O maquiador Marcos Costa e o agente Anderson Meyer: Nos últimos anos, muitas agências de modelo criaram canais internos e regras de compliance; poucas marcas contratam menores de idade CRÉDITO: MONTAGEM BETO NEJME COM FOTOS DE DIVULGAÇÃO
Teia de abusos
Modelos acusam agente e maquiador de assédio sexual
João Batista Jr. | Edição 231, Dezembro 2025
Desde que 38 mulheres denunciaram que foram sexualmente assediadas ou estupradas pelo francês Gérald Marie, então poderoso chefe europeu da Elite, uma das maiores agências de modelo do mundo, sabe-se que as modelos são alvo constante de predadores sexuais. Desde que treze modelos masculinos e assistentes revelaram que foram sexualmente assediados pelo peruano Mario Testino, um dos mais famosos fotógrafos de moda do mundo, sabe-se também que nem só as mulheres são vítimas de abusos criminosos no universo da moda. No Brasil, um mercado em que agências e modelos proliferam cada vez mais, a situação não é diferente. Como os modelos e as modelos trabalham numa atividade que vende a beleza física, explora a sensualidade e incita o desejo, a fronteira entre o que é aceitável e o que é abusivo sempre foi tênue – mas nada prepararia Clemerson de Souza para o que estava por vir.
Em um sábado de 2019, aos 17 anos, 1,88 de altura, pele morena, olhos verdes e dentes alvíssimos, ele estava se preparando para deixar o shopping center em Natal, no Rio Grande do Norte, onde acabara de participar de um concurso de modelos promovido pela maior agência do Nordeste, a Tráfego Models, quando um dos jurados lhe procurou. Era Anderson Meira Medeiros, então com 39 anos, representante da agência paulista Another, patrocinadora do concurso. Clemerson de Souza não ficara entre os finalistas, mas o agente, conhecido como Anderson Meyer, achou que o jovem tinha potencial e convidou-o para uma sessão de fotografia no dia seguinte.
Reportagens apuradas com tempo largo e escritas com zelo para quem gosta de ler: piauí, dona do próprio nariz
ASSINELeia Mais
