parte ao mesmo tempo.

“Existe algum lugar onde eu nunca estive”, disse eu num ímpeto vago de absoluta lucidez, “algum lugar de que todos os outros nunca foram mais que uma premonição. Mas como vou saber se ainda não cheguei lá? Se eu não consigo responder a essa pergunta, então, até onde eu sei, pode ser que já esteja lá.”

Como era fácil se confundir em Amsterdã, especialmente naquela noite de outono em Amsterdã.

“O que a gente precisa”, disse Dave Amsterdã, “é se concentrar em achar o nosso hotel.”

“Claro que sim”, disse eu. “Claro que sim. Mas estou pensando uma coisa: ‘falar é fácil’.”

“Aqui tem um canal”, disse Dazed, como se aquilo resolvesse tudo, como se já não tivéssemos visto centenas de canais — ou aquele mesmo canal centenas de vezes — ao longo do que começava a parecer uma excursão interminável e pouco prudente. Ainda assim, contemplamos o canal com admiração atônita e, por um instante, tivemos a impressão de que nossos problemas tinham acabado. Mas aí vimos que era realmente o mesmo canal — entupido de folhas caídas mas brilhando apesar de tudo — pelo qual já tínhamos passado dez minutos ou várias vidas antes. E ainda mais desanimador — fico tentado a dizer dilacerante — era o fato de que, caso fosse mesmo outro canal, nossa situação não melhoraria em nada.

“O mesmo canal, ou outro”, disse eu desanimado. “É a mesma diferença.”

“Bem, foi a melhor idéia que eu tive”, disse Dave Amsterdã enquanto examinávamos a caligrafia inescrutável de um restaurante japonês. “Pessoalmente, estou mais que disposto a tentar reduzir minhas perdas e encarar uma travessa de sushi.”

“Sushi precisa de uma faca afiada”, disse Dazed.

“E não só isso”, emendei.

“O que mais?”

“Ah, agora você me pegou.”

“Peixe”, disse Dazed. “Precisa de peixe.”

“Claro! Peixe”, disse Dave Amsterdã.

“Peixe — e uma faca bem afiada.” E ao mesmo tempo em que trocávamos essas insanidades também continuávamos sempre em marcha, claro, andando, andando.

“Agora mesmo houve um momento em que eu pensei que estava em Copenhague”, eu disse. “Mas então percebi que me sentia como um executivo dinamarquês da área de telecomunicações que, de repente, se descobrisse totalmente de porre em. em. Ah, na hora eu quase descobri. Quase descobri exatamente onde é que a gente estava. Praticamente o centímetro exato da nossa localização. Que coisa enlouquecedora, que inferno, não conseguir nunca saber. Me dá vontade de sentar e lamentar minha vida inteira, cada momento que eu vivi.”

 

Ainda estava chovendo? Sim, na medida em que o ar estava repleto de umidade; não, na medida em que não se podia dizer que a umidade estivesse caindo com uma clara convicção. O mais preciso seria falar de uma garoa muito fina, tão fina que era uma espécie de névoa.

“Faz os lugares ficarem mais acolhedores, mas nem um pouco mais fáceis de encontrar”, disse Dave Amsterdã que, percebi, às vezes se revelava um hacker capaz de invadir meus pensamentos mais íntimos. Sem de fato chegarmos a decidir parar, tínhamos nos instalado num banco, não propriamente sentados (pois tudo estava molhado), mas aglomerados bem perto dele.

“Vocês acham que as condições do tempo pioraram?”, perguntou Dazed em tom gentil.

“Não”, respondeu Dave Amsterdã. “Eu diria que a nossa capacidade de enfrentar as condições, essa sim, apresentou uma piora quase catastrófica.”

“Será que faz algum sentido procurar no mapa?”

“Na verdade, a pergunta está mal formulada. A questão é: ‘Será que faz algum sentido procurar pelo mapa?'”

“Não me diga que perdemos o mapa. Sem o mapa estamos perdidos de verdade.”

“Não disse que tínhamos perdido, só acho que vai ser difícil encontrar.”

“Então vamos dizer assim. Se estivéssemos com o mapa, será que faria algum sentido procurar nele?”

Dazed disse: “Podia nos ajudar a esclarecer algumas coisas”, mas Dave Amsterdã estava inabalável.

“Decididamente não”, disse ele. “É muito melhor confiarmos no nosso instinto.” E com isso tornamos a partir, novamente em marcha.

“Ainda estamos na estação dos nevoeiros e da doce frutificação?”, perguntou Dazed.

“Sim”, respondi. “E, ao mesmo tempo, não.”

“Ainda é o tempo da queda dos frutos e da longa jornada rumo ao esquecimento?”, perguntou Dazed.

“Não sei dizer”, respondi. “Na verdade, não sei dizer.”

“Você está ansiando pelo esquecimento, meu amor?”

Admiti que naquele momento ansiava, sim; e que, àquela altura dos acontecimentos, esperava que aquela jornada acabasse não sendo tão longa no final das contas. Assim que dei a resposta, porém, fiquei confuso quanto ao nosso destino.

“O nosso hotel se chama mesmo Esquecimento?”, perguntei. “Um nome estranho e meio macabro, não acham, Hotel Esquecimento? Será que devíamos mesmo estar hospedados num lugar assim? Quer dizer, se o nome for mesmo esse, tudo bem. Mas acho que precisamos nos certificar.”

“Sabem”, disse Dave Amsterdã, “acho que não vamos achar nunca o nosso hotel, qualquer que seja o nome dele.” “Ora, não seja tão pessimista”, disse Dazed.

“Não tenho certeza nem de que ele ainda existe”, disse Dave Amsterdã.

“O esquecimento?”, disse eu. “Está querendo dizer que o esquecimento é uma coisa que não existe?” Era uma idéia terrível — significava a nossa condenação ao brilho de uma consciência perpétua, sem possibilidade de alívio — mas ao mesmo tempo ridícula.

“Se imaginarmos que o hotel não existe”, prosseguiu Dave Amsterdã, “isso põe a nossa situação numa perspectiva totalmente nova. No caso, podíamos simplesmente nos registrar em algum outro hotel.”

Ouvi o que ele dizia, mas não prestava a devida atenção. As conseqüências da inexistência do nosso hotel começavam a se fazer sentir, e fui tomado por uma tristeza profunda. Comecei a pensar em todas as coisas que havia deixado no nosso quarto. Não lembrava bem o que eram, mas se o hotel não existia o mais provável é que elas também não, e eu não estava nem de longe pronto para me despedir delas, fossem o que fossem. E se o hotel tivesse deixado de existir antes de termos deixado oficialmente os nossos quartos, quais as conseqüências disso para nós? Será que éramos uma espécie de mortos-vivos, condenados a vagar pelas ruas de Amsterdã por algum tempo à procura de uma residência onde não teríamos como entrar? À luz disso, e uma vez que as conseqüências da inexistência do hotel eram idênticas à inexistência do que chamávamos de esquecimento, era lógico concluir que estávamos de fato à procura do Hotel Esquecimento. Olhei para Dave Amsterdã e para Dazed mas, pela expressão em seus rostos, não consegui saber se eu tinha dito ou apenas pensado essas coisas.

E então, sem aviso prévio ou — até onde eu soubesse — qualquer justificativa, Dave Amsterdã declarou: “Ao contrário do que eu disse antes, agora estou achando que vamos chegar em casa em menos de vinte segundos”.

“E por que diz isso?”

“Porque ali, uns dez metros à nossa frente, está o nosso hotel.” Olhei para cima e lá, em letras azul-claras, estava o nome do nosso hotel, visível a custo no meio do nevoeiro.

 

Foi um momento de felicidade que me fez parar o coração. Meu alívio foi imenso. Nossos problemas tinham acabado. E você pode imaginar qual não foi a nossa confusão quando chegamos à porta e percebemos que tínhamos nos enganado, que não era o nosso hotel mas um outro com o mesmo nome. Era incrível mas, no contexto das nossas experiências, possível até demais, inclusive inevitável. E para mim, pessoalmente, foi também a gota d’água. Não agüentava mais toda aquela maluquice, não agüentava mais aquela confusão. Não sabia o que fazer. Estava no fim das minhas forças, emocional e fisicamente. Na minha idade, nem devia estar endoidando daquele jeito; devia ter ficado em casa, num dos muitos interiores que tínhamos visto pelas janelas ou vitrines durante a nossa caminhada, trabalhando em alguma escrivaninha iluminada por um abajur de mesa. Estava a ponto de começar a culpar Dazed e Dave Amsterdã por tudo que acontecera ou deixara de acontecer ao longo daquele desgraçado e estúpido fim de semana. Aí Dave Amsterdã experimentou sua chave, a porta se abriu e percebemos que talvez tivesse sido um erro concluir que tínhamos errado, e que embora aquele hotel não fosse parecido com o nosso talvez fosse mesmo o nosso hotel no final das contas e que, mesmo que não fosse, era um bom sinal, sem a menor dúvida, que a chave tivesse funcionado.

Geoff Dyer

Geoff Dyer é escritor britânico. Ioga para quem não tem paciência, seu primeiro livro no Brasil publicado pela editora Companhia das Letras

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